Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Moro no Senado

''Escrever bem a própria língua é uma forma de patriotismo.'' Lucie Delarme-Madrus

23/06/2019 08:00

Dad Squarisi

Sérgio Moro se antecipou. Antes que os senadores o convocassem, ele se ofereceu para prestar esclarecimentos sobre mensagens que teriam sido trocadas entre o então juiz e o procurador Deltan Dallagnol. A sessão durou nove horas.

Enquanto perguntas e respostas se sucediam, pintou uma questão de regência verbal. Moro depôs ao Senado ou no Senado? O verbo exige a preposição em: Moro depôs no Senado. O acusado vai depor na Polícia Federal. Quem vai depor na CPI?

Robôs humanoides

Eles fazem segurança de loja, atendem hóspedes em hotel, dão informações sobre assuntos diversos. Parecem gente. Mas gente não são. São robôs humanoides.

Humanoide rima com asteroide, que rima com debiloide. Todas têm um denominador comum. Terminam em –oide. As quatro letrinhas vêm do grego. Querem dizer forma, aparência, imagem. Humanoide é o que tem aparência de humano. Asteroide, de astro. Debiloide, de débil mental.

Às vezes, as danadinhas bancam as gozadoras. Mandam a seriedade pras cucuias e caem na diversão. Agregam-se a certas palavras para dar-lhes sentido irônico-jocoso. Factoide serve de exemplo. Mas não está só. Faz companhia a cretinoide.

Nem-nem

Multidão de jovens ociosos deram origem a  expressão pra lá de criativa. Soltos nas ruas, 10 milhões de rapazes e moças não estudam nem trabalham. Receberam o nome de nem-nem. Eles preocupam pais e governantes. E, por isso, viram notícia.

Ao referir-se à garotada, repórteres dizem “não estudam e nem trabalham”. Bobeiam. Nem significa e não. Se a conjunção e está embutida nas três letrinhas, usá-la é desperdício. Xô! Em época de vacas magras, poupar é preciso. Assim: Não estudam nem trabalham.

Parece, mas não é

No fundo, sobre um gramado bem cuidado, um carro sobressai. Um cartaz próximo, com letras bem desenhadas, exibe este texto:

VENDO Range Rover Evoque Si4 2.0 Turbo 2016-17. Cor chumbo, com rodas aro 20. Maravilha, uma verdadeira NAVE! Estou apenas VENDO. Vocês podem VER também.

Viu? O autor brinca com uma forma que pode ser de dois verbos — presente do indicativo do verbo vender (eu vendo) ou gerúndio do verbo ver. Como a situação sugere anúncio de venda do carro, imaginamos que se trata do primeiro.

No fim, caímos na real. Todos? Não. Apressados, sem paciência de ler a mensagem até o fim, fazem papel de bobo na casca do ovo.


Três condições

A Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento (Adasa) pôs no ar bela campanha educativa: “Use, reúse e economize”, é o mote. Telespectadores atentos se perguntaram por que reúse ganha acento. Trata-se da quebra do ditongo. O e e u, quando juntos, pronunciam-se numa emissão de voz. É o caso de reunir. Para quebrar o ditongo, o agudão pede passagem.

O u se acentua se preencher três condições. Uma: formar sílaba sozinho ou com s. Duas:  for antecedido de vogal. A última: não ser seguido de nh: re-ú-so, sa-ú-de, con-te-ú-do, sa-ú-va, ba-ú, ba-ús.

Mesmo time

A mesma regra vale para o i: sa-í-da, ba-í-a, caí, ca-í-da, e-go-ís-ta (mas: ra-i-nha, ba-i-nha, cam-pa-i-nha).

Leitor pergunta

Qual a origem da palavra hacker?
Simão Alencastro, Porto Alegre

José Manzano responde: No original, o verbo inglês to hack significa cortar grosseiramente. O nome hacker, portanto, designa o sujeito que passa o dia com a faca na mão a cortar, decepar, romper ou rachar.

Com a popularização do computador, hacker passou a designar o perito em segurança informática. No início, o termo indicava o profissional ‘do bem’, que exercia as funções sem causar dano a ninguém.

A democratização dos computadores aumentou o número de especialistas mal-intencionados. Agressivo, o novo tipo de hacker age por curiosidade, por má-fé, por consciência política ou por interesse financeiro. Diante de um leque tão amplo de motivações, todos nós estamos ameaçados de hackeamento.

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