Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Quem é quem

10/06/2017 17:22

Dad Squarisi

O pronome mais requisitado nestes tempos bicudos? É ele mesmo — o quem. Quem é o delator da vez? Quem falou a verdade? Quem mentiu? Quem disse isso? Quem fez aquilo? A resposta é sempre alguém. A razão: o quem, pra lá de elitista, adora gente. E só gente. Sempre que aparece, não fala de coisas.


Simples, não? Mas o mundo é cheio de maldade. Ou de descuidados. Com frequência, as pessoas sem coração agridem o quem. Uma das violências contra o pequenino é empregá-lo em frases como estas: Foi o Ministério Público quem negociou a delação da JBS. É a UnB quem divulga o número de vagas do curso.

Primeiro tropeço

Observou o tropeço? Entidades não são pessoas. Por isso construções como essa pegam mal como arrotar à mesa ou dirigir sem cinto de segurança. Comprometem reputações e matam amores. A boa forma recorre ao pronome que: Foi o Ministério Público que negociou a delação da JBS. É a UnB que divulga o número de vagas do curso.

Segundo tropeço

Há outra violência muito comum contra o quem. Volta e meia ele aparece em textos acompanhado da preposição a. Disfarçado. Como quem não quer nada. Assim:

*O Senado Federal, a quem compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros.

Cruz credo! Benza-nos Deus! O Senado Federal não é pessoa. O quem fica longe dele. Xô! Dê a vez ao pronome qual:

*O Senado Federal, ao qual compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros.

Resumo da opereta

Guarde isto: o pronome quem só gosta de gente.

Como é mesmo?


Leitores de jornal amam notícias. Amam também a língua. Por isso, prestam atenção à narrativa e ao jeito de contá-la. É o caso de João Maria Basto. Ao ler o Correio de segunda-feira, ele bateu os olhos nesta frase: “Temer pleiteia que a gravação seja desconsiderada, alegando que a mesma foi obtida de forma ilícita”.

João pegou o celular e formulou esta pergunta à coluna: “Mesma no lugar do pronome pessoal? Pode?” Não. O pronome mesmo não substitui o pronome pessoal nem o substantivo. Melhor respeitar os papéis: Temer pleiteia que a gravação seja desconsiderada, alegando que (ela) foi obtida de forma ilícita. Vi o delator. Joesley (não: o mesmo) embarcou para Nova York.

Outro papel

Olho vivo! Quando reforça nome ou pronome, mesmo concorda com o termo a que se refere: Ele mesmo fez a gravação. Ela mesma fez a gravação. Eles mesmos fizeram a gravação. Elas mesmas fizeram a gravação.

Por falar em mesmo...

Aviso aparece na parede perto de elevadores de norte a sul do país. Trata-se de lei. Por isso é reproduzido tim-tim por tim-tim: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”. Valha-nos, Deus! É a receita do cruz-credo. O texto não se contenta em maltratar o pronome mesmo. Vai além. Ataca a estrutura da frase, a pontuação e a colocação do pronome átono. Melhor corrigir: Antes de entrar, verifique se o elevador se encontra neste andar. Antes de entrar, verifique se o elevador está neste andar.

Alerta de Paulo José Cunha

“Morro de medo do Mesmo. Tenho certeza de que Mesmo é uma dessas assombrações que aparecem nas estradas desertas, noite alta, Lua cheia. Ou então Mesmo é um desses monstros que fraquentam as páginas policiais, um serial killer, um Jack, o estripador (ou estuprador). Porque, vamos convir: para todo elevador ter um aviso para que a gente verifique se o mesmo está lá dentro, é porque o mesmo não é flor que se cheire.”

Leitor pergunta

Qual a regência do verbo faltar?
Leila Pupi, Recife

Faltar, Leila, é intransitivo. Não tem objeto direto nem indireto. Olho vivo com ele. O sujeito posposto ao verbo engana. Dá a impressão de ser objeto direto. Não é: Falta uma hora. Faltam três horas. Faltam 10 exercícios.

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