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Carreira cobiçada: candidatos falam de preparação para o concurso da Polícia Federal

20/02/2017 09:27 | Atualização: 20/02/2017 09:51

Daniela Maia - Especial para o Correio

Desde que abandonou o sétimo semestre da graduação em ciências contábeis e um cargo de trainee numa empresa de auditoria, no fim de 2014, o administrador Murilo Martins Pereira, 25 anos, mantém uma árdua rotina de estudos para certames da carreira policial. “O primeiro que tentei foi o de agente da PF, mas não tinha muito preparo e acabei não passando”, comenta. O esforço rendeu resultados em 2015, quando ele foi aprovado em três concursos para os carlgos de agente de segurança prisional da Superintendência Executiva da Administração Penitenciária de Goiás (Seap/GO), papiloscopista da Polícia Civil de Goiás e atendente de reintegração socioeducativa da Secretaria da Criança do Distrito Federal (Secria/DF). Murilo ainda aguarda a nomeação para as três seleções. O apoio da esposa, Emanuela Sena, 25 anos, tem sido fundamental. “Enquanto eu estudo e cuido da casa, ela trabalha como enfermeira da Secretaria de Saúde”, conta. O sacrifício em prol dos estudos afetou até o casamento.

“Casamos em 8 de agosto de 2015, e meu teste de aptidão física (TAF) na Seap/GO era às 7h30 do dia seguinte, em Goiânia. Ela viajou para a nossa lua de mel, em Ilhéus, na Bahia, sozinha e fui encontrá-la apenas na madrugada do dia 10”, relembra. Murilo continua dedicado a apostilas e listas de exercícios, de olho no objetivo prioritário. “Considero os outros concursos como trampolins: meu foco sempre foi a Polícia Federal”, relata. O concurseiro investe oito horas diárias aos estudos durante a semana e três horas, aos sábados. “Quando o edital sair, vou aumentar a carga para seis horas nos fins de semana”, planeja. O exame físico não o preocupa, já que ele se garante nas aulas de musculação cinco vezes na semana e confia no histórico atlético como jogador de futebol. “A Polícia Federal é a mais top do Brasil. Além de ser uma instituição respeitada e com bons salários, tem ajudado a combater a corrupção. Tenho grandes expectativas de participar de investigação de grande relevância, como a Lava-Jato, e ter esse reconhecimento da sociedade”, sonha.
Sonho realizado 
Gabriela Studart/Esp/CB/D.A Press
"De fora, vemos só o glamour, mas a realidade é diferente", diz Andréa Assunção, delegada

A vontade de servir ao país e ser útil à sociedade motivou  Andréa Assunção, 39 anos, a seguir a carreira de delegada federal. Natural de Teresina (PI), a advogada se formou em direito em 2003, prestou concurso no ano seguinte e, em 2006, concluiu a formação na Academia Nacional de Polícia. Um dos momentos da carreira de que ela mais se orgulha é a participação no caso Mão Dupla, em 2010, no Ceará, em que investigou desvio de recursos públicos no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Todos os chefes locais do órgão no estado foram presos, além do então superintendente e de representantes de empreiteiras importantes. Naquele momento, eu me senti executando o que idealizei na PF”, recorda. Andréa relata que o tempo médio desde a instauração de um inquérito até a deflagração policial é de um ano.

“A investigação pode partir de um relatório de movimentação financeira atípica ou de uma notícia-crime da Receita Federal ou do Ministério Público”, conta. “A partir disso, são verificadas a viabilidade do caso e a necessidade de quebra de sigilo fiscal e telefônico. Quando deflagramos a operação, é o momento da festa, com o cumprimento dos mandados de busca e de apreensão após meses de diligências”, resume. “De fora, vemos só o glamour, mas a realidade é diferente”, avisa. “O auge da PF foi entre 2009 e 2010”, recorda. Segundo a delegada, desde então, os projetos pararam de avançar, e o corte orçamentário e a falta de pessoal vêm dificultando o trabalho. Outro empecilho é o de gênero, pois o efetivo feminino é de cerca de 11% nos cargos da corporação. “Estaria mentindo se dissesse que não existem dificuldades. Ainda é uma profissão muito masculina. Nós, mulheres, temos que provar nossa competência e capacidade o tempo todo”, diz.

O outro lado do trabalho
Desde que ingressou na instituição, em 2009, o agente de Polícia Federal Francisco Lião, 36 anos, trabalha nas áreas menos conhecidas do grande público. Bacharel em direito e pós-graduado em segurança pública, o ex-policial civil sabia que “a carreira não seria um conto de fadas, apesar da grande propaganda” quando assumiu no órgão. “É um serviço público com peculiaridades e dificuldades. Para atuar na área policial, é preciso ter vocação e saber que se trata de uma área de risco, com dificuldades de lotação e estrutura, dependendo da cidade em que você estiver. Além disso, o salário não é mais tão atrativo pelo risco que se corre”, afirma. Em 8 de fevereiro, Lião participou de manifestação de policiais em Brasília contra mudanças na previdência.

Morando em Petrolina (PE), ele atravessa diariamente uma ponte de 800 metros para chegar ao trabalho em Juazeiro (BA). Na comissão de vistoria há quatro anos, o agente faz fiscalização e controle da atividade de segurança privada, o que inclui perícia de carros-fortes, emissão de pareceres e atendimento ao público. De 2010 a 2013, Lião trabalhou na área de imigração, em Ponta Porã (MS), na divisa com o Paraguai. A rotina incluía investigação de candidatos à cidadania brasileira, controle de entrada e saída de estrangeiros, processos de permanência e naturalização, além da emissão de passaportes em parceria com o consulado brasileiro no Paraguai. “É comum também participar de missões com interceptação telefônica, segurança de autoridades, trabalho infiltrado, o que pode durar de dias a meses”, relata. Para quem deseja ingressar na carreira, Lião deixa a dica: “Não é um serviço público comum, pois a atividade exige disponibilidade para mudanças e oferece riscos”.
 
Mais aposentados
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 287/2016, que trata da reforma da previdência, retira o risco de vida como fator especial de aposentadoria no caso de policiais federais. De acordo com a proposta, apenas integrantes das Forças Armadas, bombeiros e policiais militares ficariam de fora das novas regras. O texto tramita na Câmara dos Deputados, que criou, no início de fevereiro, uma comissão especial para análise da proposta.
 
Os últimos concursos do órgão
» Agentes: 2014
» Técnicos e analistas administrativos: 2013
» Delegados, peritos, escrivães e papiloscopistas: 2012

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