Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Olha meus 58

%u201CO ato central da minha vida foi a existência das palavras e a possibilidade de tecê-las em poesia.%u201D Jorge Luis Borges

23/04/2018 14:29

Dad Squarisi

Brasília completou 58 anos. Bandas de música e tapetes vermelhos não faltaram. Abusos tampouco. No calor dos festejos, lá estava: “A capital comemora o aniversário de 48 anos”. Valha-nos, Deus! Xô, redundância! Aniversário contém a palavra ano. Significa dia em que se somam 12 meses que se deu certo acontecimento. Aniversário dispensa ano. Ano dispensa aniversário. Em bom português: Brasília comemorou 58 anos. Brasília comemorou o 58º aniversário.


Por falar em aniversário...

Você é apressado? Então é do time dos que comemoram o “aniversário” de um mês do namoro, do casamento, do nascimento do filho. Manda convites. Promove festa. Apaga velinha. Abra o olho. Nesse ritmo, o calendário vencerá você. Tudo envelhecerá rapidinho, rapidinho. Para que a carroça não vá na frente dos bois, bata palmas para o 1º mês disto ou daquilo. Aniversário? Tenha paciência. Espere 12 meses.

Livre e solto

Olho vivo, moçada. Escrever os numerais ordinais por extenso provoca uma senhora tentação. A vontade de pôr o hífen é quase irresistível. Seja forte. Resista. A indicação de ordem é livre e solta — sem o tracinho: quinquagésimo oitavo, décimo primeiro, vigésimo quarto, centésimo sexagésimo quinto.

Ser sedutor é...

Surpreender o outro. O presidente de um banco comunicou ao colega que mudara a sede da agência do centro de São Paulo para Paraty. A resposta: “Que inveja! Quem me dera estar em seu lugar!”  

É amanhã

Que medão! A gripe veio furiosa. Está levando adultos e crianças para o outro mundo. O que fazer? Melhor prevenir que remediar. Ou morrer. Amanhã começa a vacinação contra a gripe. Vamos lá?

Por falar em gripe...

O nome da doença que dá moleza, dor no corpo, febre e rouba o apetite vem do francês. Gripper, na língua de Cervantes, quer dizer agarrar. O verbo sugere o jeito de o vírus agir nas pessoas acometidas pela enfermidade infecciosa.

Humor à solta

Dois baianos se encontram. Um estava fora do estado. Ao voltar, perguntou pro amigo:

— Como está a gripe na Bahia?
— Empatada: H1N1.


De costas

Não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. Depois de 60 anos, Cuba terá um presidente cujo sobrenome não é Castro. O fato, claro, mereceu espaço em jornais, rádios, tevês e internet. Com pequenas variações, a manchete se referia à família que dominou a ilha por tantas décadas. Alguns escreveram “os Castro”. Outros, “os Castros”. E daí? Nota 10 para quem apostou no plural. Eça de Queiroz ensinou a lição. Escreveu Os Maias.

É eleição, gente

Em época de campanha eleitoral, pesquisas fazem a festa. Volta e meia, leem-se as expressões “grande maioria” e “pequena maioria”. Os jornalistas usam e abusam da duplinha. Estão certos? Sim. Maioria é metade mais um. Às vezes, a diferença é bemmmmmmmm maior. Trata-se de grande maioria. Quer um exemplo? Paulo e Pedro disputavam 100 votos. Paulo obteve 51. Ganhou por pequena maioria. Se tivesse conseguido 98, ops! Teria obtido quase a unanimidade. É grande maioria. Ou não?

Leitor pergunta

Sou curioso. Leio muito, converso muito, questiono muito. Outro dia, uma dúvida me assaltou. Por que se diz madre superiora, mas escola superior? Madre e escola são nomes femininos. Mas o segundo adjetivo é masculino.
Leonel Cabral, Boa vista

Vamos combinar? O superiora joga claro. Refere-se a madre. O superior brinca de esconde-esconde. Entre o nome e o adjetivo, está a locução “de nível”: escola (de nível) superior, instituição (de nível) superior, mercadoria (de nível) superior.

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