Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Para você que (ainda) não passou na prova

10/04/2015 10:47 | Atualização: 14/04/2015 15:35

“E aí, passou?” Esta era, sem dúvida alguma, a pergunta da qual eu mais fugia antes de ser aprovado pela primeira vez. Eu me desviava das pessoas na rua, até em prédio eu já entrei só para não ter que responder o doloroso “ainda não”. Pior ainda era responder para as pessoas das quais não dá para fugir: pai, mãe, tia... Como explicar a reprovação para quem ajudava a custear meus estudos? Pagava meu curso, meus livros? Até me olhar no espelho era complicado, pois parecia que alguém dentro de mim ficava ralhando comigo. Frustração, vergonha, até uma quase depressão. Doía também imaginar ter de recomeçar tudo de novo. Ficava feliz por quem passava, mas também sofrendo por me sentir ficando para trás enquanto o mundo andava. Bem, era assim comigo. E com você?

Eu sei como está sendo o seu hoje, porque ele é igual ao meu ontem. E, por isso mesmo, eu quase sei qual é seu amanhã, pois ele é meu hoje. Primeiro, vou contar seu amanhã, e depois porque ele é “quase”.

Meu hoje começa com orgulho de você e por você. Eu criei a matéria “como passar em provas e concursos” e por isso me sinto habilitado a dizer que entendo mais disso do que seus pais, vizinhos, até mesmo mais que você, ao menos por enquanto. Não escute nem se apequene por ninguém que olhe feio para você, ok? Não pratique auto bullying também. Seus professores no curso, presencial ou on line, também são especialistas, são feras no assunto, e, sem dúvida alguma, também estão muito orgulhosos de você. Você foi lá e fez a “danada” da prova. Simples assim. Venceu o medo, fez sua parte, tentou. Algo deu errado? Claro, porque afinal você não passou. Mas por favor, veja também quantas coisas deram certo, quantas estão dando certo. Você tem tudo o que precisa para ir lá de novo e na próxima vez passar.

Hoje ninguém me julga por aquele monte de reprovações, e eu tive um monte delas. Hoje só olham as “pipocas” que explodiram. As pipocas que não explodiram ficaram no fundo da panela do tempo e da vida. Hoje eu e seus professores, todos estamos “passados”, aprovados, empossados, e você estará assim daqui a um tempo.

Agora vamos ao “quase”. Quem fizer o que tem de ser feito estará comemorando sua aprovação daqui a algum tempo. A diferença entre o sonho e a realidade é só a quantidade de tempo e de trabalho necessários. Trabalhar é estudar, treinar, rever, aperfeiçoar a si mesmo. Só quem não vai passar será aquele que entrar em um processo infinito de autocomiseração e desânimo. Não faça isso. Faça o contrário: lembre que você já é um vencedor, apenas ainda não colheu tudo que um vencedor colhe, porque boas colheitas levam tempo para acontecer. Se outro colheu rápido, sorte dele, que bom! Cada um tem seu tempo de germinar e nascer. Vá viver sua vida e sua história, pare um pouco de pensar nos outros. Cuide de você. Você é sua melhor carta para jogar o jogo da vida e temos que jogar com as cartas que temos na mão.

Há uma tentação de desistir, de chutar tudo para o alto, de se concluir incapaz. Esqueça isso. Lamente, chore, mas só para desopilar o fígado. Descanse dois a três dias e volte para os livros. Refaça a prova, veja onde errou, onde precisa treinar mais. Lembre que você já caminhou parte da estrada, que levou um tombo, mas que eles ensinam a caminhar melhor. Lembre que você pode. Reprovação é uma vírgula, não uma sentença final. Concurso se faz não para passar, mas até passar. Simples assim.

Hoje você só está diante de uma pipoca que não explodiu: não a mastigue. Elas são duras. Invista toda sua alma e até sua frustração em procurar a pipoca boa. Chore, sofra, mas volte para a mesa de estudos, para o livro, para o curso, para sua história. Celebre seus amigos que passaram, você vai querer celebração quando chegar a sua hora. E siga em frente. Fala o que deve ser feito, pague o preço de um futuro diferente e promissor.

 

William Douglas, juiz federal/RJ, professor e escritor 


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