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3 mil servidores do Itamaraty completam quarto mês sem benefício

Pagamento com despesas de moradia pode superar o remuneração dos funcionários

05/05/2016 14:54

Guilherme Waltenberg - Especial para o Correio

@diegospaiva/Instagram
No mesmo dia que a presidente Dilma Rousseff anunciava, em evento da Central Única dos Trabalhadores, aumento nos pagamentos do Bolsa Família e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda, cerca de 3 mil servidores do Ministério das Relações Exteriores (MRE) que vivem no exterior completavam o quarto mês sem receber auxílio-moradia do governo federal. Era 1º de maio e, desde janeiro, esses funcionários tiram do próprio bolso os pagamentos, que, muitas vezes, são superiores à remuneração que recebem.

A data foi comemorada com o início de um protesto organizado pelos servidores. Desde o Dia do Trabalho, eles inundaram a página do MRE em uma rede social com o protesto #socorroMRE. A ideia é mostrar a situação que estão enfrentando. Até o fim da tarde de ontem, havia mais de uma centena de mensagens postadas.

“Eu culpo o Congresso e a presidente Dilma Rousseff por essa situação. Eles reduziram as verbas do Itamaraty, que, historicamente, tem um dos menores orçamentos da Esplanada”, afirmou a presidente do sindicato dos servidores da carreira, Sinditamaraty, Sandra Nepumocemo. De acordo com ela, o custo de aluguel em algumas cidades como Tóquio, Nova York e Abu Dhabi é muitas vezes superior ao salário dos servidores, que varia entre US$ 4 mil e US$ 6 mil mensais.

“A média dos aluguéis custa entre 60% e 130% do valor dos salários. Temos servidores querendo retornar para o Brasil. No caso de funcionários que foram com a família, a situação é mais dramática”, afirmou Sandra. Ainda mais delicada é a situação de servidores que vivem em alguns países árabes, onde, com três meses de atraso no aluguel, o inquilino pode ser preso. “É a essa situação que estamos chegando, porque o governo não cumpre suas obrigações.”

Greve

A servidora Erika Vanessa Silva Souza, que trabalha no Consulado de Chicago, afirmou que já chegou a ter que escolher entre comida e aluguel. Ela paga US$ 4,5 mil mensais, preço médio, segundo ela, da região próxima ao trabalho. “O pior é que o ministério simplesmente alega que não tem dinheiro e não dá previsão alguma”, reclamou.

Diante desse cenário, o Sinditamaraty cogita entrar em greve. “Ninguém está brincando ou passando férias no exterior. Nosso trabalho é sério e exige um mínimo de condições”, disse a presidente do sindicato. “Sabemos que há uma situação política delicada em Brasília, mas isso não justifica deixar os funcionários que representam o país sem amparo. É essa a imagem que o Brasil está projetando no exterior”, concluiu.

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