Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Dedo em riste

10/06/2017 17:38

Dad Squarisi

Cada dia com sua agonia. Surpresas pululam no Ministério Público, na Justiça, na polícia, no Congresso, nas ruas. Em meio ao turbilhão de delações, um denominador comum sobressai. É o dedo em riste. Acusa-se este. Denuncia-se aquele. Entram em cartaz, então, os pronomes demonstrativos. Este, esse ou aquele? Depende.


O trio dá nó em fumaça. Arisco, não se deixa captar com facilidade. Quando empregar um? Quando é a vez do outro? Por sorte, o papel deles é bem definido. Eles são parecidos, mas não iguais. Versáteis, têm três empregos.

Pessoas do discurso

Pra entender o primeiro emprego, lembre-se das pessoas do discurso. Discurso, aí, significa conversa. Quem toma parte de um bate-papo? Três seres. Alguns interessantes, outros nem tanto. Quem são eles? Uma fala (1ª pessoa), uma escuta (2ª pessoa) e o assunto, que é a pessoa de que se fala (3ª).

Imagine que Michel telefone para Rodrigo e lhe pergunte se viu o vandalismo na Esplanada. No caso, Michel fala. É a 1ª pessoa. Rodrigo escuta. É a 2ª. Do que eles falam? Do vandalismo na Esplanada. É a 3ª.

Situação no espaço

Os demonstrativos se prestam a papel pra lá de importante. Indicam se o ser está perto da 1ª, 2ª ou longe de ambas. Veja:

Este: diz que o objeto está perto da pessoa que fala (eu, nós): esta sala, este livro, este celular (a sala, o livro e o celular estão perto da pessoa que fala ou escreve).

*

Esse: informa que o objeto está perto da pessoa com quem se fala (você, tu): essa sala (a sala onde está a pessoa com quem falamos ou a quem escrevemos), esse livro (o livro está perto da 2ª pessoa), essa instituição (a instituição em que o leitor está).

*

Aquele: diz que o objeto está longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala: aquele quadro (o quadro está longe das duas pessoas), aquele cartaz, aquela torre.

Situação no tempo

Este: tempo presente: esta semana (a semana em curso), este mês (maio, mês em curso), este ano (2017, ano em curso)

*

Esse / aquele: tempo passado (esse: passado próximo; aquele: passado remoto): Estive em Nova York em 1992. Nesse (naquele) ano, conheci os museus da cidade.

Nó nos miolos

Como saber se o passado é próximo ou remoto? Depende de cada um. O tempo é psicológico. Uma hora com dor de dente é uma eternidade. Se for à noite, nem se fala. São duas eternidades.

Situação no texto

Eta emprego ardiloso! Pra desviar-se da cilada, lembre-se de pormenor pra lá de importante. Texto, no caso, significa mensagem escrita ou falada. A palavra ou frase foi referida? Então é a vez do esse. Será referida? O este pede passagem. Veja as manhas:

Este: exprime referência posterior (anuncia-se o fato que será referido depois): O ministro disse esta frase: “O vandalismo na Esplanada foi ato de insensatez”.

Reparou? A frase é anunciada: “disse esta frase”. Depois, expressa: “O vandalismo na Esplanada foi ato de insensatez”.

Outro exemplo: Mia Couto fez esta pergunta: "Qual a saudação mais demorada? (a pergunta é anunciada: “fez esta pergunta”, depois, formulada).

*

Esse: referência posterior (o fato é referido antes; depois, retomado): “Nada demora mais que as cortesias africanas. Saúdam-se os presentes, os idos, os chegados. Para que nunca haja ausentes”. Essa resposta foi dada pelo escritor moçambicano Mia Couto.

Superdica

Ao indicar situação no texto, siga este conselho. Na dúvida, use esse. Você tem 90% de chance de acertar.

Leitor pergunta

A manchete do Correio de quinta-feira foi “A vitória da insensatez”. Por que insensatez se escreve com z?

Cleide Jovenil, Brasília


As palavras têm pai e mãe. O substantivo derivado de adjetivo se grafa com a lanterninha do alfabeto: insensato (insensatez), macio (maciez), limpo (limpidez), mudo (mudez), surdo (surdez).

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