Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

publicidade

A sete chaves

18/04/2017 10:08

Dad Squarisi

O assunto mais comentado? É o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. A chapa Dilma-Temer está em xeque. Segundo os acusadores, a corrupção fez a festa na campanha eleitoral de 2014. Com isso, favoreceu a eleição de Dilma Rousseff.

Verdade? Os ministros decidirão. Daí a importância do voto do relator. Todos queriam que ele o antecipasse. Mas Sua Excelência manteve sigilo. "Tancou-o a sete chaves”, repetiam os frustrados repórteres.


Pintou então a dúvida. Como nasceu a expressão a sete chaves? A história vem de longe. Em Portugal, lá pelo século 13, não havia cofres. Dinheiro, documentos, joias, metais preciosos & cia. que exigia proteção se guardavam em arcas de madeira.

Elas tinham quatro fechaduras e, claro, quatro chaves. Cada uma ficava com um servidor pra lá de graduado e merecedor da total confiança do rei. Abrir o baú implicava cerimônia cuidadosa com a presença do quarteto.

Pergunta-se: o que “a quatro chaves” tem a ver com “a sete chaves”? Resposta: o mistério. O povo considerou o quatro sem graça. Preferiu o cabalístico sete para designar segredo bemmmmmmmmmmmmmm guardado. A expressão dava ideia da curiosidade que o conteúdo tão protegido despertava em homens, mulheres e crianças.

Sem segredo

O julgamento trouxe à tona palavras tão parecidas que causam confusão. Duas duplinhas sobressaem. Uma: mandado e mandato. A outra: caçar e cassar.

Mando x representação

Uma letra faz a diferença. E muita:

Mandado, com d, vem de mando. Quer dizer ordem. Daí mandado de segurança, mandado de prisão, mandado de busca e apreensão.

Mandato, com t, significa representação. Presidente, senador, deputado, governador têm mandato. O eleitor lhes dá poderes para falar e agir em seu nome. É como se lhe dissesse “você será eu”. Que responsabilidade!

Busca x privação

O caçador caça animais, a polícia caça ladrões, o estudante caça resposta para a questão. O Senado cassa o mandato de senador, a Câmara cassa o mandato do deputado. É isso. Caçar, com ç, significa buscar, perseguir. Cassar, com ss, quer dizer privar de poderes. Olho vivo! Trocar as bolas provoca baita confusão. É proibido.

Por falar em letra...

Quer ver um juiz raivoso? Chame-o de meretíssimo. A palavra lembra meretriz. Valha-nos, Deus! O vocábulo é meritíssimo, derivado de mérito.

Jeitinho de pedir

Pedir é um dos verbos mais conjugados no tribunal. Advogados pedem prazo, ministros pedem vistas, presidente pede calma. Usá-lo como manda a gramática pega bem como agradecer uma gentileza ou dar bom-dia ao entrar no elevador. Olho na preposição:

Pedir para age às escuras. Como quem não quer nada, esconde a palavra licença. Assim: O filho pediu ao pai (licença) para sair à noite. O aluno pedirá ao professor (licença) para entregar o trabalho com dois dias de atraso. Peçamos (licença) para sair.

Pedir que gosta de clareza. Ao usar a duplinha, a pessoa solicita (não pede licença): O diretor pediu que todos colaborassem. O presidente pede que os manifestantes se contenham. O sacerdote pedirá que os fiéis colaborem com a causa.

Leitor pergunta

Carrego comigo uma dúvida antiga. Quando usar de o, de ele?

Serena Campos, BH


Na língua como na vida, nem todos são iguais perante a lei. Há os mais iguais. É o caso do sujeito. Um dos caprichos dele: nunca vir antecedido de preposição. Por isso, não se pode combinar o artigo ou o pronome com a preposição que o acompanha. Daí por que escrevemos: Antes de o galo (sujeito) cantar, tu me negarás três vezes. Chegou a hora de ele (sujeito) agir. O templo foi construído antes de a quadra (sujeito) ficar pronta.

É isso. Sujeito e preposição são inimigos de infância. Com eles a alternativa é um lá, outro cá.

PESQUISA DE CONCURSOS