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%u201CNão aconselho ninguém a colocar mantras em e-mails.%u201D Gilson Chaveid Oen

01/12/2017 17:33

Dad Squarisi

É dezembro. O corre-corre do fim do ano chega ao fim. Adeus, provas. Adeus, Enem. Adeus, recuperações. O estresse mudou de objeto. É hora de festas, chegadas e partidas. Natal e ano-novo primeiro, depois férias e viagens — com elas, duas dicas pra lá de bem-vindas. Uma trata de número. A outra, de grafia.


Uma

Férias joga no time de óculos. A dupla só existe no plural – meus óculos, os óculos, óculos escuros, óculos coloridos, as férias, férias natalinas, minhas férias, felizes férias. Nas férias, perdi meus óculos. Alguém os achou? Não? Então preciso de óculos novos. Mas os óculos não vão estragar as tão sonhadas férias. Vou comprar uns de R$ 1,99. Eles quebrarão o galho até a volta.

A outra

Viagem e viajar soam como música. Substantivo e verbo convidam para o novo. É fazer a mala e cair no mundo. Mas um cuidado se impõe. O infinitivo do verbo se grafa com j (viajar). Todas as pessoas, tempos e modos respeitam o paizão. Escrevem-se com j: viajo, viajas, viajei, viajarei, que eu viaje, nós viajemos, eles viajem.


Ser sedutor é...

Surpreender o outro. O presidente de um banco comunicou ao colega que mudara a sede da agência do centro de São Paulo para Paraty. A resposta: “Que inveja! Quem me dera estar em seu lugar!”  

Como é?

Por que se diz “madre superiora”, mas “escola superior”? Madre e escola são nomes femininos. Mas o segundo adjetivo é masculino. Faça a sua aposta.

O superiora joga claro. Refere-se a madre. O superior brinca de esconde-esconde. Oculta entre o nome e o adjetivo, está a locução “de nível”: escola (de nível) superior, instituição (de nível) superior, mercadoria (de nível) superior.

Marinheiro de poucas viagens, olho vivíssimo. Não confunda “que eles viajem” com “a viagem”. Viajem é forma do verbo viajar. Daí a obrigatoriedade do j. Viagem é nome. Tem plural. O substantivo aparece em agência de viagens, viagem de férias, viagem de trabalho. Entendeu? Que todos viajem e façam ótima viagem.

Que tal?

As aparências enganam. E como! Vale o exemplo de tal. As três letrinhas parecem inofensivas. Mas não são. Roubam pontos em concursos, adiam promoções, destroem amores. A razão: muitos ignoram que as danadinhas se flexionam. Concordam em número com o substantivo a que se referem: Que tal o filme? Que tais os filmes? Que tais as férias? Foi difícil escolher os novos óculos tais as ofertas de modelos e preços. Não vemos as coisas tais como as vimos da primeira vez.

Bem-vindo

Os árabes, notáveis pela hospitalidade, ensinam este provérbio aos filhos: “Se você tem um pão, coma a metade. Guarde a outra metade na geladeira para dá-la a quem bater à sua porta”.


Onomatopeia

Au-au. É o cão que late. Miau-miau. É o gato que mia. Glu-glu. É o peru que gluglujeia. Có-có. É a galinha que cacareja. Chuá-chuá. É a água que cai. Tique-taque. É o relógio que marca as horas.

As palavras que reproduzem o som de vozes ou ruídos recebem nome pra lá de pomposo. É onomatopeia. O adjetivo dela derivado tem duas formas – onomatopeico, onomatopaico. Ambas têm o mesmo significado. Escolha a que lhe soar melhor.

Antes da reforma ortográfica, as onomatopeias eram cheias de caprichos. Ora se grafavam com hífen, ora sem. Agora todas pedem o tracinho: bangue-bangue, blá-blá-blá, có-có, pisca-pisca, tique-taque, toque-toque, glu-glu, quem-quem, tim-tim.

Atenção: os derivados dispensam o hífen: gluglujear, cocorocó.


Leitor pergunta

Secretário-geral ou geral secretário? Ora vejo escrito de um jeito, ora de outro. Pra que lado vou?
Marcelo César, Brasília

Geral pede o tracinho: secretário-geral, diretor-geral, coordenador-geral, orientador-geral, procurador-geral.

Ops! Não bobeie. Se o cargo tiver certidão de nascimento escrito sem hífen, permanece sem tracinho. Como no jogo do bicho, vale o que está escrito.

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