Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Senhores da guerra

%u201CO estilo pode ser muito claro e muito alto. Tão claro que o entendam os que não sabem e tão alto que tenham muito que entender os que sabem%u201D, Padre Antônio Vieira

13/09/2017 09:42

Dad Squarisi

Donald Trump nos Estados Unidos. Kim-Jong-on na Coreia do Norte. Com a dupla no poder, a paz estremeceu. Ambos, pra lá de temperamentais, são louquinhos por guerra. Não por acaso uma palavra entrou no noticiário com força total. É belicista. Nascido na Grécia, o vocábulo tem origem pra lá de guerreira. Vem de Belona, mulher de Marte. Ele era o deus da guerra. Ela foi atrás. Os dois iam juntos para o campo de batalha.


Ele se vestia de armadura e protegia a cabeça com capacete. Estava sempre armado. O escudo, a lança e a espada o acompanhavam pra todos os lados. Ela aprendeu com ele a se defender. Usava capacete na cabeça e mantinha a lança na mão. Os dois chegavam ao lugar da luta num carro puxado por quatro cavalos. Ele saltava rapidinho. Misturava-se aos guerreiros como qualquer mortal. Ela, antes, guardava os cavalos. Depois, partia para o embate. Era valente que só.

A língua portuguesa reconhece o valor da deusa guerreira. Criou várias palavras em homenagem a ela. Todas começam com bel, as primeiras letras de Belona. Todas, também, têm parentesco com a guerra. Beligerante é a pessoa que está em guerra ou faz guerra. Belicosa, a criatura louca por uma guerrinha. Bélico, o que se refere à guerra. Material bélico, por exemplo, é material de guerra. E belonave? É isso mesmo — navio de guerra.

Perigo à vista

O brinquedinho preferido do ditador norte-coreano? É míssil. Ele não se contenta com o singular. Apela para o plural — mísseis.

Nem solto nem preso

Com hífen? Sem hífen? Na formação de adjetivos pátrios, norte e sul pedem hífen sim, senhores. Assim: norte-coreano, sul-coreano, sul-americano, norte-americano, sul-mato-grossense.

Estados alérgicos

"Os versos secos e desesperançosos do poema descrevem o percurso do rio Capibaribe, no Pernambuco, e o gigantesco cenário de miséria que suas águas atravessam", escreveu a revista do jornal Valor Econômico. Referia-se ao novo espetáculo da coreógrafa Deborah Colker, inspirado no poema Cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto. O poema é nota 10. O espetáculo idem. O problema?

Vício que se alastra como fogo morro acima e água morro abaixo. Pernambuco, como Sergipe, São Paulo, Goiás, Mato-Grosso e Mato-Grosso-do Sul, sofrem de incurável alergia ao artigo. Não aceitam o pequenino nem a pedido dos orixás. Fale e escreva com boca cheia e cabeça erguida: Sou de Pernambuco. Moro em Pernambuco. Nasceu em Goiás. Chegou de Goiás. Sergipe fica no Nordeste. Você vem de Sergipe? Mato-Grosso e Mato-Grosso-do Sul formavam um só estado. Você é de Mato-Grosso ou de Mato-Grosso do Sul?

Sol e sombra

Brasília pede socorro. Não chove há mais de 100 dias. A umidade do ar desaba. Está abaixo de 10%. Muitos dizem que vivemos no deserto de Saara. Os técnicos discordam. Lá, 10% é festa. A umidade relativa do ar é 0%. A temperatura também faz a diferença. Lá, quando o solão diz adeus, a temperatura despenca. Chega a zero grau. É aí que mora o perigo. Não relacionado ao clima, mas à língua. O problema reside no Rio Grande do Sul. Os gaúchos, por alguma razão guardada a sete chaves, dizem "zero graus". Assim, no plural. Nada feito. O essezinho só tem vez a partir de dois: zero grau, um grau, um grau e meio, dois graus, oito graus e meio.

Leitor pergunta

Como esportista, assisto aos jogos de futebol pela tevê e ouço o narrador dizer: o time A, perdeu do time B. Acho estranho porque quem perde, perde para alguém. Estou certo?
Sebastião Machado Aragão, Brasília

Certíssimo. O time ganha de outro time e perde para outro time.

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