Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Especialistas acreditam que prova da PF deve ser aplicada antes do que se imagina

O edital deverá sair no prazo máximo de seis meses, mas especialistas em concursos públicos acreditam que provas sejam aplicadas antes de outubro. A expectativa é de que o número de inscrições deve ser grande, já que o órgão não realiza processos seletivos desde 2014

23/04/2018 09:38 | Atualização: 23/04/2018 10:02

Lorena Pacheco / Renato Souza / Anna Russi*/

Breno Fortes/CB/D.A Press
Quem estava à espera do concurso para a Polícia Federal (PF) pode se preparar. O Ministério da Segurança Pública publicou ontem no Diário Oficial da União autorização para que a PF realize novo concurso público. Portaria 8.380 informa que serão abertas 500 vagas para nível superior para cargos de delegado de polícia federal (150), perito criminal federal (60), escrivão de polícia federal (80), papiloscopista de polícia federal (30) e agente de polícia federal (180). De acordo com a PF, o processo de contratação da banca organizadora do concurso público já está em andamento. O edital deve ser aberto até outubro.


O professor do Gran Cursos Online Flávio Milhomem, promotor de Justiça no Ministério Público do Distrito Federal e mestre em ciência jurídica penal, acredita que o edital será publicado antes disso. “Em face à necessidade de novos efetivos, e por conta das eleições, a publicação deve sair antes, no segundo semestre ainda, mas antes do prazo máximo”, observou. Marcelo Borsio, coordenador científico-jurídico do Gran Cursos Online e delegado federal aposentado, aposta que o concurso ocorrerá ainda este ano. “Eu acho que as provas escritas devem ser aplicadas em agosto; e as demais, a partir de setembro. O treinamento na academia deve começar no ano que vem”, opinou.

O estudante Marcus Bessa, 25 anos, disse que aumentou o interesse em relação ao concurso após declarações do presidente Michel Temer e do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, sobre a necessidade de incrementar a equipe da PF. “A expectativa é bem grande, mas não temos certeza de quais matérias serão abordadas. Claro que tem aquelas de praxe, mas como o último certame foi há muito tempo, o padrão deve ter mudado muito”, comentou.

Milhomen destacou que a procura deve ser grande por causa do número de cargos autorizados. Ele aconselhou os candidatos a ficar atentos ao prazo de inscrição, estudar as matérias inerentes ao cargo desejado, o edital antigo e a jurisprudência dos tribunais superiores, temas que costumam ser exigidos pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), da Universidade de Brasília, provável banca organizadora do concurso. “Quem busca a aprovação deve procurar assistir a aulas e a vídeoaulas para a apreensão de todo o conteúdo”, sugeriu.

Marcos Bessa diz que, por enquanto, pretende estudar os assuntos exigidos no último certame, “principalmente as matérias inerentes ao cargo”. Após a publicação do edital, que mostrará as matérias que, de fato, vão cair na prova, ele vai se dedicar ao estudo de acordo com as principais mudanças. “Nas últimas vezes, a banca foi o Cespe, que tem tendência de cobrar jurisprudência. Como houve muita alteração na área, pretendo me atualizar”, afirmou.

O militar Byllen Torma Ramos, 26 anos, estuda para concursos da área policial há pouco mais de um ano e vai se inscrever para o cargo de agente “Não me vejo em outra área. Sou militar e formado em direito. Já cumpri missões de pacificação e, com certeza, a carreira da Polícia Federal é de enorme satisfação e reconhecimento nacional e internacional”, argumentou.

Formado em direito, Luís Henrique Guedes de Faria, 26 anos, começou a se preparar para este concurso em 2016. Ele vai concorrer ao cargo de delegado federal e acha que o certame não ocorrerá este ano por causa da falta de disponibilidade orçamentária. “O maior desafio serão as disciplinas que não eram cobradas nos anos anteriores, e não temos ainda como saber quais são”, disse.

Marcelo Borsio afirma que a expectativa em relação ao concurso é muito grande por causa do baixo número de certames realizados pela PF. “A média é de apenas duas seleções por década”, lembrou. Ele destacou, ainda, que, ao apostar que a banca avaliadora será o Cespe, é necessário traçar uma estratégia para o preenchimento de respostas, devido aos critérios de correção.

Segundo a PF, é a primeira vez que o concurso para o órgão é autorizado pelo diretor-geral da Polícia Federal. A medida está prevista no Decreto 6.944/2009, que estabelece a prerrogativa do diretor-geral para autorizar a realização de concursos públicos e decidir sobre o provimento de cargos, bem como expedir os atos necessários para essa finalidade.

 


* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo


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