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Após dois anos, aprovados levam bolo à sede da Caixa em protesto por contratações

Funcionários também protestaram contra as mudanças anunciadas pela presidência do banco, entre elas a extinção de cargos e funções

17/06/2016 09:15 | Atualização: 17/06/2016 11:09

Lorena Pacheco

Divulgação/Comissão de aprovados
Não é todo concurso que completa dois anos de homologação e ganha bolo de aniversário. Mas, segundo a comissão de aprovados da seleção de 2014, não há muito o que comemorar. Apesar de bolo, forró e clima de São João em frente ao edifício-sede em Brasília, os cerca de 50 manifestantes não esqueceram em casa os balões pretos e os narizes de palhaço para protestar contra a falta de nomeações do banco.

O prazo de validade da seleção teria chegado ao fim nesta quinta-feira (16/6) se não fosse a suspensão do prazo, determinada em fevereiro deste ano pela 6ª Vara do Trabalho em Brasília, a favor de ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho.

Segundo André Pinheiro, presidente da comissão, a ‘festa’ no Setor Bancário Sul teve o objetivo de lembrar à diretoria da Caixa e aos funcionários da causa dos aprovados. “A instituição está tirando os funcionários através de planos de aposentadoria, foram três no último ano e acreditamos que cerca de 10 mil funcionários devem ter saído e aí os cargos ‘somem’. Muda o governo e até agora nenhuma política para resolver isso, estamos muito preocupados. Mas ainda temos esperança de que o TRT decida pelas contratações pelo acordo coletivo de trabalho firmado após a greve de 2014, em que a Caixa se comprometeu a chamar dois mil concursados”, acredita.

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Divulgação/Comissão de aprovados
Ajuste suspenso

O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, nomeado pelo governo interino de Michel Temer, suspendeu, pelo menos momentaneamente, a reestruturação de cargos e funções que foi iniciado em março, durante a gestão de Miriam Belchior. Occhi esclareceu para os funcionários a situação financeira do banco e garantiu que mudanças futuras no banco serão feitas de maneira cautelosa e com muito diálogo entre direção e funcionários.

O presidente ainda explicou que apesar do processo de reestruturação começado no edifício-sede, é necessário trabalhar de forma diferente para expandir a outras localidades do país. Em março deste ano, com a justificativa de que o ano de 2016 configurava-se “mais difícil e desafiador”, a Caixa deu início a um amplo processo de reestruturação, que incluía demissão de pessoal, redução de gratificações e fechamentos de vagas em Brasília e nas demais regionais espalhadas por todo o país.

A medida adotada por Belchior previa reduzir custos e adequar o banco à realidade do mercado, que viu o crédito cair e a inadimplência aumentar. Uma das estratégias adotadas para reanimar a economia foi aumentar a oferta de crédito. A meta de instituição era liberar, pelo menos, R$ 16 bilhões além do previsto.

Em apenas uma semana, cerca de 600 gratificações de trabalhadores do edifício-sede foram extintas. Em Brasília, 570 pessoas foram realocadas e cortadas da função que exerciam, além do reforço do plano de apoio à aposentadoria (PAA), que já estava em andamento.

Evaristo Sá/AFP
Occhi: mudanças na Caixa serão discutidas com funcionários
Os funcionários protestaram contra as mudanças anunciadas, pelo fato de a reestruturação, com extinção de cargos e funções, ter sido feita por meio de mensagens internas. Na ocasião, o sindicato afirmou total apoio aos funcionários e cogitou possibilidades de greve.

A Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica afirmou que há um estudo permanente para avaliar a reestruturação de cargos e funções da instituição. Mas, a situação dos próximos meses é incerta. A Caixa conta com quadro de 97,5 mil empregados concursados, além de 15 mil estagiários e jovens aprendizes.

 


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