Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

publicidade

Concurseiros e Empreendedores

23/11/2015 12:00

William Douglas

Em uma era cercada de informações e oportunidades, talvez essa “contradição” não seja bem a questão principal a ser debatida, mas sim: “O que você – concurseiro, empreendedor, profissional liberal, servidor público – quer para si mesmo?”

Claro que existe toda uma discussão teórica por trás dos dois extremos dessa pretensa disputa. Teoria que listei em duas obras: As 25 Leis Bíblicas do Sucesso e Como Passar em Provas e Concursos; cada uma retratando um dos lados da questão. Hoje não falarei sobre a dualidade, falarei sobre você descobrir o que é melhor para si mesmo.

O concurso público tem uma série de vantagens e desvantagens – como tudo na vida. Do outro lado da balança temos o empreendedorismo, o que pressupõe iniciativa privada e que é igualmente conhecida por sua série de vantagens e desvantagens. Na iniciativa privada estamos retratando desde o autônomo até os empresários (CEOs), passando pelo empregado que pode almejar uma posição diferenciada.

Uma das desvantagens do concurso está na “não diferenciação”. Explico. Sou um Juiz Federal premiado por produtividade, ou seja, a Vara onde atuo é reconhecida pela Corregedoria (meu órgão fiscalizador) como um local em que se produz mais do que a média, o que faz com que eu seja considerado um bom juiz (produtivo, célere etc.). A questão é que o “pior juiz do Brasil”, que atrasa sentenças, cuja Vara é conhecida pela morosidade e nas quais os advogados e público são maltratados, é remunerado exatamente da mesma forma que eu. Ou seja, no serviço público independe de sua produtividade. Você receberá o mesmo que todas as demais pessoas da sua categoria, que é aquilo que o governo determina. O que, muitas vezes, pode ser, no mínimo, preocupante. Claro que existem outras remunerações, as não pecuniárias, como o orgulho, a sensação do dever cumprido etc. Essas serão diferentes.

Mesmo cenário não se vê na iniciativa privada. Em geral, quando você demonstra um bom serviço e alta produtividade, é recompensado com promoções etc. e, se não está recebendo o devido, você pode, pelas vias legais, lutar pelos seus direitos junto ao sindicato, junto à sua entidade de classe etc. Os altos riscos da iniciativa privada, no entanto, estão afastando grande parte das pessoas: a insegurança de poder ser demitido a qualquer momento, o processo de seleção que muitas vezes leva em conta outras questões que não o talento e a capacidade do profissional e a pressão para se estabelecer (cumprir prazos, afirmar seu lugar, provar que você é um profissional gabaritado) podem levar a um quadro de estresse com consequências severas.

Não é uma decisão fácil. Não é uma decisão que se pode, ou deve tomar levianamente, mas pesando prós e contras dos dois lados.

Mas, de maneira geral, quando falo em empreender estou falando de sair de um lugar e ir para outro melhor. E se enxergarmos esse conceito sob esse ponto de vista, temos que o concurseiro também é um empreendedor, uma vez que ele almeja conseguir o cargo público. Nesse sentido, todas as características (energia, inteligência e integridade) de um empreendedor e todos os cuidados (evitar a pressa, a avareza, a falta de prazer no trabalho, enfrentar a preguiça etc.) que ele tem de tomar devem ser também características e cuidados esperados naqueles que estão prestando concursos públicos.

Dito isso, repiso: empreender é querer melhorar de vida e, para isso, é necessário assumir uma série de atitudes, pensamentos e comportamentos, esteja você empreendendo um negócio, ou um cargo, na iniciativa privada ou em um concurso público. É sabido que a única constante da vida é a mudança e se você não quiser ficar para trás, deve começar a se mexer. Portanto, empreenda aquilo que você quer.

Nessa jornada não tenha medo de errar, pois erros são o preço que pagamos para ter uma vasta experiência e, cedo ou tarde, descobrir e conquistar aquilo que vai nos realizar.

PESQUISA DE CONCURSOS