Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

A sorte fez a diferença

"Dois bons oradores não valem um bom ouvinte." Provérbio chinês

23/07/2018 12:56 | Atualização: 23/07/2018 13:27

Dad Squarisi

Domingo foi um dia de festa. Era a final da Copa do Mundo. Dois timaços em campo prometiam belo espetáculo. De um lado, a França. De outro, a Croácia. A qualidade e a garra das equipes deixaram claro que ganharia quem tivesse a mãozinha da Fortuna.

Por quê? Porque ela é a dona do destino. Todos morrem de medo da deusa. Com razão. Ela é dona da sorte e do azar. Caprichosa, não tem lógica na distribuição dos bens e dos males. Faz o que lhe vem à cabeça. Sem pensar.


Às vezes, ela olha para uma pessoa. Acha-a simpática. Cobre-a de êxitos — a eleita passa no concurso, arranja o parceiro certo, ganha saúde de ferro, faz as viagens dos sonhos. Enfim, é afortunada.

Outras vezes, a ilustre senhora acorda de mau humor. Ao sair de casa, encontra um adulto ou uma criança. Não importa. Faz tudo dar errado na vida da criatura. A coitada fica sem dinheiro, a tevê pifa, o namorado se vai, Papai Noel se esquece do presente. É pessoa desafortunada.

Por ser a dona da sorte e do azar, Fortuna tem vários nomes. Alguns a chamam de destino. Outros de fado. Muitos falam em ventura ou desventura. Seja com que nome for, uma coisa é certa. Fortuna não olha o que faz. É cega. No domingo, fez a escolha. A França ganhou um gol contra e um pênalti.  

Alto lá

A presidente do Supremo Tribunal Federal acabou com a festa dos planos de saúde. Suspendeu os aumentos bem acima da inflação propostos por eles. O usuário seria garfado com 40% ao fazer qualquer procedimento. A novidade recebeu o nome de coparticipação.

Ao escrever a palavra, pintou a dúvida. Com hífen? Sem hífen? A resposta é fácil como andar pra frente. O prefixo co- nunca aceita hífen. Com ele, é tudo colado. Quando seguido de r ou s, dobra as consoantes para manter a pronúncia do vocábulo: coautor, cooperação, coerdeiro, comorador, coinquilino, coprodução, corréu, correpresentante, cossecante. E, claro, coparticipação.

Perigo à vista

Sai dia, entra dia, a história se repete. Desvendam-se esquemas montados para assaltar os cofres públicos. Eles têm um denominador comum — os intermediários. Podem ser doleiros, empresas, escritórios de advocacia. Todos conjugam o verbo intermediar. Ele, como os profissionais da corrupção, é cheio de manhas. Uma delas: a conjugação.

Intermediar pertence à gangue do MARIO. O nome da perigosa organização se formou com a letra inicial dos membros que a compõem: mediar, ansiar, remediar, intermediar e odiar. Todos obedecem ao chefe. Odiar manda. Os outros vão atrás.

Conjugam-se do mesmo jeitinho: odeio (medeio, anseio, remedeio, intermedeio), odeia (medeia, anseia, remedeia, intermedeia), odiamos (mediamos, ansiamos, remediamos, intermediamos), odeiam (medeiam, anseiam, remedeiam, intermedeiam). E por aí vai.

Leitor pergunta

Qual a diferença entre costa e costas?
Selma Gomes, Porto Alegre

Costa é litoral (costa brasileira, costa africana). Costas, parte posterior do corpo: dor nas costas.
 

***

Qual a diferença entre em vez de e ao invés de? Sei que não são sinônimos. Mas tenho dificuldade de lidar com eles. Pode ajudar?
Paulo Roberto, BH

Preste atenção aos significados, Paulo:

Ao invés de = ao contrário de: Morreu ao invés de viver. Comeu ao invés de jejuar. Ao invés de pobre, era rica. Ao invés de rir, chorou. Dormiu ao invés de ficar acordado.

Em vez de = em lugar de: Escreveu em vez de ler. Foi ao teatro em vez de ir ao cinema. Em vez de Portugal, visitou a Espanha. Comprou carne em vez de peixe.

Superdica: deixe ao invés de pra lá. Em vez de vale por dois: Morreu em vez de viver. Dormiu em vez de ficar acordado.

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