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Rogerio Neiva

Rogerio Neiva é juiz do trabalho desde 2002. Além disso, é psicopedagogo e possui pós-graduação em administração financeira. Atua como professor de cursos preparatórios.




TRABALHAR E ESTUDAR OU FICAR POR CONTA DOS ESTUDOS

Qual a melhor postura por parte do candidato a concursos públicos: conciliar os estudos com o trabalho ou ficar por conta dos estudos? Para aqueles que estão trabalhando, vale a pena pedir demissão, assumindo a condição de concurseiro profissional?

O objetivo deste texto é provocar a presente reflexão e contribuir com a busca de uma resposta.

Primeiramente, não se pode negar que o tempo consiste num dos principais recursos no processo de preparação para o concurso público. Ainda que a falta de tempo não seja absolutamente impeditivo da aprovação, este recurso, no mínimo, tende a impactar no prazo para a conquista do presente objetivo.

Assim, estando o candidato exclusivamente por conta dos estudos, teoricamente, estará criando condições para ampliar este relevante recurso. Portanto, na equação a ser enfrentada para a busca da resposta à pergunta levantada, o lado do benefício recai sobre a ampliação do tempo.

Porém, o candidato que fica exclusivamente por conta dos estudos assume um elevado custo de natureza emocional, pois se sujeita à tendência de estar pressionado pelo resultado. Obviamente que tal condição que não haveria caso não tivesse optado por este caminho.

É bem verdade que o custo emocional varia para cada candidato, em função de fatores subjetivos e objetivos.

Em termos subjetivos, nem todo mundo reage às adversidades e cobranças da mesma maneira. Alguns contam com sensibilidade maior, por dispor de menor capacidade para convivência com situações adversas, sendo que outros contam com sensibilidade mais limitada e menor dificuldade para conviver com as adversidades.

Em termos objetivos, as diferentes circunstâncias podem determinar distintas avaliações. A título exemplificativo, um candidato que pede demissão para sobreviver com reservas financeiras limitadas e com prazo de validade, vive um contexto diferente, se comparado com aquele que dispõe de uma privilegiada estrutura financeira sem prazo de validade fixado, tal como ocorre com candidatos que contam com os pais ou o cônjuge para garantir a sua sobrevivência.

Avançando no raciocínio da presente equação, ainda há outra variável para ser analisada, mesmo que de menor importância, a qual que consiste no custo financeiro e no custo de oportunidade. O custo financeiro envolve o quanto se gasta materialmente para sobreviver e atravessar esta trajetória. Já o curso de oportunidade corresponde ao que se deixa de ganhar.

De qualquer forma, o fundamental é avaliar os custos e os benefícios de cada opção, entre trabalhar e estudar ou ficar por conta dos estudos, pois cada uma implica em ônus e bônus.

No entanto, também é possível encontrar caminhos alternativos, talvez buscando uma ocupação profissional que proporcione renda menor, mas garantindo um tempo maior. Outra possibilidade seria trabalhar com estratégias que de gradações de objetivos em termos de concursos públicos. Por exemplo, no caso, se estabeleceria uma meta mais viável em prazo menor, sendo que, conquistando, até a nomeação, pede-se demissão do emprego, de modo a ficar por conta dos estudos.

Durante o meu processo de preparação para o concurso eleito como objetivo principal (para o cargo que ocupo, de Juiz do Trabalho), houve um período em que havia pedido exoneração de um cargo que ocupava (de Procurador de Estado), após ter sido aprovado no concurso de Advogado da União (cargo que ocupei antes de assumir o de Juiz do Trabalho), exatamente com a intenção de ampliar o tempo de estudo, ao menos durante um período. Acredito, olhando para trás, que tenha sido uma boa decisão.

Mas finalizada a equação, caso a sua conclusão seja pela opção da dedicação exclusiva aos estudos, é fundamental contar com um planejamento minuciosamente e racionalmente estruturado. Inclusive com estimativas de conclusão, comparadas com as reservas financeiras, até para que não fique perdido e aumente as angústias.

E concluindo, seja para quem ficar por conta dos estudos ou não, nunca é demais lembrar aquilo que venho sustentando como um verdadeiro mantra racional: procure manter o foco no processo de execução do planejamento de estudo!