Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Setembro Amarelo

%u201CNunca confie em alguém que fale bem de todo mundo.%u201D Collins

12/09/2018 20:53

Dad Squarisi

Ops! Setembro se veste de amarelo. A cor não tem nada a ver com as comemorações da Independência. O objetivo é chamar a atenção para assunto pra lá de delicado. Trata-se do suicídio. O autoextermínio cresce no Brasil e no mundo. Tornou-se caso de saúde pública. Mas pouco se fala sobre ele. A razão é simples e compreensível: teme-se que a divulgação de histórias e números estimulem a prática. Valha-nos, Deus!


Falar sobre o tema trouxe um problema adicional. Ele se refere à gramática, não à psicologia. A questão: suicidar-se é sempre pronominal? É. Quem conhece a origem da palavra acha estranho. O verbo vem do latim. É formado de sui (= de si, a si) e cídio (= matar). Significa matar a si mesmo. No duro, não precisaria do se. Mas o teimoso bate pé. Exige o pronome e não abre. Como diz o outro, manda quem pode, obedece quem tem juízo: eu me suicido, ele se suicida, nós nos suicidamos, eles se suicidam.

Por falar em verbo pronominal...

Verbo pronominal?  Há vários. Eles são transitivos diretos como acender, apagar, ferir e aposentar: Maria acende a luz ao entrar no quarto. Paulo apaga a vela quando sai de casa. Pedro fere o dedo. O INSS aposenta o trabalhador.

Viu? Nos exemplos, o sujeito e o objeto são seres diferentes. Na primeira frase, Maria é o sujeito. Luz, o objeto. Na segunda, Paulo é o sujeito. Vela, o objeto. Na terceira, Pedro é o sujeito. Dedo, o objeto. Na última, INSS é o sujeito. Trabalhador, o objeto.

Em algumas construções, o sujeito e o objeto são a mesma pessoa. Aí, o verbo se torna pronominal. O pronome se impõe porque é o objeto exigido pelo verbo. Eis exemplos: acender (alguém acende a luz, mas a luz se acende); apagar (alguém apaga a luz, mas a luz se apaga); aposentar (o INSS aposenta o trabalhador, mas o trabalhador se aposenta); complicar (alguém complica a vida de outro, mas ele se complica); derreter (o calor derrete o sorvete, mas o se sorvete derrete).

Mais

Distrair (o palhaço distrai o público, mas o público se distrai); encerrar (o apresentador encerra o programa, mas o programa se encerra); esgotar (o repórter esgota a matéria, mas ele se esgota); estragar (o sol estragou a fruta, mas a fruta se estragou); esvaziar (o líder esvaziou a sessão, mas a sessão se esvaziou); formar (o diretor forma a equipe, mas a equipe se forma; a universidade forma o aluno, mas o aluno se forma); iniciar (o presidente iniciou a sessão, mas a sessão se iniciou); casar (o padre casa os noivos, mas os noivos se casam).

Outras pessoas

Olho vivo, moçada. O verbo é pronominal em todas as pessoas. Não faça economia. O atonozinho aparece com o eu, o tu, o ele, o nós, o vós, o eles: eu me aposento, tu te aposentas, ele se aposenta, nós nos aposentamos, vós vos aposentais, eles se aposentam; eu me formei, tu te formaste, ele se formou, nós nos formamos, eles se formaram; eu me feri, tu te feriste, ele se feriu, nós nos ferimos, vós vos feristes, eles se feriram; eu me aprontava, tu te aprontavas, ele se aprontava, nós nos aprontávamos, eles se aprontavam.

Com traço ou sem traço?

Autoextermínio se escreve assim, tudo colado. Por quê? Auto- só pede hífen quando seguido de h ou o: auto-higiene, auto-história, auto-obrigação, autoescola, autossuficiente, autorrolante.

Leitor pergunta

Depois de dois pontos, uso letra maiúscula ou minúscula?
João Rafael, Brasília

Depende. Olho no que vem depois.

1. Se for explicação ou enumeração, não duvide. É minúscula:

A questão é esta: nada a fazer.

Na feira, selecionou várias frutas: banana, laranja, pera, maçã, uva, abacaxi.

2. Se for citação ou frase de alguém, a maiúscula pede passagem:

Fernando Pessoa escreveu: “Navegar é preciso. Viver não é preciso”.

O diretor foi curto e grosso:

— Retire-se.

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