Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

O deus do amor

''As promessas de namorados são fáceis de fazer e difíceis de cumprir.'' Cervantes

11/06/2019 08:00 | Atualização: 19/06/2019 13:49

Dad Squarisi

Amanhã é Dia dos Namorados. Flores e presentes farão a festa. Lojas e restaurantes se preparam pras homenagens. Deuses, ninfas, serafins e mortais marcarão presença. Alguns curtirão a data na Terra. Outros assistirão às reverências de longe, lá do Olimpo. Um deles é Cupido, o responsável pelos encontros e desencontros do coração.

Cupido

Cupido é um menino que anda sempre armado. Mas tem armas muito especiais. De dia e de noite, segura o arco e a flecha. Em quem ele acerta? Na pessoa distraída.

Ninguém escapa. Ele põe venda nos olhos. Sem enxergar, não escolhe hora nem lugar. Menino, menina, adulto, adulta, idoso, idosa, todos correm perigo. Queiram ou não, podem levar uma flechada.

Resultado: a criatura fica caidinha de amor. Até quando dura a paixão? Eis o mistério. Vinicius, cobra criada, diz que o “o amor é infinito enquanto dura”. Millôr concorda: “Eterno no amor tem o mesmo sentido de permanente no cabelo”.

Vocabulário amoroso

No Dia dos Namorados, ganham destaque três verbos do vocabulário amoroso. Tratá-los com flores e perfumes alonga o caminho das duas pontas lembradas por Vinicius: “Que seja infinito enquanto dure”.

Amar, abraçar e beijar andam juntos. Até a língua conspira a favor da união. O trio é pele na pele. Transitivos diretos, os verbos dispensam a preposição: Paulo ama Maria, Maria ama Paulo. Paulo abraça Maria, Maria abraça Paulo. Paulo beija Maria, Maria beija Paulo.

Carícia nos ouvidos

O amor é cego, mas não surdo. Na substituição do nome pelo pronome, use o átono o ou a. É ele que exerce a função de objeto direto: Paulo ama Maria. (Paulo a ama.) Maria ama Paulo. (Maria o ama.) Paulo abraça Maria. (Paulo a abraça.) Maria abraça Paulo. (Maria o abraça.) Paulo beija Maria. (Paulo a beija.) Maria beija Paulo. (Maria o beija.)

Dizer lhe ama, lhe abraça, lhe beija? Nãooooooooooooooo! É tornar os verbos transitivos indiretos. Com eles, ergue-se barreira entre os pares. Resultado: um lá, outro cá.

Recado dos santos

“Santo Antônio mandou avisar que, por causa da demanda, só atenderá quem nunca namorou. Quem se separou recorra a Santo Expedito e quem está à procura da pessoa perfeita é com Santa Rita de Cássia.” (internet)

Dois jeitos

Lamartine Babo compôs. O povo cantou: “Eu pedi numa oração / Ao querido São João / Que me desse um matrimônio / São João disse que não / Isso é lá com Santo Antônio”.  

Fazer o quê? Vamos em frente. Santo e são têm o mesmo significado. Querem dizer indivíduo que foi canonizado. São é forma apocopada. Preguiçosa, deixou a última sílaba no caminho como frei (freire), bel (belo), mui (muito).

Quando dar a vez a uma ou à outra? Use santo quando seguido de nome iniciado por vogal ou h (Santo Agostinho, Santo Expedito, Santo Hilário). Dê passagem ao são nos demais casos (São Bento, São Carlos, São Caetano). Exceção? No duro, no duro, só uma. É São Tirso. Há dois indecisos: São Tomás ou Santo Tomás, São Borja ou Santo Borja.

Pra lá de longevo

Qual a origem do Dia dos Namorados? Márcio Cotrim responde: “A versão mais conhecida originou-se na Roma antiga, no século 3º. Um padre chamado Valentim, desobedecendo às ordens do imperador Cláudio II – que proibira o matrimônio durante as guerras por acreditar que os solteiros eram os melhores combatentes – continuou celebrando casamentos.

Acabou preso e condenado à morte. Considerado mártir pela Igreja Católica, morreu em 14 de fevereiro. No século 17, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como Dia dos Namorados. Os Estados Unidos foram atrás”. Nós preferimos 12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio, o casamenteiro.

Leitor pergunta

Par de luva ou par de luvas? É dúvida da minha filha. Não consegui esclarecer.
Claudio Dias, Santos

Sempre plural: par de luvas, par de sapatos, par de botas, coleção de livros, coleção de selos. E por aí vai.

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