Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

publicidade

Candidatos alegam falta de isonomia em concurso para Bombeiros do DF

Durante a avaliação médica, alguns candidatos relataram que não houve inspeção física, além de desorganização, demora no atendimento e irregularidades com os envelopes e recibos

18/07/2017 16:30 | Atualização: 18/07/2017 17:23

Mariana Fernandes

CBMDF/Divulgação
Candidatos que realizaram a etapa de avaliação médica para admissão ao concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), neste sábado (15/7), alegam que houve quebra de isonomia e desorganização na fase, que é eliminatória. O Instituto de Desenvolvimento Educacional (Idecan) é o organizador do certame.  

Um aprovado, que não quis se identificar, contou que chegou ao local bem cedo e que demorou para conseguir finalizar os procedimentos. "Foi uma desorganização total, pois não sabiam como iam chamar os candidatos, se por ordem de chegado ou por cargo. Eu cheguei 7h30 e ela só decidiram como iam chamar por volta de 9h".

Para ele, claramente faltou isonomia no concurso, pois nem todos os candidatos passaram pelos mesmos problemas. "Nenhum dos fiscais apresentava identificação, não houve inspeção física, não lacraram os envelopes na nossa frente e não houve recibo quanto a entrega de exames, o que nos deixa sem provas em caso de recurso", argumenta. 

Brayan Leandro Barros, de 24 anos, conta que fez a avaliação médica na segunda-feira (17/7) e também passou por problemas.  No caso dele não houve atrasos, mas falhas na inspeção médica. Segundo ele, a banca ignorou pontos exigidos em seu próprio edital, como por exemplo o exame biométrico. " São muitas as incapacitâncias que podem ser detectadas com o exame biométrico, que não foi realizado. E a banca ignorou tudo isso apenas medindo a altura do candidato. Resumindo, se eu tivesse 20 centímetros a menos em uma perna (que é uma condição incapacitante) e usasse uma prótese ou calça longa, eu teria sido aprovado na inspeção pois ninguém me examinou". 

Segundo o edital, a banca exige que os candidatos se apresentem usando trajes de banho, como sungas e biquinis, por exemplo, pois é necessário tirar as roupas para um exame mais detalhado do corpo. Muitos candidatos relataram que em nenhum momento isso foi exigido no dia da avaliação, fazendo com que situações de incapacitância passassem despercebidas. "É provável que muitos tenham sido aprovados por desleixo da banca e pela falta de isonomia", reclama Barros.

Barros relatou também que pessoas chegaram fora do horário e mesmo assim receberam permissão para entrar. O edital do certame também determina que o candidato chegue em horário estipulado e que as avaliações não serão feitas em outro horário e lugar. "Só podemos esperar que a justiça seja feita, mas infelizmente, poucos se preocupam em fazer as coisas com a justiça devida, principalmente quem deveria preservar a isonomia de todos. Paciência", finaliza Barros.

As reclamações, que estão circulando também nas redes sociais, também relatam demora para entrar no prédio, demora para sair do local ( alguns ficaram até de madrugada) e prejuízos com os gastos para realizar os exames médicos. Alguns, desembolsaram mais de R$ 2 mil reais. " Caso haja um cancelamento da etapa,isso ainda traria prejuízos financeiros, pois quem não tinha convênio médico precisou gastar muito com os exames", disse um candidato que não quis ser identificado.

O Idecan informou ao Correio que tudo foi realizado conforme determina o edital do concurso e a análise quanto ao candidato apto ou não é feita posteriormente,conforme está determinado em edital e tem data dedivulgação de resultado preliminar prevista para 21 de julho. 

Informou ainda que todos os candidatos acompanharam os procedimentos realizados, inclusive o preenchimento do protocolo que demarcava os exames que foram entregues.

Quanto às reclamações sobre a inspeção física não ter ocorrido, o Idecan informou que o procedimento trata-se de uma averiguação e não uma consulta médica e que todos os esforços foram feitos para que o grande número de candidatos avaliados fosse bem assistido por toda a equipe.

Assim, afirmou que todas as situações adversas que possam ter ocorrido no primeiro dia "certamente foram sanadas para os dias subsequentes" e que todos os procedimentos garantem imparcialidade, isonomia e transparência.

Já o Corpo de Bombeiros do DF informou, em nota, que o responsável pelo certame é o Idecan, mas que, em razão dos problemas relatados, a corporação tem acompanhado todas as fases e exigido da banca uma resposta imediata sempre que detectado um problema na execução.

Informou ainda que os problemas relatados no dia 15 de julho foram resolvidos com a contratação de mais médicos e a situação já foi normalizada,haja vista que não foi protocolada nenhuma reclamação nos dias subsequentes, que também tiveram avaliações médicas.

A corporação disse que realiza o acompanhamento de todas as faes do certame e que sempre intervém quando necessário para o cumprimento das exigências previstas no edital de contratação da banca e está à disposição para quaisquer esclarecimentos. 

Outras fases com irregularidades


Não é a primeira vez que este concurso deu o que falar. Em fevereiro deste ano, a prova para o cargo de oficial chegou a ser anulada. De acordo com o Idecan, o cancelamento atendeu à solicitação do presidente da Comissão de Execução do CBMDF e deveu-se à “inconsistência havida, relativa à ausência de folhas de respostas da prova discursiva”. 

Também em fevereiro, candidatos foram ao Ministério Público contra plágio em questões do concurso. Na ocasião,  o Idecan informou que as denúncias de plágio foram infundadas e que todas as questões foram elaboradas conforme o edital. 

Em março, o Minstério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou a anulação da primeira etapa do concurso para o cargo de soldado condutor e operador de viaturas do Corpo de Bombeiros do DF. Segundo o órgão, mais de cem manifestações sobre irregularidades nas provas chegaram ao conhecimento do Ministério por meio de ouvidoria. O MPDFT identificou "graves falhas procedimentais" cometidas pela banca organizadora do certame durante a primeira fase, que ocorreu em 5 de fevereiro. 


O concurso 

Ao todo, são seis editais, que oferecem oportunidades com remunerações que vão de R$ 5.108,08 a R$ 11.654,95. Confira aqui a concorrência. As vagas são distribuídas nos cargos de oficial combatente (115), oficial médico (20), oficial cirurgião-dentista (4), oficial do quadro complementar (20), combatente (448), motoristas de viaturas (112), mecânico de veículos (55) e mecânico de aeronaves (5). 

As provas ocorreram em 5, 12 e 19 de fevereiro de 2017.

Todos os postos exigem formação superior. No caso do curso de habilitação de oficiais bombeiros militares, exige-se diploma específico, e as oportunidades são para a área de saúde.


PESQUISA DE CONCURSOS