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O tema é plural: a flexão de número que dá nó nos miolos de gregos, romanos e baianos

21/06/2017 13:54 | Atualização: 21/06/2017 14:08

Dad Squarisi

Caio Gomez/CB/D.A Press
Em tempos de delações e traições, a língua sobressai. Concordâncias, regências, colocações fazem a festa. Mas a grande vedete é o plural. Com s? Sem s? A flexão de número dá nó nos miolos de gregos, romanos e baianos. Para desatá-los, basta conhecer as manhas e artimanhas de criaturas exóticas. Vamos a elas?


Nomes próprios

Os irmãos goianos que compraram o Brasil com malas de dinheiro são os Batista ou os Batistas? A pergunta passa de boca em boca. Eis a resposta: substantivo próprio não goza de privilégios. Flexiona-se como os nomes comuns. Eça de Queirós deu o exemplo. Escreveu Os Maias. Nós vamos atrás: os Silvas, os Castros, os Câmaras, as Antônias. E, claro, os Batistas.

Há exceção? Há. Quando a flexão descaracteriza o nome, cessa tudo o que a musa antiga canta. É o caso de Queiroz. Queirozes? Nãooooooooooo! Singular e plural ficam iguais: os Queiroz.

Genéricos
Os políticos são o alvo da campanha? Ou são os alvos da campanha? Filmes nacionais tornaram-se o destaque do festival? Ou os destaques do festival? Atenção, muita atenção. Deixe no singular o substantivo abstrato que, depois do verbo de ligação (ser, estar, tornar-se, virar, constituir) caracterize genericamente o sujeito plural: Os políticos são o alvo da campanha. Filmes nacionais tornaram-se o destaque do festival. Os voluntários constituem exemplo de eficiência. Animais em extinção viraram objeto de desejo dos colecionadores. Substantivos e verbos são o essencial da oração.

Distributivo
As crianças coçaram os narizes? Nossos corações vibravam de felicidade? A universidade divulgou os nomes dos aprovados? O mestre de cerimônia agradeceu as presenças de todos? Nãooooooooooo! Olho vivo! No caso, o singular é distributivo. Vale pra todos. Ninguém tem mais de um nariz, mais de um coração, mais de um nome, mais de uma presença: As crianças coçaram o nariz. Nosso coração vibrava de alegria. A universidade divulgou o nome dos aprovados. O mestre de cerimônias agradeceu a presença de todos. A tragédia marcou a vida de várias gerações.  

Letras
Que turma, hein? As 26 letras do abecedário são pra lá de solidárias. Elas se combinam e formam nossas mensagens. Vale, pois, tratá-las com galhardia. O á é a primeirona. Escreve-se assim — com acento. O plural tem duas formas: ás e aa. As companheiras também usufruem da dose dupla: bês, bb; cê, cc; dês, dd; ês, ee; is, ii. E por aí vai.

Números
Em português, qualquer classe de palavra pode se bandear para o time dos substantivos. Basta antecedê-la de artigo, pronome ou numeral. Vestir serve de exemplo.  Assim, solto, o dissílabo é verbo (eu visto, ele veste, nós vestimos, eles vestem). Mas, nestas frases, ele entra na equipe dos nomes: O vestir da Maria é pra lá de charmoso. Esse vestir me agrada muito. A estilista apresentou sete vestires.

Os numerais não fogem à regra. Substantivados, entram na vala comum: Os uns que ele escreve se confundem com os setes. Os avanços dos sessentas deixaram marcas na cultura brasileira. Aqueles noves chamaram a atenção.

Olho vivo. Se o numeral terminar em s ou z, não se flexiona: os dois, os seis, os dez.

Leitor pergunta
A coluna passada disse que o plural de balãozinho é balõezinhos. Não entendi por quê. Pode explicar?
João Rafael, BH

Os diminutivos deixam a razão pra lá e falam de carinho, amor, ódio, ironia. Por isso têm manhas na flexão do plural. Pra chegar lá, temos de vencer três etapas. Uma: pôr o nome no plural. A outra: apagar o s. A última: acrescentar o sufixo –zinhos ou -zinhas. Assim:

botão — botõe(s) — botõezinhos

animal — animai(s) — animaizinhos

pão — pãe(s) — pãezinhos

professor — professore(s) — professorezinhos

papel — papéi(s) — papeizinhos

homem — homen(s) — homenzinhos

mulher — mulhere(s) — mulherezinhas

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