Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Concurso Público e as Oportunidades

19/12/2016 16:36

William Douglas



Antes de mais nada, um importante anúncio: o concurso não é a única solução para todos os seus problemas e todos os problemas da nação. Um país não se faz apenas com serviço público, mas também com empreendedores, engenheiros, educadores, iniciativa privada. Mas o país também precisa, e muito, de um serviço público de qualidade, honesto, eficiente, educado, compatível com o que se espera dele e atento aos princípios constitucionais (art 37, CF). Dito isso, os concursos ainda são a melhor forma de encontrar os mais capacitados e, por isso, é importante estar bem preparado para ele.
 
Algumas carreiras podem ser desenvolvidas tanto no serviço público quanto fora dele, já outras só existem, e só deveriam existir, no contexto do setor público, como juiz, fiscal e policial, dado serem profissões que exigem alguma isenção e distanciamento político. Dito isso, enquanto para algumas pessoas o serviço público é uma opção, para outras, é o único caminho para a realização pessoal. Uma realização que não se esgota na remuneração, mas, também, fazer o que se quer ou gosta, ser útil, se realizar como profissional bem colocado. Tudo isso também conta.
 
Pouco se fala sobre a importância do concurso para proporcionar mobilidade social, enriquecimento e inserção social e, por isso, abordo os temas. Quando algumas pessoas de uma comunidade carente conseguem um bom cargo público, por exemplo, isso desencadeia uma série de coisas como: aumento da autoestima pessoal e coletiva, referencial, fortalecimento da economia local etc. E ainda, a cada aprovado uma família melhora de vida e centenas de outras pessoas do local percebem que é possível a modificação de situações e do próprio futuro. 
 
Se por um lado, o concurso público não é o único modo de fazer isso, sem dúvida, é um dos mais eficientes. O concurso é democrático, não exige experiência anterior, não reclama dos maiores de 35 anos de idade, não discrimina a mulher, o negro, o homossexual, os que não tem “boa aparência” ou que moram longe. Enfim, aumenta as chances de quem vem de baixo, ou de longe, ou de minorias.
Conheço juízes e desembargadores que foram empregados domésticos, mecânicos, que estudaram com livros encontrados no lixão, ex-vendedores de lojas e como eles existem muitos outros. 
 
Um menino da periferia pode ter dificuldade para ingressar nas melhores faculdades, ou nos melhores empregos, mas pode, apenas para visualizar uma oportunidade concreta, fazer concurso para a Academia de Bombeiros Militar. Para isso, basta ter concluído o ensino médio. Logrando êxito, fará o curso para Oficial, um curso superior, tendo alimentação e moradia. Ele receberá uma ajuda de custo no período e um salário após a conclusão. Para um menino pobre que anseia por melhorar de vida esta é uma belíssima oportunidade e é só um exemplo.
 
Trabalhando com concursos públicos, desde candidato até Presidente de Bancas Examinadoras, posso afirmar que o concurso público é uma instituição maravilhosa. Além de selecionar os melhores para servir ao público, oferece a todos a oportunidade de uma grande virada. 
O concurso público também possibilita o servidor a dedicar-se mais a família ou até a atividades profissionais que, mercê de prazerosas, não são tão reconhecidas em termos remuneratórios. Eu mesmo, sendo juiz federal, e após cumprir a carga de trabalho diária, tenho muito mais tranquilidade para exercer outras vocações, entre as quais a do magistério gratuito em cursos para negros e carentes.
Por tudo isso, defendo o concurso público e seu caráter gerador de oportunidades. 


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