Faixa superior para impressão

Concursos

Colunistas

Dicas da Dad

Dad Squarisi é editora de Opinião do Jornal Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília. Além disso, a profissional participa de bancas examinadoras de concursos e possui várias obras sobre Português.

dad.squarisi@correioweb.com.br



SABER É PODER

Recado
"Saber é poder."

François Bacon

Dilma em Cuba
Viagens presidenciais à bela ilha do Caribe não passam despercebidas. Merecem páginas de jornais. Excitam comentaristas. Dividem opiniões. Ocupam espaços generosos nos telejornais. Em suma: chamam mais a atenção que melancia pendurada no pescoço.

A visita de Dilma seguiu o script. Equipes encarregadas de cobrir o evento apresentaram pautas criativas, fizeram entrevistas, descobriram histórias trágicas e divertidas no mais de meio século de ditadura dos irmãos Castro. Mas um pormenor manteve-se teimoso. Trata-se de grampinho pra lá de intruso. Não faltou quem escrevesse "Dilma vai à Cuba", "Dilma chegou à Cuba". Valha-nos, Deus!

Capricho
Nome de países, estados e cidades são caprichosos. Ora pedem artigo. Ora esnobam-no. Por isso, às vezes exigem crase. Às vezes, não. Como saber? Há um truque. Siga estes três passos:

1. Construa a frase com o verbo ir.

2. Depois, substitua-o por voltar.

3. Por fim, siga o conselho da quadrinha:

Se, ao voltar, volto da,

crase no a.

Se, ao voltar, volto de,

crase pra quê?

Com ou sem crase?

*Dilma vai a Cuba.

Dilma volta de Cuba. (Se, ao voltar, volta de, crase pra quê?)

*Dilma vai à Cuba de Fidel e Raúl Castro.

Dilma volta da Cuba de Fifel e Raúl Castro. (Se, ao voltar, volta da, crase no a.)

Mais exemplos

*Vou a Paris, a Londres e a Roma.

Volto de Paris, de Londres e de Roma (se volto de, crase pra quê?).

*Vou à Paris da alta costura, à Londres do fog e à Roma dos Cézares.
Volto da Paris da alta costura, da Londres do fog e da Roma dos Cézares (se volto da, crase no a).

Ano bissexto
Oba! De quatro em quatro anos, fevereiro ganha um dia a mais. É o caso de 2012. O ano compridão se chama bissexto. O adjetivo não se aplica só a ele. Vai além. Qualifica a pessoa que exerce certa atividade com pouca frequência. Vale o exemplo de quem publica os escritos escassa e ocasionalmente. Pedro Nava foi escritor bissexto.

Fraquiiiiiiiiiiinha

Foi um pega pra capar. De um lado, os defensores do acento. De outro, os contrários. O pomo da discórdia era, nada mais, nada menos, que a pequenina pra. Ela aparece na fala solta e descontraída. Também figura em slogans e ditos pra lá de conhecidos. É o caso de Pra frente, Brasil. Este é um país que vai pra frente. Pra baixo todo santo ajuda.

E daí -- com grampinho ou sem grampinho? Pra é forma preguiçosa de para. Átona, joga no time de em, de, por (anel de ouro, está em pé, anda por aí). Sem força pra figurar sozinha numa frase, precisa da ajuda de outros vocábulos. Ora, o acento indica a sílaba tônica. Pra é fraquiiiiiiiiiiinha da silva. Com ela, o agudo não tem vez. Xô!

Leitor pergunta
Li no Diário de Pernambuco esta frase: "São dos gordinhos que eles gostam mais". O "são" ficou estranho. Gostaria de saber se está certo.

Neusa Borges, Recife

Ops! O repórter tropeçou no é que. A duplinha reforça a afirmação. Mas pode cair fora sem prejudicar a estrutura da frase. Sem ela, o período continua sintaticamente correto. Compare: Nós (é que) somos patriotas. Eles (é que) não fazem falta. Tarcísio e Glória (é que) simbolizam o casal feliz. Os especuladores do mercado financeiro (é que) ganham muito dinheiro.

A frase do Diário de Pernambuco esqueceu a manha do é que. Vale observar a caminhada do período: Elas gostam mais dos gordinhos. Elas gostam mais (é dos) gordinhos. Dos gordinhos elas gostam mais. (É) dos gordinhos (que) elas gostam mais.

Viu? O é que não varia. No singular ou plural, é sempre igual.