02/06/2008 15:56
Conquistar a tão almejada estabilidade e um bom salário é meta mais do que suficiente para a maioria dos candidatos a um posto no funcionalismo público. Conseguir a aprovação em uma seleção que una os dois itens já é uma vitória. Porém, há concurseiros que sonham além. Eles ambicionam mais do que passar em uma seleção disputada, mas ocupar um cargo de destaque e prestígio.
Henrique Horsth, 32 anos, é formado em Direito há seis anos. O concurseiro tenta aprovação para juiz federal. "Trabalhei muito tempo com juízes. É uma questão de afinidade", afirma. A batalha para conseguir a aprovação começou há dois anos e meio. "Estudo em média 11 horas por dia", conta.
Apesar de estar focado na função de juiz, ele lembra que não deixou disputar outras oportunidades. "Fiz concursos para analista e, por incrível que pareça, meu desempenho foi muito inferior nessas provas", admite. De acordo com ele, mesmo que fosse aprovado em uma seleção para outro cargo com uma boa remuneração e estabilidade garantida, a rotina de estudos para juiz não seria deixada de lado. "É uma questão de vocação. Se eu passasse em outro processo seletivo, permaneceria com os estudos para juiz", garante.
Arthur Bruno, 26 anos, tem a mesma opinião. Para ele, a satisfação pessoal só virá com a aprovação para o cargo de procurador da Fazenda da Advocacia-Geral da União (AGU). Formado em Direito, o jovem afirma que o fato de poder advogar é o maior atrativo do cargo."Você vai atuar em favor da União. Então, você é um servidor público com estabilidade e boa remuneração, mas que vai trabalhar com a advocacia - que é o que gosto", explica.
Questionado sobre a possibilidade de assumir outro posto, ele mesmo questiona."Será que em outra função vou me realizar?". O jovem conhece todos obstáculos que terá que enfrentar, mas ainda assim permanece com o foco na seleção. "Até faço provas para analista, mas quero a AGU. A concorrência nesse caso é de qualidade e não de quantidade", detalha. Para quem quer se dedicar aos grandes cargos, o jovem avisa: "Sua família vai brigar, sua namorada vai te largar. Mas vai valer a pena. Nunca vi nenhum juiz que não tenha passado pelo menos três anos indo todos os dias à biblioteca".
Seleções e salários
Uma das últimas seleções para o cargo de juiz substituto foi para o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul. A remuneração oferecida era de R$ 18.957,64. Para fazer parte do processo seletivo era preciso possuir, no mínimo, três anos de experiência jurídica, sendo considerado apenas o tempo de trabalho após a graduação. Os concorrentes foram submetidos a avaliações objetivas, discursivas, orais e de títulos.
Outro órgão que ofereceu vagas para uma função de destaque foi o Tribunal de Contas de Roraima - três vagas para procurador de contas. Para ser aprovado, o candidato precisava ter formação superior em Direito, idade mínima de 35 anos e máxima de 65, e também no mínimo três anos de experiência jurídica. Os concorrentes tiveram que ser submetidos a duas avaliações de conhecimentos específicos e uma análise de títulos. O salário recompensa: chega ao patamar de R$ 22 mil.
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