Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Vícios que roubam vagas e amores

"A razão é inimiga da imaginação", Oscar Niemeyer

03/10/2017 15:24 | Atualização: 03/10/2017 15:27

Dad Squarisi

Há formas e formas de dizer. Algumas caem na boca do povo, ganham asas e voos. Pegam rápido como fogo morro acima e água morro abaixo. Nós as repetimos sem questionamentos. Mas, quando paramos e pensamos, ops! Cai a ficha. Exemplos existem pra dar e vender. Vamos a alguns?


Acrescentar mais

Quero acrescentar mais lazer à minha vida. Ou acrescentar mais amor. Ou acrescentar mais alegria. Reparou no pleonasmo? Acrescentar significa pôr mais. É o contrário de diminuir. Ora, como não dizemos diminuir menos, fiquemos só com o acrescentar. Xô, mais!

Mordida de mosquito

Você já disse que foi mordido por um mosquito? Ou já ouviu alguém dizer? Abra os olhos! A propriedade vocabular pede passagem. Cachorro morde. Mosquito pica.

Nariz tampado

Eta duplinha repetida. Basta uma paradinha para perceber que tampado vem de tampa. Só tampamos o que tem a tal pecinha movediça — panela, bule, garrafa, chaleira. Quando o objeto não figura nesse time, outro verbo entra em cartaz. É tapar. Nariz, olhos, buraco & cia. ilimitada tapam-se.

Tirar um raio X

Cuidado! Quem tira um raio X corre risco de ficar sem diagnóstico correto. A forma é raios X — assim, no plural e com o xis grandão.

Moro à Rua Mauá

Olho na regência. A gente mora em algum lugar — rua, bairro, cidade, país: Moro na Rua Mauá. Maria mora no Lago Sul. João morou em Belo Horizonte. Moramos no Brasil.


Sanduíche de mortandela

Ops! A indigestão vem a galope. O n embaralha o estômago. Pra se satisfazer e passar bem, coma sanduíche de mortadela.

Meio-dia e meio

Pare e pense. Se você diz meio-dia e meio, o meio concorda com dia. Meio-dia e meio dia? Nãooooooooooooooooo! Seja pontual. É meio-dia e meia (hora).

Para maiores informações...

Vamos combinar? Informação não se mede por metro. Mas por intensidade. Precisa-se de mais informações, mais notícias, mais pormenores.

Ele é uma travesti

Leitores são pessoas atentas. Focam na notícia e na língua. Bobear é proibido. Outro dia, o Correio chamou homens e mulheres que se vestem com roupas do sexo oposto de “as travestis”. Bobeou. O leitor Sérgio Peixoto viu. E comentou: “O Correio trouxe a notícia da desarticulação de uma quadrilha que explorava transexuais e travestis no DF. Empregou o substantivo só na forma feminina quando se tratava de homens travestidos de mulher — todos do sexo masculino. Ou seja: os travestis, não as travestis. O substantivo é comum de dois gêneros (como estudante). O artigo varia conforme o gênero. As travestis no caso de mulheres travestidas de homem. Os travestis para eles que se vestem como elas”.

Leitor pergunta

“Para os próximos dias e meses, nosso compromisso é trabalhar com afinco para que não haja solução de continuidade na condução das investigações e das ações penais propostas”, disse Raquel Dodge em entrevista coletiva. Fiquei confusa. A procuradora-geral da República vai continuar ou não as ações?
Bia Serena, Floripa

A locução solução de continuidade dá nó nos miolos de muita gente. Sempre suscita dúvidas. Ao dizer “para que não haja solução de continuidade”, a mandachuva do Ministério Público afirma que as ações vão prosseguir. O xis da dúvida reside na palavra solução. No caso, o vocábulo significa dissolvida. Ora, continuidade dissolvida é interrupção. Raquel Dodge disse que não haverá solução de continuidade. Logo, não haverá interrupção. As ações seguem em frente.

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