Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Santa Dulce dos Pobres

''Escrever é sacudir o sentido do mundo.'' Roland Barthes

03/07/2019 08:00

Dad Squarisi

Viva! A Bahia está em festa. O Brasil também. Em outubro, Irmã Dulce será canonizada. Virará santa, a Santa Dulce dos Pobres. Até lá, muito se falará sobre a obra da criatura que dedicou a vida a ajudar os pobres. Vale, pois, estar atento à abreviatura de santa. É a mesma de são e santo: S. Dulce dos Pobres, S. Antônio, S. João.


Parabéns pra você

Segunda foi dia de festa. O Plano Real completou 25 anos. Como presente de aniversário, ele pede um favor — não confundi-lo com a moeda. O plano é nome próprio. Exige letra maiúscula. O dinheiro, coitado, não passa de vira-lata. Escreve-se com letra minúscula como as demais colegas: O Plano Real estabilizou a economia verde-amarela. A moeda brasileira mais longeva é o real. Nas viagens, costumo levar dólares e euros.


Adeus, inflação

Oba! Um quarto de século com a inflação domada. Trata-se de baita conquista. A história começou em 27.2.94. Nesse dia, o governo editou a Medida Provisória 534. Com ela, lançou um programa que tinha o objetivo de estabilizar a economia e promover reformas no país. Viu? O ato de autoridade, quando especificado o número ou o nome, torna-se substantivo próprio. Escreve-se com a inicial grandona: Medida Provisória 534, Decreto 945, Lei Antitruste, Lei 2.324.

Nas outras referências, o ato perde a majestade. Vira substantivo comum: A medida provisória trata do Plano Real. O presidente vetou a lei. O decreto de Bolsonaro tem sido questionado na Justiça e no Congresso.


Vinte anos depois

Depois de duas décadas de idas e vindas, o Mercosul e a União Europeia bateram o martelo. Vão formar a maior área de livre comércio do mundo. Ao falar no assunto, o secretário de Comércio Exterior disse cheio de entusiasmo: “Daqui a poucos anos, o acordo passa a vigir”. Ops! Tropeçou no verbo que faz estragos a torto e a direito. É viger, não vigir. Significa vigorar.

Defectivo, viger só se conjuga nas formas em que aparece o e ou o i depois do g. Por isso, não tem a primeira pessoa do singular presente do indicativo (vigo) nem o presente do subjuntivo (viga, etc.). Vigorar ou entrar em vigor as substitui com galhardia. No mais, viger flexiona-se como viver: vives (viges), vive (vige), vivemos (vigemos), vivem (vigem); vivi (vigi), viveu (vigeu), vivemos (vigemos), viveram (vigeram); vivia (vigia); viveria (vigeria); viverei (vigerei). E por aí vai: A lei vige. A medida provisória continua vigendo. Daqui a poucos anos, o acordo passa a viger.

No limite

“Irã ultrapassa o limite máximo de estoque de urânio”, anunciaram jornais, rádios, tevês e sites de norte a sul, de leste a oeste. Desperdiçaram palavras. Limite máximo joga no time de teto máximo e piso mínimo. O adjetivo sobra. O limite é sempre máximo, o teto também. O piso é sempre mínimo. Os adjetivos não têm vez: O Irã ultrapassou o limite de estoque de urânio. O governo tem de respeitar o teto de gastos. Categorias profissionais têm diferentes pisos salariais.  

Leitor pergunta

Sei que chego é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo chegar (eu chego, ele chega). Sei, também, que chegado é o particípio (tinha chegado, havia chegado). Mas, num dia e noutro também, vejo “tinha chego”, “havia chego”. Até escolas usam essa forma de vez em quando. Pergunto: houve mudanças na língua? Aceitam-se as duas formas?
João Horácio Caramez, Brasília 

Trata-se de vício que prolifera a olhos vistos. Mas ele não está com nada. Mantenha-se fiel ao que você estudou na escola. O particípio de chegar é chegado. Os tempos compostos formam-se com o trissílabo: Ele já tinha chegado quando a campainha tocou. Nós havíamos chegado à festa e presenciamos a confusão. Quando Paulo chegou, a mãe já havia chegado. 

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