Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Que friiiiiiiiiiiiiio

28/01/2015 16:26

A neve cobriu Nova York. Aliada ao vento furioso, transformou a cidade em deserto. Adultos e crianças se trancaram em casa. Voos deixaram de decolar. Trens se negaram a circular. Ônibus e carros pararam de ir e vir. E agora? Só havia um jeito -- esperar a nevasca passar. A danada tem um nome especial. É Juno. Quem é ela? Trata-se da primeira-dama do Olimpo. Mulher de Zeus, o deus dos deuses, é pra lá de ciumenta. Pudera. O maridão não perde oportunidade de pular o muro. Na Terra, namora belas mortais. A traída, quando descobre, se vinga. A vítima não é o marido. É a outra e os descendentes da outra. Valha-nos, Zeus! Somos nós.

Eminência de saia e batom

Viva! A notícia circulou por Europa, França e Bahia. Não é pra menos. Libby Lane se tornou a bispa de Stockport, na Inglaterra. Desde 1534 a Igreja Anglicana não ordenava uma mulher na prestigiada função. O fato chamou a atenção por duas razões. Uma: o ineditismo. A outra: o feminino de bispo. Existe a forma episcopisa, que rima com papisa e poetisa. Mas pouca gente entenderia tal sofisticação. Melhor ficar com a língua clara e simples do povo. Qual é? É bispa sim, senhores.

Dúvida exposta

Dusdeth Nunes é repórter esportivo do jornal O Dia, de Teresina. Assina a coluna Um Prego na Chuteira. Na de domingo, ele surpreendeu. Teve, como todo mundo tem, dúvida de português. Mas, diferentemente de todo mundo, não foi atrás da resposta. Publicou a encucação.

Eis o texto: "A notícia na imprensa esportiva de que o River teria suspenso (ou será suspendido?) o seu treinamento físico e coletivo por causa das lesões nos atletas que foram recentemente contratados…" Leitores se assanharam. Alguns consultaram gramáticas. Outros bateram à porta de entendidos. Paulo José Cunha apelou pra coluna. E daí?

Suspender joga no time dos generosos. Tem dois particiípios. Um, regular, é o compridão suspendido. O outro, irregular, é o curtinho suspenso. Quando usar um ou outro? Quem manda é o auxiliar. Com ser e estar, suspenso pede passagem. Com ter e estar, suspendido, glorioso, desfila no tapete vermelho: O River teria suspendido. O River havia suspendido. O River é suspenso. O River está suspenso.

Mesmo time
A generosidade contagia. Outros verbos jogam na mesma esquipe. Apresentam dois particípios que se empregam do mesmo jeitinho. É o caso de aceitar (tinha ou havia aceitado, é ou está aceito), matar (tinha ou havia matado, é ou está morto), salvar (teria ou havia salvado, é ou está salvo), prender (tinha ou havia prendido, foi ou esteve preso), expulsar (tinha ou havia expulsado, foi ou estava expulso). E por aí vai.

Turma preguiçosa
Há verbos generosos. Mas deixam a mão-aberta pra lá e dão passagem à preguiça. Têm duplo particípio, mas preferem o irregular. Por quê? Porque é curtinho. Exige menos tempo na pronúncia e menos espaço na escrita. É o caso de gastar (gastado e gasto), ganhar (ganhado e ganho), pagar (pagado e pago), pegar (pegado e pego).

Nestes tempos modernos, o tempo é o maior luxo. Daí a regra: menor é melhor. Usar o compridão com os auxiliares ter e haver, e o curtinho com ser e estar vale pra eles. Mas ninguém leva em consideração. Só o irregular tem vez: tinha (havia) ganho, foi (está) ganho; tinha (havia) gasto, foi (está gasto); tinha (havia) pago, foi (está) pago; tinha (havia) pego; foi (está) pego.

Leitor pergunta

Li frase de um autor desconhecido que achei a mais pura verdade. Só fiquei em dúvida se está correta. Ei-la: "Quer saber quantos amigos você tem? Dá uma festa. Quer saber a qualidade deles? Fica doente".

Geraldo Adriano Nogueira de Souza, Andrelândia

A dúvida procede, Adriano. A frase mistura pessoas. Na pergunta, usa você. Na resposta, tu. Vamos dar a vez ao lé com lé e cré com cré? Lé: Queres saber quantos amigos tens? Dá uma festa. Queres saber a qualidade deles? Fica doente. Cré: Quer saber quantos amigos você tem? Dê uma festa. Quer saber a qualidade deles? Fique doente.

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Tenho problemas com a grafia de palavras. Como posso melhorar?


Edercio Bento, Brasília

Ortografia, Edercio, é fixação. Os olhos funcionam como câmera. Fotografam a palavra e a armazenam. Na hora de escrever, ela está lá, à disposição. Claro que dicionários ajudam na hora da dúvida. Mas nem sempre os temos à mão. Por isso, a receita é ler, ler e ler.


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