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Etiqueta do Whats App

11/04/2017 13:37

Dad Squarisi

Nove em cada 10 brasileiros usam o Whats App. O aplicativo pra lá de acessível deixou o telefone pra trás. Antes, ligar pra alguém era tão natural quanto andar pra frente. Hoje o fazemos com cerimônia. Há quem peça autorização prévia. Quem diria!


A popularização do zap levou à perda de limites. A questão: sem regras ou freios, pode-se deitar e rolar no envio de mensagens, vídeos e fotos? A resposta é não. Nossa liberdade acaba no receptor. Muitos usam o Whats App para fins profissionais. Muitos participam de vários grupos. Muitos não têm tempo pra ler tudo. E daí? Deixe o bom senso falar. Siga quatro dicas.

Não abuse

Excessos são proibidos. Não entupa a memória do celular dos outros com mensagens, vídeos e fotos aos borbotões. Seja comedido

Selecione

Olho na oportunidade. Escolha. Não mande qualquer coisa, sem considerar o interesse dos receptores.

Seja breve

Vamos combinar? Você não lê textos enormes, que ocupam telas e telas do celular. Ninguém lê. Mensagens curtas e personalizadas são pra lá de bem-vindas.

Respeite o grupo

Correntes que prometem mundos e fundos dão canseira. Poupe o grupo. Se você conhece alguém interessado no assunto, mande-lhe um zap particular. Todos agradecem.

Siga as regras de ouro
Ao escrever, lembre-se: 24 horas é pouco pra quem tem o mundo na palma da mão e precisa dar conta da correria do dia a dia. Que tal dar-lhe a chance de ler o recado que você considera importante? Siga as duas regras de ouro. Uma: menor é melhor. A outra: menos é mais.

É isso.

Sentidos

Numa competição linguística em Lisboa, a pergunta final foi a seguinte:
– Como explicar a diferença entre completo e acabado?

Eis a resposta vencedora:
– Ao casar com a mulher certa, você está completo. Ao casar com a mulher errada, você está acabado. E, quando a mulher certa o apanha com a mulher errada, você está acabado. Por completo.

Baita diferença

Escrever é verbo transitivo direto. Escrevemos para alguém. Queremos que o leitor entenda nosso recado sem duplos sentidos. Primeiro passo: dizer com clareza o que precisa ser dito. Um dos cuidados é com o verbo declarativo. Ele tem tanta importância que, em caso de troca, pode mudar a informação. Compare:

Não mandei dinheiro pra Suíça, disse Cunha.

Não mandei dinheiro pra Suíça, insistiu Cunha

Não mandei dinheiro pra Suíça, alertou Cunha.

Não mandei dinheiro pra Suíça, ironizou Cunha.

Não mandei dinheiro pra Suíça, protestou Cunha.

Não mandei dinheiro pra Suíça, mentiu Cunha.


Gilete

Um dos homens que... vendeu? Venderam? Um dos que é expressão gilete. Corta dos dois lados. Mas o sentido muda. O singular é egoísta. Diz que a ação se refere a um só indivíduo. O plural, a todos:

Renan Calheiros é um dos senadores do PMDB que se opõe ao governo. (O PMDB tem vários senadores. Mas só Renan se opõe ao governo.)

Renan é um dos senadores do PMDB que se opõem ao governo. (O PMDB tem vários senadores que se opõem ao governo.)

Leitor pergunta

Em relação aos anos do século 20, é possível dizer algo como "na década de 80, surgiram muitas bandas de rock em Brasília". Podemos falar o mesmo para os anos do século 21 ou é algo que foi cunhado na língua para os anos daquele século?

Gerder Araújo, lugar incerto


No caso, Gerder, não se trata de correção. Gramaticalmente a frase merece nota mil. O xis da questão é a clareza. Não pode deixar dúvida o século a que o autor se refere. No seu exemplo, só pode ser o século 20 porque Brasília nasceu em 1960. Em textos em que a referência gera confusão, o jeito é recorrer a outros recursos. Um deles: nos anos 80 do século passado, nos anos 80 do século 16. Outro: nos anos 1980, 1880, 1720.

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