Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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O lugar do predicativo no predicado verbo-nominal é depois do verbo

21/02/2017 09:00

Dad Squarisi

Recado
“Muitos ´erros´das crianças não são erros: são criações autônomas das quais se servem para assimilar uma realidade desconhecida.”
Gianni Rodari

Pausas e manhas (8)

A língua nos imita. Clone dos humanos, faz o que eles fazem. Os mortais nascidos nesta alegre Pindorama se dividem em dois grupos. Um nasceu pra dar duro. O outro, pra ficar no bem-bom. Na oração ocorre o mesmo. Há os predicados boa-vida. São normais. Cumprem o expediente e se dão por satisfeitos. Há também os que trabalham por dois. Viciados em dar duro, são pra lá de sobrecarregados.

Sem excessos
A oração tem dois termos essenciais – o sujeito e o predicado. O sujeito é o ser sobre o qual se declara alguma coisa. O predicado, a declaração:

*Maria (sujeito) foi ao cinema ontem (predicado).

No caso, o predicado indica uma ação do sujeito – a ação de ir. O núcleo é o verbo (foi).

*Maria é bonita.
*Maria está bonita.
*Maria ficou bonita.
*Maria continua bonita.

Aí, a história muda de enredo. O predicado não indica ação da Maria. Indica o modo de ser dela – bonita. A palavra mais importante não é o verbo. É o nome (bonita), conhecido por predicativo. Daí chamar-se predicado nominal.

Abuso

Há predicados que acumulam os dois papéis. Indicam ação e o modo de ser do sujeito no instante da ação. Chama-se predicado verbo-nominal. Tem dois núcleos – um verbo e um nome (predicativo).

*Maria chegou bonita.
*Paulo aceitou o convite contrariado.
*João viaja preocupado.

Superdica

Reparou na manha? O predicado verbo-nominal tem um verbo escondido. É estar. Veja:

Maria chegou (e estava) bonita.
Paulo aceitou o convite (e estava) contrariado.
João viaja (e está) preocupado.

Colocação
O lugar do predicativo no predicado verbo-nominal é depois do verbo. Se passa pra frente, a vírgula pede passagem. Compare:

Bonita, Maria chegou.
Maria, bonita, chegou.
*
Contrariado, Paulo aceitou o convite.
Paulo, contrariado, aceitou o convite.
*
Preocupado, João viaja.
João, preocupado, viaja.

Mais exemplos

*O Minuano (sujeito) sopra (verbo) furioso (predicativo) no inverno gaúcho (adj. adverbial).

Viu? O Minuano não só sopra, mas também está furioso. O predicativo se encontra no lugarzinho dele. Mas, andante, pode mudar de lugar. Vem, vírgula:

Furioso, o Minuano sopra no inverno gaúcho.
O Minuano, furioso, sopra no inverno gaúcho.
*
*José subiu as escadas da casa feliz.
Feliz, José subiu as escadas da casa.
José, feliz, subiu as escadas da casa.
*
*O dia amanheceu ensolarado.
Ensolarado, o dia amanheceu.
O dia, ensolarado, amanheceu.

Leitor pergunta

Aprendi no ginásio que não se usa houveram. Só que amigos dizem que existem formas em que o trissílabo tem a vez. Procede?

Marcos Tavares, Brasília
Procede. Haver joga em dois times. Num é impessoal. Sem sujeito, na acepção de existir ou ocorrer, só se usa na 3ª pessoa do singular: Na sala houve três palestras. Houve distúrbios durante as manifestações.

Noutro, é pessoal. No sentido de obter, considerar, sentir, por exemplo, o verbo se conjuga em todos os tempos e modos: Eles houveram por bem aceitar o convite. Houveram que era conveniente chegar mais cedo. Houveram que era indelicadeza faltar ao evento.
***
Para mim ou para eu? Confundo sempre.
Paulo Cardoso, Brasília

Lembre-se, Paulo. Mim não faz nem acontece. Em bom português: só o eu pode ser sujeito da oração. Mim exerce outras funções. Nunca de sujeito: Eu fiz. Eu acontecei. Comprei um livro para eu ler. Comprou o livro para mim. Para mim, ler é fácil. 


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