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Mais uma da Polícia Federal

"Um livro pode ser nosso sem nos pertencer. Só um livro lido nos pertence realmente", Eno Teodoro Wanke

18/09/2017 15:41 | Atualização: 18/09/2017 15:44

Dad Squarisi

Ações se sucedem na Polícia Federal. São tantas que até confundem o insensível computador. Muitas chamam a atenção pelo nome. É o caso da Operação Calcanhar de Aquiles. Deflagrada na quarta-feira, tinha um foco: o uso de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro. Tradução: os irmãos Batistas tiraram proveito da delação que fizeram. Compraram dólares porque sabiam que a moeda subiria graças à bomba que eles soltaram. Venderam ações da empresa porque sabiam que o valor delas despencaria. Ganharam R$ 100 milhões. Mas... a esperteza é proibida. Dá xilindró. E deu.


Calcanhar de aquiles

A operação trouxe à tona personagem da mitologia grega. É Aquiles. Conhece? Ele era filho da deusa Tétis. A mãe queria tornar o garoto imortal. Consultou o oráculo. A receita: mergulhar o menino nas águas do Estige — o rio do mundo subterrâneo, destino de todos os mortos. Para o bebê não se afogar, segurou-o pelo calcanhar. Ops! O calcanhar não se molhou. Virou o ponto fraco do gurizinho.

Com o banho, Aquiles ficou com o corpo fechado. Não sentia dor e nenhuma arma o atingia. Ele podia levar tiro, punhalada, pancada... não estava nem aí. Depois de anos, o rapaz foi convocado para a Guerra de Troia. Lutou bravamente. Virou herói. Mas, no meio de uma batalha, Páris atirou uma flecha nele. A flecha lhe atingiu o calcanhar. Ele morreu. Mas continua presente entre nós. É que todos têm seu calcanhar de aquiles.

Metamorfose

Aquiles é nome próprio. Escreve-se com a inicial maiúscula. Mas calcanhar de aquiles não tem nada a ver com gente. Trata-se de expressão que quer dizer ponto fraco. Grafa-se com letra pequenina.

A metamorfose não é exclusividade do herói dos gregos. A língua portuguesa tem outros exemplos pra dar, vender e emprestar. Quer ver? Pois não: xerox (ele é xerox do irmão), amélia (mulher submissa), pau-brasil, castanha-do-pará, castanha-do-brasil, joão-de-barro, malhação do judas, água-de-colônia, banho-maria, maria vai com as outras.

Eta hífen!

Por que castanha-do-pará se escreve com hífen e calcanhar de aquiles se grafa livre e solto? Discriminação? Talvez. A reforma ortográfica cassou o tracinho dos vocábulos compostos de três ou mais palavras ligados por conjunção, preposição, pronome. É o caso de pé de moleque, tomara que caia, dor de cotovelo, testa de ferro, mão de obra, mula sem cabeça.

Mas não generalizou. Deixou duas exceções. Uma: nomes ligados ao reino animal e ao reino vegetal mantiveram o elo: pimenta-do-reino, castanha-do-pará, copo-de-leite, ipê-do-cerrado, joão-de-barro, bicho-do-pé, bem-te-vi, bem-me-quer, porco-da-índia, canário-da-terra.

A outra: poucas palavras sem parentesco com bicho ou planta conservam o tracinho. São elas: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, pé-de-meia, mais-que-perfeito.

Leitor pergunta

Persiste a dúvida: "Vejo tesouros, no chão, aflorar" ou "aflorarem"? Ambas as formas estão corretas?
Alexandre Pinheiro Neto, BH

O lógico, Alexandre, seria o verbo concordar com o sujeito (tesouros). Mas, quando se trata de infinitivo, a razão nem sempre dita as regras. Com os verbos mandar, fazer, deixar, ver e ouvir, a flexão é facultativa: Vejo tesouros, no chão, aflorar (ou aflorarem). Vi os dois sair (ou saírem) da sala. Ouvi os cães latir (ou latirem). Deixai vir (ou virem) a mim as criancinhas. Fiz os alunos estudar (ou estudarem). Governo manda servidores devolver (ou devolverem) dinheiro.

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