Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Jogo da sedução

13/06/2017 09:48

Dad Squarisi

 Os shoppings estão em festa. Os restaurantes sofisticam os cardápios. Elas e eles escolhem o figurino, contratam cabeleireiros, ensaiam gentilezas. Vale tudo no jogo da sedução. Amanhã é o Dia dos Namorados. Ganham destaque os verbos do vocabulário amoroso. Tratá-los com flores e perfumes alonga o caminho das duas pontas lembradas por Vinicius. “Que seja infinito enquanto dure”, disse o poetinha sobre o amor.


Trio amoroso

Amar, abraçar e beijar andam juntos. Até a língua conspira a favor da união. O trio é pele na pele. Transitivos diretos, os verbos dispensam a preposição: Paulo ama Maria, Maria ama Paulo. Paulo abraça Maria, Maria abraça Paulo. Paulo beija Maria, Maria beija Paulo.

O amor é cego, mas não surdo. Na substituição do nome pelo pronome, use o átono o ou a. É ele que exerce a função de objeto direto: Paulo ama Maria. (Paulo a ama.) Maria ama Paulo. (Maria o ama.) Paulo abraça Maria. (Paulo a abraça.) Maria abraça Paulo. (Maria o abraça.) Paulo beija Maria. (Paulo a beija.) Maria beija Paulo. (Maria o beija.)

Dizer lhe ama, lhe abraça, lhe beija? Nãooooooooooooooo! É tornar os verbos transitivos indiretos. Com eles, ergue-se barreira entre os pares. Resultado: um lá, outro cá.

Apaixone-se

O amor é generoso. A paixão, mais ainda. Por isso, lembre-se da regência de apaixonar. Quando a mesma criatura pratica e sofre a ação, o verbo se torna pronominal. Compare: Paulo apaixona Maria. (Paulo pratica a ação e Maria a sofre.) Paulo apaixona-se. (Paulo exerce as duas funções.) Assim também: Eu me apaixono, ele se apaixona, nós nos apaixonamos, eles se apaixonam. Eu me apaixonei por Paulo. Paulo se apaixonou por Maria. Nós nos apaixonamos pelos namorados. Eles se apaixonam por qualquer rabo de saia.

Sobre o amor

“Amor é um fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói, e não se sente; / É um contentamento descontente; /É dor que desatina sem doer.” (Luís Vaz de Camões)

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“Todos os grandes amantes sabem se expressar verbalmente, e a sedução verbal constitui o caminho mais certeiro à sedução de fato.” (Marya Mannes)

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“A magia da linguagem é o mais perigoso dos encantos.” (Edward G.Bulwer-Lytton)

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“Meu amor por você terminará no mesmo dia em que o amor de Deus por você tiver fim.” (Max Lucado)

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“Eu tenho saudade de quando inverno era frio, verão era calor e beijo na boca era namoro.” (Tati Bernardi)

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“O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça — que se chama paixão.” (Clarice Lispector)

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“Eterno no amor tem o mesmo sentido de permanente no cabelo.” (Millôr Fernandes)

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“Quando a mor nos visita, a amizade se despede.” (Marquês de Maricá)

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“Senhora, eu vos amo tanto / Que até por vosso marido/ Me dá um certo quebranto.” (Mário Quintana)

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“Mal se encontraram, logo se olharam; mal se olharam, logo se amaram; mal se amaram, logo suspiraram; / mal suspiraram, perguntaram a razão de o haverem feito; mal souberam a razão, logo procuraram o remédio (Shakespeare)

Leitor pergunta

O presidente media o debate? Medeia o debate?
Carlos Silva, Recife

Mediar, Carlos, é membro da gangue do MARIO. São cinco verbos cujas letras iniciais formam o nome do grupo: m (mediar), a (ansiar), r (remediar), i (incendiar), o (odiar). Eles têm um denominador comum. Conjugam-se como odiar: odeio (medeio, anseio, remedeio, incendeio), odeias (medeias, anseias, remedeias, incendeias), odeia (medeia, anseia, remedeia, incendeia), odiamos (mediamos, ansiamos, remediamos, incendiamos), odiais (mediais, ansiais, remediais, incendiais), odeiam (medeiam, anseiam, remedeiam, incendeiam).

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“Eu prefiro muito mais o anonimato”, disse o ministro Herman Benjamin, do TSE. Certo?
Clóvis Seene, Contagem

Não. É excesso. Preferir tem mania de grandeza. Superlativo, engloba o advérbio  mais gulosamente. Melhor dispensar o elemento que rouba a correção e a elegância da frase: Eu prefiro o anonimato.

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