Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Copa e férias

"Não aconselho ninguém a colocar mantras em e-mails." Gilson Chaveid Oen

27/06/2018 19:04 | Atualização: 28/06/2018 15:01

Dad Squarisi

Ufa! A Copa corre solta. Hoje o Brasil joga contra os gigantes sérvios. Dedos cruzados e pensamento positivo fazem a diferença. Mas a vida continua, o calendário voa. A meninada termina as provas. Prepara as malas para chegadas e partidas. Férias e viagem pedem banda de música e tapete vermelho. Com elas, duas dicas pra lá de bem-vindas. Uma trata de número. A outra, de grafia.


Time plural

Férias joga no time de óculos. A dupla só existe no plural – meus óculos, os óculos, óculos escuros, óculos coloridos, as férias, férias natalinas, minhas férias, felizes férias. Nas férias, perdi meus óculos. Alguém os achou? Não? Então preciso de óculos novos. Mas os óculos não vão estragar as tão sonhadas férias. Vou comprar uns de R$ 1,99. Eles quebrarão o galho até a volta.

Duas grafias

Viagem e viajar soam como música. Substantivo e verbo convidam para o novo. É fazer a mala e cair no mundo. Mas um cuidado se impõe. O infinitivo do verbo se grafa com j. Todas as pessoas, tempos e modos respeitarão o paizão. Escrevem-se com j: viajo, viajas, viajei, viajarei, que eu viaje, nós viajemos, eles viajem.

Marinheiro de poucas viagens, olho vivíssimo. Não confunda “que eles viajem” com “a viagem”. O viajem é forma do verbo viajar. Daí a obrigatoriedade do j. Viagem é nome. Tem plural. O substantivo aparece em agência de viagens, viagem de férias, viagem de trabalho. Entendeu? Que todos viajem e façam ótima viagem.

Mata-mata

Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Que medão. Na Copa, chegou a fase do mata-mata. Quem perde faz as malas e volta pra casa. Valha-nos, Deus! Que a seleção verde-amarela ultrapasse os obstáculos e traga o caneco. Enquanto a bola rola, vale a questão: qual o plural da duplinha mortal? Ela é formada por palavras repetidas. Só o último se flexiona: os mata-matas, os quero-queros, os quebra-quebras.

Que tal?

As aparências enganam. E como! Vale o exemplo de tal. As três letrinhas parecem inofensivas. Mas não são. Roubam pontos em concursos, adiam promoções, destroem amores. A razão: muitos ignoram que as danadinhas se flexionam. Concordam em número com o substantivo a que se referem: Que tal o filme? Que tais os filmes? Que tais as férias? Foi difícil escolher os novos óculos tais as ofertas de modelos e preços. Não vemos as coisas tais como as vimos da primeira vez.

Estados Unidos

O vice-presidente dos Estados Unidos fez as malas e veio dar uma voltinha neste país tropical. Pintou, então, uma questão. Em frases em que a potência do norte figura como sujeito, o verbo vai para o singular ou plural? Os Estados Unidos perseguem os imigrantes? Persegue os imigrantes?

Nomes próprios no plural constituem verdadeira armadilha. Acompanhados de artigo, concordam com o artigo. Sem o pequenino, ficam no singular: Os Estados Unidos perseguem os imigrantes. O Palmeiras vencerá o campeonato? Minas Gerais fica na Região Sudeste.

Leitor pergunta

Como escrever as palavras que reproduzem som de vozes ou ruídos? Com hífen? Sem hífen?
Sandra Mendes, Boa Vista

Au-au. É o cão que late. Miau-miau. É o gato que mia. Glu-glu. É o peru que gluglujeia. Có-có. É a galinha que cacareja. Chuá-chuá. É a água que cai. Tique-taque. É o relógio que marca as horas.

As palavras que reproduzem o som de vozes ou ruídos recebem nome pra lá de pomposo. É onomatopeia. O adjetivo dela derivado tem duas formas – onomatopeico, onomatopaico. Ambas têm o mesmo significado. Escolha a que lhe soar melhor.

Antes da reforma ortográfica, as onomatopeias eram cheias de caprichos. Ora se grafavam com hífen, ora sem. Agora todas pedem o tracinho: bangue-bangue, blá-blá-blá, có-có, pisca-pisca, tique-taque, toque-toque, glu-glu, quem-quem, tim-tim.

Atenção: os derivados dispensam o hífen: gluglujear, cocorocó.

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