Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Bolsonaro e o desperdício

'Chato: sujeito que envolve uma ideia de dois minutos num palavreado de duas horas.' Walter Winchell

08/05/2019 08:00

Dad Squarisi

A situação está feia. A economia não cresce. A indústria anda pra trás. O desemprego avança. Preocupado, Bolsonaro pôs a boca no trombone. Alto e bom som, apoiou a reforma da Previdência. Ao falar no assunto, disse: “Não temos outra alternativa”.

Ops! Em tempo de vacas magras, desperdiçar é proibido. A alternativa se escolhe entre duas opções. Por isso, não vale dizer “outra” alternativa e “única” alternativa. Por quê? A alternativa é sempre outra. Se não há outra, só pode ser única. Melhor: Não temos alternativa. A alternativa é aprovar a reforma da Previdência.

Plural nota 10

O Palácio do Planalto virou a casa da mãe joana. É uma brigalhada sem fim. Dois grupos se digladiam. De um lado, os militares. De outro, os seguidores de Olavo de Carvalho. Bolsonaro, no meio da confusão, põe panos quentes na disputa: “Não existe grupo de militares nem de Olavos”, disse conciliador.

Acertou no diagnóstico? Talvez. Mas tirou nota 10 na língua. Os nomes próprios não desfrutam de privilégios. Flexionam-se como os comuns (os Andradas, os Silvas, os Castros, os Bolsonaros). Na dúvida, basta inspirar-se em Eça de Queirós. O escritor português escreveu Os Maias.

Exceção? Há casos em que o plural descaracteriza o nome. O sobrenome Val, por exemplo, faria o plural Vales. Como agir? Não pluralize. Não pluralize também os nomes duplos e os estrangeiros — os Cavalcanti Proença, os Thatcher, os Trump.

Feminista

“Seu ódio não é bem-vindo, diz prefeito de Nova York à Bolsonaro”, escreveu o Correio. Ops! Que tombo! O jornal tropeçou na crase. Como indica o casamento de dois aa, o acento grave não tem vez antes de nome masculino. A razão é simples como andar pra frente. O artigo que acompanha o machão é o. Melhor: Seu ódio não é bem-vindo, diz prefeito de Nova York a Bolsonaro.

Por falar em crase...

Muita gente pronuncia o à como se fossem dois aa (vou a a praia). Uiiiiiiiiiiiiiii! São manhas da escola antiga. No ditado, os professores diziam aa para os alunos se darem conta da crase. Era um truque. Virou vício. Fuja dele.

Compensação

O jornal tropeçou na crase. Mas acertou na grafia. Bem-vindo se escreve assim, com hífen.

Leitor pergunta

Sou secretária de uma escola particular. De vez em quando, surgem problemas de difícil solução. Um deles é a grafia do nome dos alunos. As certidões trazem os nomes em letras  maiúsculas. Nem sempre devidamente acentuadas. O que devo fazer?
Carlota Benjamin, BH

Em português, as maiúsculas não gozam de privilégios. Recebem o mesmo tratamento das minúsculas. Sempre que necessário, devem ser acentuadas (África, Íris, Índia). Pressupõe-se que os cartórios saibam disso. Por isso, se na certidão não aparecer o acento, respeite o registro. É lei. Como no jogo do bicho, vale o que está escrito.

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