Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

De mães, águias e corações

'Filhos... Filhos? / Melhor não tê-los. / Mas se não os temos / Como sabê-lo?' Vinícius de Moraes

12/05/2019 08:00

Dad Squarisi

Deus criou a mãe porque não podia estar em todos os lugares. E caprichou. Deu-lhe um coração desssssste tamanho. Para ela os rebentos são os mais lindos, os mais perfeitos, os mais inteligentes do mundo. Não por acaso a chamam de mãe coruja.

O apelido vem da fábula “A águia e a coruja”, de La Fontaine. Conhece? As duas aves celebraram um tratado de paz. A primeira prometeu não comer os filhotes da segunda. Como não os conhecia, pediu uma descrição segura:

— Nada mais fácil que identificá-los, disse a coruja. É só prestar atenção à beleza. São os filhotes mais belos, mais encantadores, mais cativantes entre os bichos de penas existentes sobre a Terra.

Dias depois, a águia viu uns mostrengos no ninho. Não poderiam ser os filhos da outra, claro. Devorou-os. A coruja, desconsolada, foi tomar satisfação.

— Não culpe senão a você, respondeu a comilona. Aqueles feiosos assustavam. Não correspondiam ao retrato feito por você.

Moral da história: o belo, para o sapo, é a sapa.


Segundona

Você sabia? Na origem, madrinha é diminutivo de mãe. Quer dizer mãezinha. Daí o peso da responsabilidade. Ela é a substituta da mãezona.

Lição de casa

O Dia das Mães chegava. A professora pediu uma redação. Todas deveriam terminar com esta frase: “Mãe só tem uma”. A meninada pôs mãos à obra. Alguns contaram episódios da infância. Outros, cuidados em caso de doença. Não faltou quem falasse em ajuda nos deveres de casa ou em sufocos devidos a confusões inesperadas.

Um deles contou história com enredo diferente. Uma visita havia chegado à casa da família. Alvoroço geral. A mãe, solícita, pediu ao filho que pegasse duas Cocas na geladeira. Depois de minutos, o garoto voltou:

— Mãe, só tem uma.


Matriz da humanidade

Homenagear a mãe é tradição mais antiga que o rascunho da Bíblia. Na Grécia antiga, na Roma dos Césares, na Idade Média, o povo reverenciava a mulher que dá à luz meninos e meninas. Ela não era convocada para lutar nos campos de batalha por ser a matriz da humanidade — capaz de equilibrar a população depois dos estragos causados pela guerra.

Há um século, os Estados Unidos instituíram o Dia das Mães. O presidente Woodrow Wilson oficializou 9 de maio para a festa. O Brasil importou a ideia 82 anos depois. Getúlio Vargas introduziu a data no calendário verde-amarelo em 1932. Seria o segundo domingo de maio. De lá para cá, é só festa. Mães, shoppings e restaurantes batem palmas. Viva!


A origem

Annie Jerwis perdeu a mãe. Ficou tão triste que caiu em profunda depressão. Preocupadas com o sofrimento da jovem, amigas queriam consolá-la. Como? Promoveram senhora festa em memória da falecida. Repetiram-na no ano seguinte. E no seguinte. E no seguinte. Annie sugeriu estender a homenagem a todas as mãezonas, vivas e mortas. A ideia pegou. Faz sucesso até hoje.

Presente

O verbo mais conjugado em maio? É presentear. Depois do Natal, o Dia das Mães é a data que mais vende. Cuidado com ele. Como passear, presentear arma ciladas no presente do indicativo e no presente do subjuntivo. O nós e o vós, orgulhosamente, esnobam o i. As outras pessoas, coitadinhas, carregam a vogal com resignação cristã: eu passeio (presenteio), tu passeias (presenteias), ele passeia (presenteia), nós passeamos (presenteamos), vós passeais (presenteais), eles passeiam (presenteiam).


Leitor pergunta

Tranquilo, dirigia meu carro. Um fusquinha ia na minha frente. O vidro de trás estampava a mensagem: “É velho, mais tá pago”. Como diria minha avó, vixe Maria!
Marcelo Augusto, Recife

Mas e mais têm alguma semelhança. Mas não se conhecem nem de elevador:

Mais é o contrário de menos: Trabalho mais (menos) que ele. Gostaria de ir mais (menos) ao cinema.

Mas quer dizer porém, todavia, contudo: Não estudou, mas passou no concurso. Sortudo! 

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