Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Madrasta e madrinha são irmãs

''Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não: é uma errata pensante, isso sim.'' Machado de Assis

15/09/2019 08:00

Dad Squarisi

Coisa de conto de fadas? Não. A história aconteceu em Cuiabá. Madrasta envenenou a enteada de 11 anos para embolsar a herança da garota. A tragédia causou horror. E trouxe a palavra madrasta às manchetes. Vale, pois, saber de onde vem a trissílaba.

Ela nasceu no latim. Na língua dos Césares, era matrasta, irmãzinha de madrinha. Ambas exibem a raiz mater, que significa mãe. As duas trilharam caminhos diferentes. A primeira, que quer dizer “outra mulher do pai”, ganhou acepção pejorativa. Tornou-se sinônimo de bruxa malvada. A segunda é diminutivo de mãe — mãezinha. Daí o peso da responsabilidade. Ela é a substituta da mãezona.

Bruxaria

Filólogos dizem que, desde a origem, “a outra” não era vista com bons olhos. Seria um arremedo de mãe. Com as madrastas bruxas dos contos populares, a fama se alastrou. Deu origem até a provérbios. Um deles: “Madrasta, o nome lhe basta”.

E a Seleção, hem?

A Seleção foi a Los Angeles para enfrentar o Peru. Perdeu. O técnico culpou o gramado. Jogadores lamentaram a derrota. Comentaristas disseram que o importante é competir. Talvez tenham razão. Na prática esportiva, há três resultados possíveis. Um: ganhar. Outro: empatar. O indesejado: perder. Ganhe, perca ou empate, impõe-se ser elegante. A ordem: usar a preposição como manda a regência.

O time ganha de outro por ou de: O Peru ganhou do Brasil por 1 a 0 (ou de 3 a 0).

O time perde para outro por ou de: O Brasil perdeu para o Peru por 1 a 0 (ou de 1 a 0).

O time empata com outro por ou de: O Brasil empatou com o Peru por 1 a 1 (ou de 1 a 1).

Criança tem cada uma... 

A professora pergunta ao Arthur:

— Arroz é com s ou com z?

Do alto dos seus cinco anos, ele responde:

— Na escola eu não sei. Na minha casa arroz é com feijão.

Cheirinho bom

Água de colônia se chama água-de-colônia porque nasceu em Colônia, na Alemanha. Giovanni Maria Farina vivia em Piemonte, na fronteira da Itália com a Suíça. Mudou-se para Colônia no início do século 18. Inventor de perfumes, ele criou uma fragrância desconhecida, bem diferente dos aromas fortes e açucarados que enchiam os salões da nobreza europeia. A fórmula: óleos essenciais de frutas cítricas, como limão, laranja, tangerina ou grapefruit. Para homenagear a cidade que tão bem o acolhera, chamou a nova mistura aromática de água-de-colônia. Viva!

Tortura

A censura na Bienal do Rio fez vítimas. Entre elas, a língua. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio foi um dos algozes. Na sentença que proferiu, escreveu: “… é mister que os pais sejam devidamente alertados, com a finalidade de acessarem previamente informações a respeito do teor das publicações disponíveis no  comércio, antes de decidirem se aquele texto se adequa ou não à sua visão de como educar seus filhos”. Viu? O desembargador bateu no verbo adequar.

Adequar só se conjuga nas formas em que a sílaba tônica cai fora do radical (adeq). O presente do indicativo tem apenas duas pessoas (adequamos, adequais). Por não ter a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo, não se flexiona no presente do subjuntivo e no imperativo negativo. Do imperativo afirmativo só tem a 2ª pessoa do plural (adequai). Os demais tempos e modos são regulares (adequei, adequaste, adequou, adequamos, adequastes, adequaram; adequava, adequavas, adequava, adequávamos, adequáveis, adequavam; adequarei; adequaria; adequasse; adequando; adequado).

É isso. Sua Excelência escreveu “adequa”. Nessa forma, a sílaba tônica cai no radical (de). Bobeou. Que tal substituir o verbo? Sugestão: adaptar.

Leitor pergunta

Aneurisma é substantivo feminino ou masculino?
Celina Prado, Floripa

Aneurisma joga no time de telegrama e telefonema. Os três são substantivos masculinos: o aneurisma, o telegrama, o telefonema.

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