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De domingo a segunda

"Contar histórias eficazes não é fácil." Yuval Noah Harari

24/11/2017 17:48

Dad Squarisi

Hoje é domingo. Amanhã, segunda. Monday em inglês. Montag em alemão. Manadagr em escandinavo. Lunedi em italiano. Lunes em espanhol. Lundi em francês. Todos têm um significado: dia da Lua. O português fugiu à regra. O dia da Lua, aqui, se chama segunda-feira. Por quê?


A história vem de longe. Lá dos sumérios e babilônicos. Ambos habitaram a Mesopotâmia (hoje Iraque) há cerca de 5 mil anos. Sabidos, eles inventaram a divisão do tempo. Com eles nasceu a noção de dia, semana, mês e ano.

“Os astros são divinos”, pensavam eles. Por isso lhes consagraram os dias da semana. O Sol levou o domingo. A Lua, a segunda. Marte, a terça. Mercúrio, a quarta. Júpiter, a quinta. Vênus, a sexta. Saturno, o sábado.

Com o cristianismo, as coisas mudaram. Lá pelo século 5o, a Igreja decidiu: “Vamos depurar o latim. Xô, expressões do mundo pagão!” Pronto. Nasceu o latim eclesiástico. A semana  foi purificada. Os dias ganharam nomes referentes ao mundo cristão ou nomes neutros. Nada de paganismo. (Algumas línguas desconheceram a mudança. Outras adotaram o sábado e o domingo. O português, que nasceu no século 13, aceitou-a integralmente.)  

O sábado veio do hebraico Shabbat, dia de descanso. (“Deus descansou no sétimo dia”, diz a Bíblia.) Dia do Sol virou domingo, de dominica, dia do Senhor (Cristo ressuscitou no domingo). Os outros dias são dedicados ao trabalho. Feira, em latim, significa mercado. Segunda-feira é o segundo dia da semana. O primeiro, domingo.


Inimigos

À época da criação do mundo, a semana inglesa não existia. Os súditos da rainha a inventaram tempos depois.  

O haver odeia o atrás. Não os use na mesma frase. Dá briga. Há seis anos atrás? Nem pensar. É pleonasmo. Escolha um ou outro: Acabei o curso há seis anos. Seis anos atrás acabei o curso.  

E o tempo futuro? Esse é mais antigo que o rascunho da Bíblia. Só a preposição a tem vez: Daqui a dois anos acabo o curso. O avião chega daqui a pouco. A menos de um ano da eleição de outubro, o eleitor espera a definição de candidaturas.

Por falar em pleonasmo...

As histórias variam. Mas a expressão é uma só. Nos currículos, “experiência anterior” está sempre presente. Experiência é prática de vida. Só pode ser anterior. O adjetivo sobra.


O corpo é teu

A polícia bota o suspeito no xilindró. Vem uma ordem judicial. Manda soltá-lo. É que o sabido entrou com pedido de habeas corpus. A expressão jurídica é antiga como andar pra frente. Quer dizer “que tenhas o corpo para apresentá-lo ao tribunal”. Na prática, tem duas funções. Uma: pôr em liberdade quem estiver ilegalmente preso. A outra: garantir a liberdade de quem estiver ameaçado de perdê-la.

Leitor pergunta

“Acho mutatis mutandis pra lá de chique. Sic também. Mas não sei com clareza o que significam. Pode me ajudar?”
Clara Helena, Porto Alegre

A expressão mutatis mudandis é latina. Quer dizer mudando o que deve ser mudado. Usa-se quando se adapta uma citação ao contexto ou às circunstâncias. Em outras palavras: com a devida alteração de pormenores.

*

Sic é advérbio. Significa assim, desse jeitinho. Nós o usamos ainda hoje. Vem, entre parênteses, depois de uma palavra com grafia incorreta, desatualizada ou com sentido inadequado ao contexto. Com ele, damos este recado ao leitor: o texto original é bem assim, por errado ou estranho que pareça. Não tenho nada com isso.

Percebeu? O sic deixa a gente dar uma de Pilatos – lavar as mãos. 

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