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Dicas da Dad

Dad Squarisi é editora de Opinião do jornal Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília. Além disso, participa de bancas examinadoras de concursos e tem várias obras publicadas.

dad.squarisi@correioweb.com.br



A IMPORTÂNCIA DO USO DAS MEMÓRIAS EPISÓDICAS

É fato induvidoso que a memória é fundamental para a aprovação no concurso público. Inclusive não é incomum que a sua importância seja valorizada além do necessário.

Porém, geralmente o uso da memória nos estudos para concursos é trabalhado apenas na sua modalidade conceitual, sendo ignoradas as possibilidades de se trabalhar as memórias de natureza episódica.

E é exatamente sobre o uso da memória episódica que trata este texto.

Assim, inicialmente temos que partir da ideia de que, em termos de classificação, em relação ao objeto, existem duas modalidades de memórias, as quais correspondem às implícitas ou procedurais e às explícitas ou declarativas (IZQUIERDO, Iván, Memória. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 16/17).

A primeira modalidade, ou seja, as memórias implícitas ou procedurais, contam com uma natureza psicomotora. Trata-se daquela mobilizada quando dirigimos um carro, ao nos lembrar do movimento para usar o freio e acelerar. Esta modalidade de memória tem mecanismos e procedimentos de formação específicos e próprios.

A outra modalidade, as memórias explícitas ou declarativas, são as que não contam com um sentido psicomotor. Elas se dividem em dois grupos, que correspondem às semânticas ou conceituais e às episódicas.

As memórias semânticas envolvem um sentido tipicamente conceitual. É ela que usamos quando, aos assistirmos uma aula, procuramos nos apropriar intelectualmente de conceitos e informações.

As memórias episódicas, por sua vez, têm um sentido factual. Isto é, são as lembranças de fatos, eventos, episódios e experiências que vivenciamos.

Quando atuo como Juiz e interrogo uma testemunha nas audiências que conduzo, estou provocando esta testemunha a evocar memórias episódicas. Se ela (testemunha) falta com a verdade, me transmitindo uma informação que não foi vivenciada, mas foi dita por outra pessoa para que fosse reproduzida na Justiça - o que, diga-se de passagem, é crime de falso testemunho (art. 342 do Código Penal), na realidade a testemunha estaria evocando uma memória declarativa-semântica, e não uma memória declarativa-episódica.

Dessa maneira, ao nos prepararmos para o concurso público, geralmente ou quase sempre, trabalhamos com estratégias de estudos para a construção de memórias semânticas. Isto pode acontecer inclusive de maneira não consciente, até porque muitos candidatos não conhecem os conceitos aqui trabalhados sobre as modalidades de memórias.

Mas o fato é que também podemos trabalhar com estratégias para usar memórias episódicas, o que pode ocorrer de duas maneiras.

Uma primeira seria associarmos as memórias episódicas às memórias semânticas. Por exemplo: vamos imaginar que um dia você recebeu uma multa de trânsito, aplicada de forma presencial pelo agente de trânsito, o que não foi uma experiência indiferente, até por ter sido desagradável, tendo lhe causado transtorno e chateação. Agora imagine aquela experiência a partir do conceito de Atributos do ato Administrativo. Imagine que a autoridade tivesse lhe dito, "vou aplicar esta multa, que é um ato administrativo, no exercício do Poder de Polícia, e este ato tem presunção de legitimidade, pois estou investido no cargo, imperatividade, e você deve se sujeitar a ele, bem como auto executoriedade, de modo que você terá que pagar esta multa, sem depender de nenhuma decisão judicial". Já pensou o quanto isto pode ajudar na prova?

A outra possibilidade é trabalhar a formação de memórias semânticas durante as experiências que vivenciamos, promovendo uma espécie de associação, isto é, quando estamos vivenciando uma experiência que pode nos trazer conceitos.

Por exemplo, está em andamento o julgamento no Supremo Tribunal Federal de um processo que vem sendo tratado pela grande imprensa e setores políticos interessados como de grande importância, ao qual se deu o apelido de "mensalão", ainda que esta denominação já consista numa avaliação condenatória, bem anterior à conclusão do processo. Como está sendo dada uma grande importância midiática a este julgamento, é possível que muitas informações úteis em provas de concursos públicos sejam extraídas. E daí, se você está acompanhando as sessões do STF ou as notícias, pode estar usando esta associação de memórias episódicas com semânticas. Por isto é importante associar os conceitos aos fatos ou notícias.

Mas o fundamental é que você a partir de agora tenha atenção às oportunidades de construção de memórias episódicas e, com isto, se aproprie de informações que possam ter utilidade na hora da prova.

Bom uso das memórias semânticas e episódicas!