Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

De racismo a consumismo

%u201CTodos os gêneros são bons, afora o gênero tedioso.%u201D Voltaire

21/11/2017 13:55

Dad Squarisi

Novembro é azul. É, também, negro. No 11º mês do ano, comemora-se a consciência negra. O evento traz à tona palavra tão antiga quanto a arca de Noé. É o caso de racismo. Outras mais recentes como consumismo. Mofadas ou fresquinhas, elas têm um denominador comum. Trata-se do sufixo -ismo. As quatro letrinhas, que vêm do grego, são pra lá de férteis. Formam palavras a torto e a direito. Algumas nasceram na língua-mãe (batismo). Outras, nos idiomas que o adotaram. Inimigo do mesmismo, o quarteto muda o significado.


Às vezes, designa jeitos de pensar, proceder ou sentir. Racismo, consumismo, mineirismo entram nesse time. Outras, doutrinas ou sistemas artísticos (simbolismo, modernismo), filosóficos (marxismo, existencialismo), políticos (getulismo, lulismo), religiosos (budismo, catolicismo, umbandismo). Não faltam gozações. Ismo adora derivar vocábulos populares pra lá de irônicos ou pejorativos. Exemplos? Eis dois: pão-durismo e puxa-saquismo.

Livros e homens


“Tenho encontrado bastantes pessoas maçantes e vazias como livros ruins, e muitos livros tão vivos como pessoas cheias de flama ou sabedoria. Não gosto dos homens que falam como um livro, mas adoro os livros que falam como um homem.” (Claude Roy)

Jeitinho de dizer


Janta ou jantar? As duas palavras funcionam como substantivo. No caso, dão nome à comidinha servida à noite. Qual delas usar? Depende do gosto do freguês. Os gaúchos adoram janta. Cariocas, paulistas, mineiros e brasilienses, jantar.

Pra que plural?


“O Ministério Público pediu as prisões preventivas de políticos”, anunciou o telejornal. A frase arranhou os ouvidos? Com razão. O plural sobra: O Ministério Público pediu a prisão preventiva de políticos. O mestre de cerimônias anunciou a presença do presidente, do governador e do prefeito. A universidade divulgou o nome dos aprovados no vestibular.

Carícias e tapete vermelho


Saiu no jornal: “Mesmo com o aumento de 77%, trabalhadores asiáticos da indústria têxtil continuam sendo os operários mais mal pagos do planeta”. Leitores estranharam. Não seria pior pagos? Nãooooooooooooooooooo!

Antes de particípio, melhor e pior perdem a vez. Mais bem e mais mal abrem alas e circulam sobre tapete vermelho ao som de Mozart, Bethoven e Vivaldi: texto mais bem escrito, trabalho mais bem pago, mulheres mais bem vestidas, inglês mais mal falado.

Armadilha


Olho vivo! Não bobeie em estrutura pra lá de ardilosa. Mais introduz comparações nota 10. Veja: Ele come mais bem do que mal. Carlos trabalha mais mal do que bem. Políticos falam mais bem do que mal.

Melhor e pior


Não é comparação nem antecede particípio? Respire fundo, relaxe e dê passagem a Suas Excelências melhor e pior: Saiu-se melhor do que imaginava. Fala melhor do que escreve. Veste-se pior que os colegas de trabalho.

Leitor pergunta

Estava revisando o manual de um software quando me deparei com a seguinte frase: Na aba Banco de Dados, estará as informações definidas anteriormente. Uiiiiiiiii! Corrigi para: Na aba Banco de Dados, estarão as informações definidas anteriormente. Estou certa? Sei que posso mudar as palavras de lugar para evitar a confusão, mas gostaria de saber o que está realmente certo.
Sandra Silva, Recife

Oba! Você escapou de armadilha pra lá de comum que responde por boa parte dos erros de concordância. Trata-se da posição do sujeito. Se o danadinho vem depois do verbo, engana o bobo na casca do ovo. O falante se confunde e cai direitinho.

A saída? Apelar para o tira-dúvida — pôr o sujeito no lugarzinho dele (antes do verbo). Com o truque, a máscara cai. E a concordância aparece de cara lavada: As informações definidas anteriormente estarão na aba Banco de Dados. Logo: Na aba Banco de Dados, estarão as informações definidas anteriormente.

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