Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Policial civil é preso no DF por fraudar 11 concursos públicos

Acusado de participar de esquema que manipulava concursos em estados nordestinos, agente lotado em delegacia de Ceilândia foi preso em casa. De acordo com a investigação, ele respondia às questões de direito

16/01/2018 13:57 | Atualização: 16/01/2018 14:02

Pedro Grigori - Especial para o Correio

Lucas Sá/Polícia Civil da Paraíba
Relatórios produzidos pelos investigadores com gabaritos das provas
O agente da Polícia Civil Márcio David Carneiro Liberal, lotado na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Sul), foi preso na manhã de ontem, acusado de fraudar, pelo menos, 11 concursos públicos nos estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí. A prisão ocorreu como resultado das operações Sem Fronteiras e Gabarito, deflagradas pelas forças do Piauí e da Paraíba, respectivamente e que contaram com apoio das guarnições de Pernambuco e do Distrito Federal. 

Além do policial brasiliense, dois agentes da Paraíba foram presos. Outros dois de Pernambuco estão foragidos. Todos são investigados pela Operação Sem Fronteiras. Responsável pelo trabalho, Kleydson Ferreira, delegado de polícia do Grupo de Repressão ao Crime Organizado do Piauí (Greco), conta que, em setembro de 2016, a quadrilha atuou na fraude do concurso público de Agente Penitenciário Estadual do Piauí, que acabou sendo anulado. “A investigação começou no começo do ano passado e foram os clientes do grupo que nos levaram aos fraudadores”, informou.

De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, o policial do Distrito Federal atuava como um dos “professores” da quadrilha, respondendo a questões de direito. A atuação dele foi detectada após a aplicação da prova do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, em 2017. O mandato de prisão contra ele veio após a conclusão das investigações que o ligaram à fraude no concurso do Piauí. O policial Márcio foi preso em casa, em Samambaia.

Atuação por 10 anos

A quadrilha atua há pelo menos 10 anos, e deve ser responsável pela fraude de, no mínimo, 98 certames. Até o momento, 31 suspeitos foram detidos pela Polícia Civil da Paraíba, envolvidos na Operação Gabarito, deflagrada anteriormente. A quadrilha era considerada uma verdadeira empresa de fraudes, e os clientes chegavam a receber documento digitalizado com as questões respondidas.

Os mandados cumpridos pelas duas operações foram expedidos pela Justiça do Piauí. Além das prisões, ocorreram buscas e apreensões nas cidades Teresina; nas pernambucanas Olinda,  Petrolina e Jaboatão dos Guararapes; em João Pessoa e em Brasília. A expectativa é que, com o material coletado, aconteçam outras prisões em âmbito nacional. “As investigações da Operação Sem Fronteiras devem ser concluídas em até 10 dias”, afirmou o delegado Kleydson.

Segundo a Divisão de Comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal (Divicom), até o momento não foi comprovada a atuação do agente investigado em fraudes no Distrito Federal.

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