Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

Provas da Câmara Legislativa do DF serão aplicadas até dezembro

Legislativo local define a Fundação Carlos Chagas como a banca responsável por organizar a seleção, que terá 86 vagas distribuídas entre cargos de nível médio e superior.Com certame previsto para o fim do ano, aprovados vão ser chamados para tomar posse em 2019

03/05/2018 11:47 | Atualização: 03/05/2018 11:57

Augusto Fernandes - Especial para o Correio

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Pedro Garcez estuda para o certame da Câmara Legislativa desde janeiro: "CÉ a minha chance de conseguir independência financeira e fazer valer a pena todo esse tempo de estudo"
Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) voltará a realizar um concurso público depois de 12 anos. Ontem (2/5), a Casa escolheu a Fundação Carlos Chagas (FCC) como a banca responsável por organizar o certame. As provas serão aplicadas até dezembro, mas as nomeações dos 86 aprovados devem ficar para 2019, pois 2018 é ano eleitoral — pela legislação, o processo seletivo teria de estar concluído, no máximo, três meses antes das votações.

No ano passado, a FCC foi escolhida por dispensa de licitação, mas o Tribunal de Contas do DF (TCDF) suspendeu o processo seletivo em agosto depois de apontar irregularidades no contrato da entidade com a CLDF. Em novembro, a Câmara montou uma comissão para atender as exigências do Tribunal, que disse haver violação dos princípios da isonomia, da impessoalidade, da motivação, da moralidade, da seleção da proposta mais vantajosa, da legalidade e do interesse público na contratação da FCC.
Em 29 reuniões, a Casa avaliou as propostas de cinco bancas: da própria FCC, do Instituto AOCP, do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), do Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (Idib) e da Funrio, fundação ligada à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). A CLDF julgou as bancas em três requisitos — experiência, capacidade técnica e infraestrutura de logística. A Fundação Carlos Chagas teve a maior nota entre as cinco: 106,3.

Segundo o relatório da comissão, “a FCC atende aos critérios de experiência, capacidade técnica e infraestrutura logística, além de constituir em entidade fundacional sem fins lucrativos, que possui estável e precisa metodologia de trabalho, resultado da experiência acumulada em seus 53 anos de existência, dedicados à realização de concursos públicos, vestibulares, avaliações de sistemas e programas, bem como pesquisas na área educacional”.

No concurso mais recente, em 2006, a CLDF nomeou 120 servidores. O presidente da Casa, o deputado Joe Valle (PDT), considera o novo processo seletivo de extrema importância. “Estamos sem funcionários em diversas áreas, como perícia médica. Servidores de funções específicas estão se aposentando”, observou.

Um edital será lançado até o fim de junho. As 86 vagas serão distribuídas entre cargos de nível médio e superior, com salários de até R$ R$ 15.879,40. A Câmara Legislativa não terá gastos para a realização do certame, que será custeado com os valores arrecadados com as taxas de inscrição.

As taxas serão de RS 54 (técnico-legislativo e técnico legislativo/policial legislativo) e R$ 78 (consultor legislativo, consultor técnico legislativo, consultor técnico-legislativo/inspetor de polícia e procurador legislativo). O impacto orçamentário nas contas do Legislativo local com a contratação dos servidores será de aproximadamente R$ 25 milhões em 2019.

Expectativa

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Italo Wuinter
No ano passado, o estudante de engenharia ambiental Pedro Garcez, 20 anos, estava se preparando para o concurso, que seria realizado em agosto. Ele começou a estudar em janeiro e até pagou um curso preparatório para o processo seletivo. Depois de seis meses de estudo, a suspensão do certame decepcionou o estudante. “Estudava das 9h às 23h. Quando não era no cursinho, era em casa. Fiquei triste porque poderia ter me preparado para outro concurso”, contou.

Com a definição da banca, Pedro vai retomar a rotina de estudos. Ele vai concorrer a uma das vagas de técnico-legislativo. “Vai ser difícil, por causa da universidade, mas não posso desperdiçar o meu investimento. É a minha chance de conseguir independência financeira e fazer valer a pena todo esse tempo de estudo”, disse.

Um dos concorrentes de Pedro será o professor de física Ítalo Wuinter, 23. Em 2017, ele estudou alguns conteúdos do certame da CLDF e ingressou em um curso preparatório. Para ele, a suspensão da prova o incentivou. “Ganhei mais tempo para estudar. Fico o dia todo me preparando. A expectativa é muito boa. Esse concurso será o meu foco a partir de agora”, ressaltou.

Ainda sem conseguir emprego na área, Ítalo vê no concurso público a chance de conseguir uma boa renda para a sua família. “Seria muito bom para os meus pais e para mim. De vez em quando, dou aulas particulares, mas não tenho um emprego definitivo. Com a definição da banca, estou ainda mais motivado”, acrescentou.


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