Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Velhas histórias, novas palavras

21/07/2017 19:20

Dad Squarisi

O que dá o tom aos tempos modernos? Muitas modas. Uma delas: a criação de eufemismos. Adocica-se o nome feio ou assustador. O recurso vem de longe. O povo recorre a ele desde sempre. Em vez de diabo, diz cão. Em lugar de morte, viagem, partida, ida pro outro mundo. Câncer? Valha-nos, Deus. Melhor c.a. Mentir? Nãoooooooooo! É omitir a verdade.


O recesso do Congresso traz velha história à tona. Tradicional senador estava no fim da vida. Ele tinha um grande amor. Apesar das câmeras indiscretas e de delações a torto e a direito, dele não abriu mão. Volta e meia encontrava a amada às escondidas num hotel de Brasília.

Línguas indiscretas contaram as aventuras à mulher do parlamentar. Ela duvidou. Mas ficou com a pulga atrás da orelha. Um dia, decidiu pôr tudo em pratos limpos. Informada do local e hora da nova fugidinha, mandou-se pra lá. Bateu à porta do quarto. Ele abriu. Ela, diante do quadro devasso, perguntou indignada:

— O que é isso?
— É azar, respondeu o homem do alto dos seus 80 anos.


Frente a frente

Marido e mulher ficaram frente a frente. A expressão pede crase? Não. Com palavras repetidas, o grampinho não tem vez. É o caso de cara a cara, face a face, gota a gota. Fácil, não? É que a crase não foi feita pra humilhar ninguém.

Filosofia mineira

Nestes tempos de CPIs, quebras de sigilo e indiscrições eletrônicas, a palavra cautela sobressai. Eis o conselho: “Não pense. Se pensar, não fale. Se pensar e falar, não escreva. Se pensar, falar e escrever, não assine. Se pensar, falar, escrever e assinar, que Deus o proteja”.

Coisas do Janot

O leitor José Ricardo é pra lá de atento. Ouve com cuidado declarações de autoridades. Mantém as antenas ligadas não só no conteúdo mas também na forma. Ele escreve: “Janot referiu-se, duas vezes, a altas autoridades da República como dignatários. Pisou a língua, não?” Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! O português geme até agora. Dignatário não existe. A forma é dignitário, com i. A ilustre senhora pertence à família de dignidade.

Tesourada

Dinheiro não nasce em árvore. Mas jorra de malas, recheia cuecas, pulula em meias e enche bolsos de corruptos. Os envolvidos com a dinheirama tocam o samba de uma nota só:

— São doações de campanha, doações de fiéis, doações de empresários generosos.

Viu? Os sortudos aprenderam a conjugar o verbo doar. Descobriram que o dissílabo se flexiona como os irmãozinhos dele. É o caso de voar, coroar, coar e perdoar. Terminados em -oar, eles sofreram tesourada da reforma ortográfica.

A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo exibia chapeuzinho, mas perdeu-o (eu doo, perdoo, voo, coroo, coo). Nas demais, nada mudou: ele doa, perdoa, voa, coroa, coa; nós doamos, perdoamos, coroamos, coamos, voamos; eles doam, perdoam, voam, coroam, coam.

Leitor pergunta

O superlativo está na moda. Tudo é grande. Desemprego bate recorde. Dinheiro não se carrega em carteira, mas em mala. Propina é de milhão pra cima. Tudo é mega. Por isso gostaria de aprender o emprego do dissílabo. Ele pede hífen?
Carlos Marcelo, Brasília

Guarde isto: os prefixos indicadores de tamanho sofrem de um mal comum. Mega-, mini-, micro, maxi- obedecem à regra dos prefixos. Só pedem hífen quando seguidos de h ou de letras iguais. No mais, é tudo coladinho como unha e carne: mega-história, mini-herói, nicro-higiene, macro-homenagem, mega-abertura, mini-império, micro-onda, macro-operação,megaoperação, megapropina, megaevento, megarregião, megassom; minioperação, minievento, minissaia, minirregião; microexposição, microssaia, maxioperação, maxievento, maxissaia, maxicasaco, maxirregião.

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