Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Voto, o objeto de desejo

"A aventura vale a pena por si só." Amelia Earhart

05/09/2018 19:38 | Atualização: 05/09/2018 19:41

Dad Squarisi

Foi dada a partida. A propaganda eleitoral ganha as ruas, ocupa palanques e invade a internet. Logo, logo terá espaço generoso no rádio e na televisão. Candidatos se apresentam embalados para presente. Têm um único objetivo. Eleger-se. Pra chegar lá, precisam conquistar o eleitor e, com ele, o voto.


O objeto de desejo tão cobiçado tem duas acepções e duas origens. A primeira veio do latim votum. Quer dizer promessa, desejo. O padre faz voto de castidade. Os noivos, voto de amor eterno. Os padrinhos, voto de batismo. Os amigos, votos de feliz Natal.

A segunda tem sentido político. Nasceu do inglês vote. Significa sufrágio, votação. É a maneira de expressar a vontade ou opinião num ato eleitoral ou numa assembleia: No Brasil, o voto é secreto. Muitos criticam o voto obrigatório. Preferem o facultativo. Ainda existe voto de cabresto? O síndico ganhou por um voto. O voto é a arma do eleitor.

Voto de Minerva

Ops! Empatou. E agora? Em disputas, quando há placares iguais na votação, o presidente desempata. É o voto de Minerva. A história do privilégio começou há muuuuuuuuito tempo. Vem da mitologia grega.

Orestes matou a mãe e o namorado dela. Assim, vingou o pai. Agamenon foi morto pelo casal logo que voltou da guerra de Troia. O rapaz cometeu o crime mais grave da Grécia. A pena para o matricida era a morte. Carrascos muito cruéis aplicavam a punição. Eram as infernais Erínias, especialistas em torturar pecadores.

Consciente do que o esperava, Orestes pediu socorro a Apolo. O deus topou ajudá-lo. Levou-o para ser julgado no tribunal. Minerva presidiu o primeiro julgamento do mundo. Doze cidadãos atenienses formavam o júri. A votação terminou empatada. Coube à deusa o desempate. Ela declarou Orestes inocente. Com o voto de Minerva, nasceu o patriarcado. Os homens assumiram o poder.

Outro nome

O voto de Minerva ganhou fama, mas não dormiu na cama. Com frequência presidentes de tribunais batem o martelo a favor deste ou daquele caso. Puxa! Trata-se de decisão difícil. Até porque o ato tem outro nome. É voto de qualidade.

Tanto faz

A eleição é dia 7 de outubro? Ou é no dia 7 de outubro? Tanto faz. Uma forma e outra merecem nota 10: O presidente eleito toma posse no dia 1º de janeiro. O presidente eleito toma posse dia 1º de janeiro. Fez comício na quinta-feira. Fez comício quinta-feira. Descansou no domingo. Descansou domingo.

Como água e azeite

O candidato passou despercebido no meio da multidão? Ou passou desapercebido? Olho vivo, moçada. Uma letra faz a diferença. Despercebido significa ignorado, sem ser notado. Desapercebido quer dizer desprevenido: O candidato passou despercebido. O contrabando atravessa a fronteira do país despercebido. No supermercado, encheu o carrinho de compras. Na hora de pagar, cadê? Estava desapercebido. A carteira tinha ficado em casa. Ufa!

Leitor pergunta

Eta vida dura! Venezuelanos são obrigados a deixar o país onde vivem pra se aventurar em outro. Ninguém deixa tudo pra trás por capricho ou brincadeirinha. Abandona familiares, amigos, casa, cachorro e papagaio por necessidade. Ou parte, ou morre. A preferência recai nas nações vizinhas. Entre elas, o Brasil. A imprensa, claro, acompanha os acontecimentos. Mas não raro tropeça na propriedade vocabular. É o caso de fronteira, divisa e limite. Pode explicar a diferença?
Felipe Azevedo, BH

As três palavras têm um denominador comum — separam. Mas objetos diferentes. Fronteira separa países. Divisa, estados. Limite, cidades.

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