Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Que tal mudar o enredo?

"Escrevo para não passar pela vida em brancas nuvens." João Ubaldo Ribeiro

10/10/2017 11:10

Dad Squarisi

O Enem vem aí. Com ele, a redação e a luta para alcançar nota 1000. Os recursos da língua, claro, pedem passagem. Entre eles, os parênteses, as grandes vítimas da escola. "Errou e não pode apagar?", perguntam os professores. "Ponha entre parênteses." Os pobres alunos aprendem a lição. E repetem-na ao longo da vida. Resultado: dão informações falsas e perdem pontos. Mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. Vale mudar o enredo. Ao usar os parênteses, você dá um recado: a palavra, expressão ou oração neles contida é secundária, acessória. Entrou ali de carona. Não faz falta.


Trata-se, em geral, de uma explicação, uma circunstância incidental, uma reflexão, um comentário ou uma observação. Veja: O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) defende a educação com qualidade. A maioria dos estudantes (quem diria!) sai da escola sem a habilidade de ler e escrever. Por causa da Ficha Limpa, as próximas eleições (2018) deixarão de fora nomes tradicionais da política. Recife (ou o Recife) é palco de um dos melhores carnavais do país.


Dentro ou fora?

O ponto vai fora quando a expressão encerrada nos parênteses for um pedaço da oração: Nomes tradicionais da política (Eduardo Suplicy e Pedro Simon) se despediram do Senado. Ameaça o abastecimento de água a morte criminosa de rios (muitos transformados em lixeiras).

O ponto vai dentro quando os parênteses englobam toda a oração: As jovens do século 21 perseguem os namorados até concretizar o romance. (Vão em cima com tudo sem se importar se eles querem ou não.) As pessoas obsessivas fazem qualquer coisa para obter o que desejam. (Elas não sabem perder.)

Lá no fim

Nobel, Mabel, papel e cruel se pronunciam do mesmo jeitinho. A sílaba tônica é a última. Na dúvida, pense um pouco. Se Nobel fosse paroxítona, pertenceria à gangue de móvel e automóvel. Teria acento. Como não tem, a conclusão é uma só. O nome do prêmio mais cobiçado do planeta é oxítono e não abre.


Olho na letra

Animais estão furiosos. Com razão. A moçada anda deformando o nome deles. Sem consideração, omite, troca ou acrescenta letras. Não caia na esparrela. Em vez de chipanzé, diga e escreva chimpanzé. Em lugar de carangueijo, caranguejo. Mande camondongo, pernelongo, largato e lagatixa pra bem longe da língua e dos textos. Fique com camundongo, pernilongo, lagarto, lagartixa.

Além do zoológico

O u e o l causam estragos. Em fim de sílaba, eles soam do mesmo jeitinho. Resultado: o troca-troca faz a festa. É o caso de cauda e calda. Olho vivo. O piano, o vestido, certos bichos têm cauda. Reparou? Todos têm um alongamento traseiro. Calda? Ah, é o sumo gostosinho fervido com açúcar e água. Quem resiste a uma calda de chocolate quentinha sobre o sorvete? Só louco. Ou quem acredita que o bom engorda, faz mal ou é pecado. Xô!

Gente do bem

Atenção, marinheiro de poucas viagens. Ele é bom caráter. E eles? São bons caracteres sim, senhores. A sílaba tônica é a penúltima — te.

Hora e vez

Medimos o comprimento da saia, do vestido, da calça. Prestamos atenção ao cumprimento de horários, de promessas e de ordens superiores. Educados, apresentamos cumprimentos aos aniversariantes do mês.


Leitor pergunta

Etc. tem ponto no final?
Glauco Batista, BH

Tem. Coincide com o ponto no fim da frase? Sem problema. Fique com um só: Comprei sapatos, bolsas, cintos, colares etc. (A vírgula antes do etc. é facultativa.)

Cinquenta ou cincoenta? Sempre duvido na hora de escrever. Pode me ajudar?
Célia Boaventura, Olinda

Sabia? Cinquenta, filhote do latim quinquaginta, não tem nenhum parentesco com cinco. Daí só ter a forma com q.

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