Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Deusas de prontidão

%u201COs grandes amantes sabem se expressar verbalmente. A sedução verbal constitui o caminho mais certeiro à sedução de fato.%u201D Marya Mannes

07/11/2018 19:59

Dad Squarisi

É hoje. Os brasileiros vão às urnas escolher o presidente. Nada menos de 147 milhões de pessoas digitarão um número. Quem terá a preferência popular? Há eleitores com a cabeça feita. Há também os hesitantes. Em quem votarão? É aí que a deusa Fortuna entra em ação.


Ela é cega. Mas faz escolhas. Se acordar de bom humor, cobrirá de sorte o candidato que encontrar. Se, ao contrário, despertar de mal com a vida, dará a vez ao azar. Quem aparecer à sua frente sentirá o gosto da derrota. O que fazer? Nada de especial. Só torcer.

O abençoado pelo destino terá novo encontro em 1º de janeiro. Nesse dia, ele receberá a faixa presidencial. Quem a carregará é a deusa Nique. (Ela dá nome à marca Nike). A divindade, também conhecida por Vitória, não responde pelo sucesso ou fracasso do competidor. Ela tem uma única missão — coroar o vencedor. Viva!

Urna

É urna pra cá, urna pra lá, urna pracolá. A palavra é tão familiar que, quando usada, dispensa explicações. Sabemos que é o recipiente onde se depositam (ou a máquina onde se digitam) os votos de uma eleição: O brasileiro vai às urnas hoje. Os governantes têm de ouvir a voz das urnas. Esperamos com ansiedade o resultado das urnas.

Nem sempre o vocábulo teve esse significado. Quando nasceu, no latim, urna dava nome a um grande jarro de cerâmica usado para transportar água ou para guardar as cinzas dos mortos cremados. No séc. 16, o termo passa a designar, no português, o recipiente onde se colocam as pedras para os sorteios ou os votos de uma eleição. O sentido inicial bateu asas e voou. Ficou nos dicionários.

Do forno

No dia da eleição, pesquisadores entram em campo. Perguntam aos eleitores na fila em quem vão votar. É a boca de urna. Fechada a última seção eleitoral, divulga-se o resultado. A chance de acertar o vencedor é quase 100%.

Interessados no assunto levantam uma questão. Boca de urna se escreve com hífen? Não. A reforma ortográfica cassou o tracinho de compostos de três ou mais palavras ligadas por preposição, conjunção, pronome. É o caso de pé de moleque, tomara que caia, testa de ferro, mão de obra, dor de cotovelo, mula sem cabeça. E, claro, boca de urna.

Ficou fora

Atenção, muita atenção. Ficaram de fora da regra os compostos que pertencem aos reinos animal e vegetal. Valem os exemplos de joão-de-barro, bicho-de-pé, cana-de-açúcar, castanha-do-pará, pimenta-do-reino.

Tempo

O eleito tomará posse em 1º de janeiro. Estamos, pois, a pouco mais de dois meses de ter novo inquilino no Palácio do Planalto. Atenção à contagem de tempo. O passado exige o verbo haver. O futuro dispensa-o: A campanha começou há mais de dois meses. Há anos ouço os nomes de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. A posse será daqui a pouco mais de dois meses. Estamos a poucas horas de conhecer quem governará o Brasil nos próximos quatro anos.

Olho na redundância

A contagem de tempo arma ciladas. Uma delas: forma pleonasmos com a naturalidade de quem dá bom-dia ao entrar no elevador. Na contagem de tempo, o verbo haver indica passado. A preposição atrás também. Dizer “há dois anos atrás”? Nãooooooooooooo! Juntar os dois é redundância. Melhor ficar com um ou outro: Há dois anos, o Brasil teve eleições municipais. Dois anos atrás, o Brasil teve eleições municipais.

Leitor pergunta

Penalizar é punir?
Samanta Guimarães, BH

A propriedade vocabular pega bem como usar o cinto de segurança, pedir licença ao interromper uma conversa, dar boa-tarde ao entrar no elevador e distinguir penalizar e punir.

Penalizar significa causar pena, solidariedade, pesar. Punir é castigar: A situação dos imigrantes venezuelanos nos penaliza. É preciso punir quem desrespeita os limites de velocidade

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