Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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HFA oferece 28 vagas em diversas áreas da medicina; salários ultrapassam R$ 3 mil

O Hospital das Forças Armadas oferece 28 vagas imediatas e oito de cadastro-reserva em diversas áreas da medicina. Os residentes receberão bolsa de mais de R$ 3,3 mil

05/12/2016 09:10

Bruna Andrade*

Gabriela Studart/CB/D.A Press
Rebecca quer uma vaga em cirurgia geral e estuda uma hora por dia
As provas para interessados em fazer residência médica no Hospital das Forças Armadas (HFA) serão no próximo domingo (11/12). Apesar de o concurso estar próximo, os estudos devem continuar. O edital ofereceu 28 vagas em cardiologia (2), cirurgia geral (2), cirurgia plástica (2), clínica médica (7), coloproctologia (1), obstetrícia e ginecologia (2), oftalmologia (2), ortopedia e traumatologia (3), otorrinolaringologia (2), psiquiatria (2), radiologia e diagnóstico por imagem (2) e urologia (1). Há ainda oito vagas de cadastro de reserva para anestesiologia (1), cirurgia vascular (1), clínica médica (3) e medicina intensiva (3). O programa de residência dura de dois a três anos, e a carga horária é de 60 horas semanais.

As provas objetivas, com duração de até três horas, serão compostas de 50 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada. O exame abrangerá as áreas de clínica médica, pediatria, cirurgia geral, obstetrícia e ginecologia, medicina preventiva e social e anestesiologia. A banca examinadora é o Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades). Apesar do nome da função, o médico residente não necessariamente terá alojamento no hospital: para isso, é necessário que o candidato seja solteiro e não more no DF.

Rebecca Carolina Silva Lins, 27 anos, terminou a faculdade de medicina em julho deste ano e concorrerá a uma vaga para residência médica em cirurgia geral. A expectativa dela é que seja uma prova bem elaborada, mas fácil de interpretar. Atualmente trabalhando em um posto de saúde em Santo Antônio do Descoberto pelo programa Mais Médicos, a jovem estuda uma hora por dia. “Meus estudos agora estão mais relacionados a atendimento primário, pré-natal, diabetes, hipertensão e cefaleia”, conta.

Ela acredita que clínica médica é o conteúdo mais complicado. A médica fez um cursinho e tem ficado atenta a materiais de referência do Ministério da Saúde. Rebecca quer ingressar na residência para realizar o sonho de se tornar cirurgiã pediátrica. “Espero, durante a residência, fazer bastante cirurgia. Acredito que, no HFA, não faltam recursos como em muitos hospitais do DF”.

Reta final de preparação
Professor de medicina do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) Romildo Martins Rezende percebe que, “apesar de vários estudantes fazerem cursinho preparatório durante a graduação, é possível passar num programa de residência só com os conhecimentos aprendidos durante a faculdade”. O professor esclarece que costumam cair na prova matérias básicas — como pediatria, clínica médica, ginecologia, obstetrícia e saúde pública —, e os conhecimentos podem ser aprofundados com diversos recursos, como materiais teóricos e resolvendo questões de provas anteriores. O candidato deve tomar cuidado com a parte relacionada a trauma, pois, em cirurgia geral, casos do tipo são mais atendidos em prontos-socorros. “Existe uma assistência médica pré-hospitalar que traz o paciente com o atendimento primário. O candidato precisa ter conhecimento sobre como esse procedimento funciona antes e dentro do hospital”, comenta.

Especialista em clínica médica, Badra Costa de Oliveira Capita nota que, nessa área, não tem como apontar um conteúdo específico, pois ela é muito abrangente. Ela observa que é comum caírem questões sobre hepatite, doenças crônicas, alcoolismo e doenças evitáveis, como diabetes e pressão alta. Apesar de a prova ser em uma semana, a professora garante que é possível se preparar. “Não dá tempo de pegar um livro para estudá-lo de cima a baixo, mas tem como resolver questões de provas anteriores, que é a melhor forma de identificar os principais erros que você pode cometer e o estilo da banca.” Nos dias que antecedem o exame, a dica é dormir bem e evitar bebidas alcoólicas. No último dia, a professora acredita que é melhor não estudar.

“Durante a prova, é importante manter a calma. Indico fazer primeiramente as questões em que a pessoa tem mais facilidade, assim a chance de acerto é maior, porque, com o tempo, o candidato fica cansado e perde capacidade de raciocínio e memória”, aconselha. “Foque nos conteúdos em que você se sai melhor, mas não deixe o restante de lado.” A médica nota que as provas do HFA, de forma geral, tendem a ser fáceis, mas o nível de dificuldade tende a crescer conforme o candidato avança nas questões. Badra alerta aos interessados que toda residência é um desafio. “A vida de um residente não é fácil: tem que se dedicar muito, focar no trabalho e, em casa, estudar.”

Professor de medicina da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Luis Tauil chama a atenção para a importância de o futuro residente conhecer a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Lei nº 8080/1990 (que regula as ações e serviços de saúde por pessoas naturais ou jurídicas de direito público ou privado). “É importante também entender os princípios básicos de epidemiologia e controle das principais doenças infecciosas e não infecciosas, conhecer as doenças imunopreveníveis, os esquemas de vacinação e organização dos serviços de saúde estadual,  distrital e municipal.” 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa
 
Passe bem / Cirurgia geral 
 
Considere o caso de um jovem de 19 anos vítima de um acidente automobilístico, atendido pelo Samu e removido para um serviço de emergência em ventilação com ambu, inconsciente, monitorado e com hidratação venosa com os seguintes sinais vitais: FR = 26 irpm, FC = 125 bpm, PA = 70/40 mmHg, saturação de 78%. No exame apresenta evidentes sinais de hipovolemia e importante contusão toraco-abdominal. Assinale o correto:
a) O melhor parâmetro para avaliar a ressuscitação hídrica desse paciente é a diurese horária.
b) A pressão arterial tem uma resposta imediata à perda sanguínea.
c) Caso o escore de coma de Glasgow seja igual a onze, está indicada a intubação.
d) Caso se verifique uma forte suspeita de pneumotórax hipertensivo, a primeira conduta será pedir a radiografia de tórax AP e perfil.
e) A tomografia computadorizada se impõe nessa condição
Comentários:
A – A filtração glomerular tem uma resposta imediata a infusão de líquidos com aumento da diurese correspondente.
B – A pressão arterial permanece quase inalterada até uma perda de 30% da volemia.
C – A intubação está indicada quando a escala de coma de Glasgow for igual ou inferior a oito.
D – No pneumotórax hipertensivo, a conduta imediata é a punção do hemitórax acometido, no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular.
E – A tomografia computadorizada deverá ser útil na avaliação secundária desse paciente.

Questão baseada nos livros ATLS — suporte avançado de vida no trauma (Colégio Americano de Cirurgiões) e Trauma — doença do século (Evandro Freire, Ed. Atheneum), comentada por Romildo Rezende
 
Gabarito A
 
O que diz o edital
Concurso público para admissão de médicos residentes do Hospital das Forças Armadas (HFA)
Inscrições: encerradas no  último domingo (27); acesse o 
edital pelo site iades.com.br
Taxa: R$ 110
Vagas: 28, mais oito de 
cadastro-reserva
Bolsa: R$ 3.330,43 (valor da bolsa atual informado pela Assessoria de Imprensa)
Provas: 11 de dezembro

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