Dad Squarisi é editora de Opinião do jornal Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília. Além disso, participa de bancas examinadoras de concursos e tem várias obras publicadas.
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Carlinhos Cachoeira voltou pra casa depois de meses na cadeia. Leva vida discreta mas pra lá de confotável. De vez em quando, vai a praias badaladas. As fotos aparecem em jornais, revistas, tevês e ganham o mundo na internet. Mas, como diz o outro, não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. O enredo da história mudou.
Andressa, a mulher do bicheiro, apareceu em desfile beneficente no Palácio das Esmeraldas. Virou notícia, claro. Marconi Perilo não gostou da divulgação. Disse que ela havia entrado sem convite. Em bom português: era penetra. Pra quê?
Em carta publicada no Diário da Manhã, Cachoeira ameaçou expor os podres do governador de Goiás. "A caixa que Pandora abriu e permitiu que as desgraças se abatessem sobre os homens será brincadeira de criança diante do que posso perpetrar para defender a honra da minha família."
Que palavra?
A reação do marido da bela mulher gerou dúvida. Não era questão moral. Era vocabular. Ao tomar conhecimento da desculpa do governador, Cachoeira ficou raivoso, furioso ou irado? No duro, no duro, ele poderia ficar tomado de fúria ou raiva. Ira é muita areia pro caminhão do ilustre senhor. As três letrinhas têm o tamanho do Todo-Poderoso. Ninguém fala em raiva, ódio ou fúria do Senhor. Fala na ira de Deus.
Eva e Pandora
Pandora é a Eva dos gregos. Ambas pagam por crime que não cometeram. Eva teria tentado Adão com a maçã. Ele não resistiu. Mordeu a fruta. Resultado: adeus, paraíso.
Pandora, a primeira mulher a povoar a Terra, era linda e cheia de graça. Tinha força e coragem. Sabia negociar, convencer e fazer tudo com as mãos. Bordava, cozinhava, pintava, tocava harpa, piano e violino. Por isso os deuses a chamaram Pandora -- pessoa que tem todos os dons.
Antes de vir pra cá, ela ganhou uma caixa. Estava fechadinha. Epimeteu, o maridão, ficou curioso. Abriu-a. De dentro saltaram os males da humanidade. Desde então, doenças, violência, guerras, dores passaram a viver no planeta. Quando viu a bobeira que fez, ele fechou a caixa. Prendeu a esperança.
Moral das histórias
A culpa da desgraceira que reina no mundo é a curiosidade dos homens. Depois dizem que a mulher é curiosa.
Eis a razão
Caixa se escreve com x. A razão: se depois de ditongo soa xis, a letra x pede passagem: baixa, queixa, paixão, peixe, feixe, faixa, caixão.
Olho vivo. O em às vezes soa ein. Ditongo, joga no time do x. Assim: enxergar, enxoval, enxaguar, enxuto, enxofre, enxada, enxurrada, enxerto, enxugar, enxame.
Atenção, marinheiros de poucas viagens. O primeiro mandamento da grafia é o respeito à família. Se o paizão se escreve com ch, cessa tudo o que a musa antiga canta: cheio (encher, enchimento, enchente), charque (encharcar, encharcado).
Falou e disse
"Primeira fase: o poeta imita modelos célebres. Úlma fase: o poeta imita-se a si mesmo. Naquela, ainda não conquistou a originalidade; nesta, já a perdeu. Não há mais triste elogio que `Não é preciso assinatura, isto é de X`. Esplêndido seria que só se descobrisse que é X pela assinatura." (Carlos Drummond de Andrade)
Criança tem cada uma%u2026
Para quem não sabe, tenho 3 netos: João Henrique (6), Luiz Guilherme (4), filhos de minha filha Karina, psicóloga, e Isabela (1 ano), filha de Sabrina (30), fisioterapeuta. Pois bem, na semana passada, JH tinha como dever de casa pesquisar os diversos tipos de moradia. Ao meu lado, ele recortou fotos de casas e apartamentos. Até aí, nada de mais. Ao encontrar uma foto de uma grávida, ele recortou e disse pra mim: "Vovô, esta também é uma moradia, onde a gente fica antes de nascer". A professora gostou tanto que comentou com algumas colegas da Escola Santo Antônio. Ele está fazendo o 1º ano do ensino fundamental. Como diria papai: "Dentro de você tem dois". (Roberto Freire)