Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Sua Excelência o leitor

04/07/2017 11:35

Dad Squarisi

Quem manda na coluna? É o leitor. Ele ordena, o autor obedece. Mas, às vezes, falta espaço para as questões. Daí por que, volta e meia, todo ele se volta para as dúvidas levantadas por seguidores atentos e interessados em subir degraus na escada do conhecimento linguístico. É o caso de hoje. Com a palavra, Sua Excelência o patrão.


Em tempos de guerra, terrorismo e denúncias que põem por terra prédios e reputações, o verbo ruir sobressai. Como conjugá-lo? (Berta Campos, Recife)

Bummmmmmmmmmmmm! Casas caem. Igrejas despencam. Monumentos viram escombros. Reputações se tornam pó. Catástrofes trazem o verbo ruir às manchetes. Ele tem uma manha. Só se conjuga nas formas em que aparecem e e i depois do u: rui, ruímos, ruem, ruía, ruiu, ruirá, ruiria.

Olho vivo. A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo seria eu “ruo”. O u, no caso, é seguido de o. Xô! O presente do subjuntivo nasce dessa pessoa. Sem mãe, cadê possibilidade de vir ao mundo? Adeus!

Morei no Chile. Lá, terremotos são frequentes. Pode explicar a etimologia da palavra que rouba o sossego de adultos e crianças? (Pablo Munhoz, Porto Alegre)

Terremoto tem duas partes. Uma: terra. A outra: moto. As quatro letras querem dizer movimento. A palavra completa? Movimento da Terra. O vaivém tem uma razão: enormes placas rochosas se assentam sob a superfície do planeta. Mexem-se na busca de acomodação. Às vezes abusam. Japão, México, Chile, Equador, Rússia, China conhecem a tragédia. Valha-nos, Deus!

É vítima fatal pra lá, vítima fatal pra cá, vítima fatal pracolá. A televisão repete a duplinha sem cerimônia. Está certa? (Carlos Moura, Rio)

De tanto ouvir a tal “vítima fatal”, a gente se engana. Tem a impressão de a duplinha ser pra lá de correta. Olho na cilada. Fatal é o que mata. O acidente é fatal. Rouba a vida de pessoas. As criaturas que se vão são vítimas. Mas não fatais (porque não matam). Que tal dizer mortos? No acidente houve 10 mortos.

A coluna repete que hífen é castigo de Deus. E é mesmo. Neste instante, estou diante de um dilema. Devo escrever sub-existência ou subexistência? (Clara Lopes, Floripa)

Quando usar hífen com o sufixo sub? Valem duas observações. Uma: sub joga no time dos demais prefixos. Exige hífen quando seguido de h e de letra igual à que ele acaba. No caso, b (sub-história, sub-bloco). A outra: preocupado com a clareza, o sub evita encontro consonantal como o que aparece em abraço. O tracinho antes do r dá o recado. As duas letras devem ser pronunciadas separadamente (sub-região, sub-regra). No mais, é tudo colado: subtenente, subalterno, subsolo, subexigência.

Meu filho vai prestar serviço militar. Ele servirá o Exército ou no Exército? (Aline Sobral, Boa Vista)

No sentido de prestar serviço militar, Aline, o verbo é transitivo indireto. Exige a preposição em: Uns servem no Exército, outros na Aeronáutica. Há também os que servem na Marinha.

Não é de hoje que estudo o emprego do sinal da crase. Nem por isso as dúvidas me abandonam. Pra sanar algumas, faço uma pergunta às avessas. Quando é proibido o uso do acento grave? (Jane Clarice, BH)

Jane, eis quatro dicas. Não use o acentinho:

1. antes de nome masculino: Bebê a bordo. Saiu a todo vapor.

2. com palavras repetidas: cara a cara, uma a uma, gota a gota, face a face, semana a semana, frente a frente.

3. antes dos pronomes pessoal, indefinido e os demonstrativos esta, essa: Dirigiu-se a esta funcionária. Confessou a ela as trapaças que havia feito. Saiu a toda. É honesto a toda prova. Aplaudia o funcionário a cada etapa vencida. Assistiu a algumas cenas do filme.

4. com o a no singular seguido de nome plural: Assistiu a reuniões durante o dia. Falou a professoras presentes.

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