Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Mistérios do samba

"Paz, carnaval, futebol não matam, não engordam e não fazem mal." Ivete Sangalo

08/03/2018 08:04 | Atualização: 09/03/2018 19:22

Dad Squarisi

É carnaval. Abram alas, que o samba quer passar. E passa. Na alegre Pindorama, começou com Donga. Pelo telefone abriu o caminho. Cartola, Pixinguinha, Monsueto de Menezes, Noel Rosa, Clementina de Jesus seguiram-no.

Hoje existe uma certeza: ‘‘Quem não gosta de samba / Bom sujeito não é / É ruim da cabeça / Ou doente do pé’’. E uma dúvida. Onde a palavra nasceu? Há uma unanimidade. A dissílaba veio da África. E um talvez. Provavelmente do quimbundo, língua da família do banto, falada em Angola.


Sem monotonia

Há o samba da gema e variações pra dar e vender. Samba-canção, samba-choro, samba-enredo, samba-exaltação, samba-lenço, samba-roda são algumas. Todas têm um denominador comum. Aceitam dois plurais. Um: flexionam-se os dois termos (sambas-canções, sambas-choros, sambas-enredos, sambas-exaltações, sambas-lenços, sambas-rodas). O outro: só o primeiro ganha s. Aí, subentende-se a expressão ‘que servem de’: sambas-(que servem de) canção, sambas-(que servem de) choro, sambas-(que servem de) enredo, sambas-(que servem de) exaltação), sambas- (que servem de) roda.

Primeirão

No começo não havia samba-enredo. Valia o samba mais cantado nos ensaios de quadra. Em 1932, o jornal Mundo Esportivo, dirigido por Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, organizou o primeiro torneio de escolas de samba. A Mangueira venceu. No ano seguinte, O Globo assumiu a festa, e a Mangueira levantou o bicampeonato. Mas o destaque foi o samba da Unidos da Tijuca, coerente com o enredo, por isso mesmo apontado como o primeiro samba-enredo da história. Só 16 anos depois, foi gravado o primeiro samba-enredo: “Exaltação a Tiradentes”, de Mano Décio da Viola, Fernando Barbosa Júnior, Estanislau Silva e Penteado.  

Deu frutos

No Rio, era o maior rolo. Ninguém sabia onde as escolas iriam desfilar. Todos os anos a novela se repetia. Em 1994, o governador do estado tomou uma decisão. Chamou Oscar Niemeyer: ‘‘Vamos construir um local definitivo para as escolas se apresentarem’’. Dito e feito. Aí, pintou o problema. Que nome dar à novidade? Pensa daqui, palpita dali, Darcy Ribeiro pôs um ponto final no quebra-cabeça. Seria sambódromo.

Brincalhão, o professor buscou no grego o elemento -dromos. Significa corrida ou lugar de corrida. Daí hipódromo (local para corridas de cavalos). Por analogia, sambódromo seria o local para desfile do samba. Ele criou moda. Veio o fumódromo. Antes de morrer, pediu que a Universidade de Brasília criasse o beijódromo.

Manda quem pode

Nos dias de folia, o cetro e a coroa mudam de mãos. O gordo e alegre Rei Momo comanda os festejos carnavalescos. Como rei, tem majestade. E faz uma exigência. Majestade e todos os filhotes dela derivados escrevem-se com j. É o caso de majestoso e majestático. Acredite: manda quem pode. Obedece quem tem juízo.

De Dantes e Quixotes

De carnaval, nasce carnavalesco. De gigante, gigantesco. De Dante, dantesco. De Quixote, quixotesco. Reparou? O sufixo -esco forma adjetivos de substantivos. E dá um recado. Quer dizer semelhança, referência. Carnavalesco refere-se a carnaval. Quixotesco assemelha-se a D. Quixote, o cavaleiro da triste figura. Dantesco, a Dante. E por aí vai.


Outra cara

Às vezes, o -esco muda de aparência. Vira -isco. Mas mantém o significado. É o caso de mourisco, referente ou semelhante a mouro.


Leitor pergunta

Por que Sapucaí tem acento?
Vilma Lacerda, BH

Porque o i é pra lá de exibido. Sem o agudinho, ele viraria ditongo. É o caso de sai, recai, sobressai. Para quebrar o ditongo, a língua faz três exigências. Uma: o i tem de ser antecedido de vogal. Dois: tem de formar sílaba sozinho ou com s. Três: não pode ser seguido de nh: A-ca-ra-í, ca-í, sa-í, a-ça-í, sa-í-da, e-go-ís-ta. Mas ra-i-nha, cam-pa-i-nha, ba-i-nha.

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