Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Pão à Bolsonaro

'Quem não se comunica se trumbica.' Chacrinha

20/11/2018 12:07 | Atualização: 20/11/2018 12:47

Dad Squarisi

O Globo diz que virou moda hábito inusitado de Jair Bolsonaro. O presidente eleito adora pão com leite condensado. Padarias do Rio passaram a oferecer a iguaria. Sucesso. Ao anunciar o fato, o jornal escreveu “O pão à Bolsonaro ganha adeptos”. Leitores estranharam a crase antes de nome masculino. Correto? Na frase, esconde-se uma expressão feminina: O pão à (moda de) Bolsonaro. Nota 10.


Outros exemplos: Canta à (moda de) Roberto Carlos. Decora a casa à Luís XV. Corta o cabelo à Caetano Veloso. Não fui à Livraria Cultura, mas à (livraria) José Olympio. Inicialmente, dirigiu-se à Rua da Praia; depois, à (rua) dos Andradas.

Diálogo pós-Enem

— Pai, tirei 9,5 no teste.

— Parabéns, Filho. Que teste era esse?

— O teste do bafômetro. Levaram seu carro.


Ruço e russo

As duas palavras soam do mesmo jeitinho. Mas a grafia e o significado são pra lá de diferentes. Confundir uma e outra pega mal como dirigir sem cinto de segurança, ultrapassar a velocidade da via, desrespeitar a faixa de pedestres. Abra os olhos:

Ruço quer dizer pardacento ou complicado: A situação estava ruça, mas, com a chegada da polícia, os vizinhos se controlaram. A situação do morro de Niterói está ruça.

Russo é o natural ou originário da Rússia: Os russos adoram vodca. Putin, líder russo, esteve em Paris. Gosto muito de Moscou, a capital russa.  

Só pode

“Ver Bolsonaro jogar carvão na churrasqueira foi uma surpresa inesperada”, disse o repórter excitado. Ops! Baita pleonasmo. Toda surpresa é inesperada. Se o fato é esperado, surpresa não é.

Sempre plural

O país mais citado na imprensa mundial? É, sem dúvida, os Estados Unidos. Na semana passada, com as eleições legislativas, as referências se multiplicaram. Os falantes, porém, nem sempre respeitam a concordância da maior potência do planeta. Muitos põem o verbo no singular. Nada feito.

A duplinha Estados Unidos joga no time dos nomes escritos no plural acompanhados de artigo. O verbo concorda com o pequenino: O Palmeirasjoga domingo. O Amazonas fica na Região Norte. Os Alpes atraem muitos turistas. Os Estados Unidos surpreenderam o mundo. (Os) EUA têm novo Legislativo eleito.
 

Sempre singular

Sem artigo, o nome próprio escrito no plural pede o verbo no singular:Minas Gerais fica no Sudeste. Montes Claros é terra de grandes homens. Vassouras entrou na história do Rio. Campinas tem universidade respeitada internacionalmente. Buenos Aires encanta os estrangeiros que a visitam.

Paixão

Você é aficionado por política? Se a resposta for positiva ou negativa, guarde isto: aficionado tem só um c.

Leitor pergunta

Tenho dúvidas sobre a pronúncia de muitas palavras. Entre elas, recorde, Nobel, rubrica, subsídio. Pode me ajudar?
Clara Helena, Guará

Quem fala quer ser ouvido, entendido e apreciado. Tem, por isso, de pronunciar as palavras como manda o dicionário. Dizer récord? Nem pensar. Recorde rima com concorde. Referir-se ao Prêmio Nóbel? Valha-nos, Deus. Nobel soa como anel, painel e papel. Rubrica é paroxítona como fabrica, lubrifica e sacrifica. Subsídio pertence à equipe de subsolo. Com a duplinha, o z não tem vez. Xô!

***

A meu ver? Ao meu ver? Eta dúvida que nunca se vai.

Bernardo Cândido, Divinópolis

Não bobeie. Expressões construídas com pronome possessivo se usam sem artigo: a meu ver, a meu lado, a seu pedido, a nosso bel-prazer (não: ao meu ver, ao meu lado, ao meu pedido).

Olho vivíssimo, Bernardo. A ponto de, no sentido de prestes a, segue o mesmo princípio: Esteve a ponto de disputar a eleição. Chegou a ponto de morrer. Mas escapou.

Mas... Você quer aquela carninha medianamente assada, que dá água na boca? Peça sem medo de errar um bife… ao ponto.

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