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Dicas da Dad

Dad Squarisi é editora de Opinião do jornal Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília. Além disso, participa de bancas examinadoras de concursos e tem várias obras publicadas.

dad.squarisi@correioweb.com.br



FESTA DO LIVRO E DA LEITURA

A Bienal de Brasília está a toda. Celebridades nacionais e estrangeiras viraram gente de casa. Não só romancistas e poetas, mas músicos, palhaços e contadores de histórias enchem auditórios e fazem a festa. O verbo ler, claro, entrou em cartaz. Gente grande e gente pequena o conjugam com desenvoltura.

Mas, na hora de escrever, pinta a dúvida. O responsável pelo nó nos miolos é o presente do indicativo. A questão: a reforma ortográfica alterou a grafia de pessoas do verbinho sabido? A resposta: alterou. A 3ª do plural do presente do indicativo perdeu o acento. Ficou assim: eu leio, ele lê, nós lemos, eles leem.

Companhia
Sem o chapéu, ler ficou mais leve. Outros verbos lhe fizeram companhia. É o caso de ver, crer e dar. O quarteto joga no mesmo time. Quanto aparece o hiato eem, o acento não tem vez. Xô! Assim: eu vejo, ele vê, nós vemos, eles veem; eu creio ele crê, nós cremos, eles creem; que eu dê, ele dê, nós demos, eles deem.

Filhotes
Os derivados não têm alternativa. Seguem os paizões sem pestanejar: eles reveem, preveem, releem, descreem.

Sem confusão
Atenção, marinheiros de poucas viagens. Parecido não é igual. Mas confunde. O tumulto tem tudo a ver com a semelhança. São todos verbos pequeninos, com uma só sílaba. Mas eles se dividem em dois grupos. O primeiro tem quatro membros (ler, ver, crer e dar). O segundo, dois (ter e vir).

O primeiro está no papo e na ponta da língua. A 3ª pessoa do plural termina com o hiato -eem (eles veem, creem, leem, deem). O segundo dispensa a dose dupla. Tem só um e. Mas mantém o chapeuzinho: eu tenho, ele tem, nós temos, eles têm; eu venho, ele vem, nós vimos, eles vêm.

Ler e ler
"Os homens não sabem ler. Aplicam a um poema o mesmo processo que aplicam a anúncios de jornal ou a notícias de propaganda política: contentam-se com o sentido superficial das palavras, sem explorar a intenção de quem fala. Confundem duas coisas que estão juntas em cada palavra falada ou escrita: a expressão e a intenção." (Otto Maria Carpeaux)

Leitor pergunta
Sei que a coluna já tratou do assunto. Mas a dúvida assaltou meus filhos. Tentei bancar o professor. Não deu. Pode repetir a história do porquê dos porquês?

Camélia Araújo, Araxá
Leitor manda. Não pede. A dúvida da moçada é de jornalistas, advogados & cia. Não há quem não hesite na hora de escrever uma forma ou outra. Muitos chutam. Mas, como a língua não é loteria, a Lei de Murphy entra em vigor. O que pode dar errado dá. Melhor não correr riscos. Eis as manhas da caprichosa criatura. Use:

Por que
1. nas perguntas: Por que os professores estimulam a leitura? Por que a evasão escolar é alta no Brasil?

2. nos enunciados em que é substituível por "a razão pela qual": É bom saber por que (a razão pela qual) os professores estimulam a leitura. Explique por que (a razão pela qual) a evasão escolar é alta no Brasil.

Por quê
A dupla com chapéu só tem vez quando o quezinho for a última -- a última mesmo -- palavra da frase. Por quê? Ele é átono. No fim do enunciado, torna-se tônico. O acento lhe dá a força: Os professores estimulam a leitura por quê? A evasão escolar continua alta, mas poucos sabem por quê. Que tal descobrir por quê?

Porque
Com essa cara, juntinho, sem lenço nem documento, porque é conjunção causal ou explicativa: Os professores estimulam a leitura porque bons textos enriquecem o vocabulário. A evasão escolar é alta porque muitas crianças trabalham em vez de ir à aula.

Porquê
Assim, coladinho e com chapéu, o porquê torna-se substantivo. Para mudar de classe, precisa da companhia do artigo ou de pronome: Explicou o porquê da evasão escolar. Certos porquês quebram a cabeça da gente. Esse porquê se inspira em outro porquê.

Resumo da ópera: não há por que temer os porquês. Quem entendeu a lição sabe por quê.



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