Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Primeiro, passar

05/04/2016 10:34 | Atualização: 05/04/2016 10:35

William Douglas

A cada etapa vencida, seja na vida ou nos concursos, é necessário comemorar. A comemoração é um rito de passagem que marca a conquista e encerra o estado mental e emocional criado até chegar nela. No entanto, antes de comemorar, é preciso vencer. Ou, noutras palavras, não se deve contar com o ovo antes dele sair da galinha. Quem faz isso perde oportunidades e pode estar suscetível a trágicas consequências. Escrevo aqui para que você não cometa alguns erros clássicos que somente a ansiedade por conquistar o que se quer muito pode causar.

A vontade de comemorar a aprovação faz com que muitas pessoas não se curvem à necessária rotina de preparação. É como se já rejeitassem o "trabalho de formiguinha", a boa e velha rotina do estudo, treino, revisão etc., querendo ir logo para a próxima fase, aquela com aprovação, nomeação e posse, e tudo o mais que vem para quem passa, mas só depois que o "gol" está feito. O que se recomenda é que você visualize o gol sendo feito, mas primeiro jogue a bola para dentro da rede. No mundo dos concursos, os gols são feitos lentamente, envolvem toda uma sequência de lances, passes e bons posicionamentos. Para jogar os 300 minutos da prova há uma vida de treinos antes e é nessa hora que vale lembrar: “quanto mais você suar no treinamento menos vai sofrer no campo”.

Outro erro frequente é a falta de intervalos. Todo erro que o concurseiro comete tem um outro erro igual e proporcionalmente oposto. Alguns querem tanto ganhar logo o jogo que não param para descansar. Isso, nos esportes e no cérebro, gera esgotamento físico ou emocional. Assim como qualquer atleta, você precisa de momentos para recuperar os músculos, a alma, o coração. Aqui entram o dia de descanso, a atividade física e o lazer. Tudo moderado, tudo equilibrado, mas feito com a objetividade de um vencedor. Nessa hora, você pode ter um técnico para ajudar, motivar e inspirar, ou descobrir esse treinador dentro de você. Seja qual for seu caso, busque equilíbrio, não antecipe fases, ame treinar, saiba parar para descansar o "equipamento" sem exagerar nisso... e as vitórias virão, como seu coach, essas são minhas recomendações.

Muitos, ainda, ficam ansiosos pelo que existe de bom no futuro, e há quem fique ansioso pelo que pode haver de ruim. Quanto mais medo você tiver, maior a chance de algo dar errado. Não confunda medo com prudência. Um bom concurseiro aprende a vencer o medo se valendo da prudência e da preparação prévia. O erro que abordo agora ocorre com o candidato que sofre com a chegada do dia da prova, ou com a relação candidato-vaga, ou antecipando questões difíceis, ou com possíveis fraudes, ou se vai ser nomeado, ou... com qualquer coisa que possa dar errado.

Esse tipo de ansiedade e medo apenas prejudica o desempenho. Ainda usando a metáfora futebolística, seria como o jogador que “amarela” na hora do jogo, ou o batedor de pênalti que fica com medo de errar... e, por isso, erra. Já reparou na expressão facial de quem perde a cobrança de pênalti? Estimo que em 90% das vezes eu consigo descobrir quem irá errar observando a atitude, a expressão facial e corporal do jogador quando ele está prestes a executar a cobrança. Experimente fazer o mesmo, e logo você verá que atitude, coragem, determinação e disciplina são, nos esportes e nos concursos, o começo das grandes vitórias.

Em resumo, não tente antecipar as fases, e não se apresse, para não perder os gols que você pode fazer. Devagar também é pressa, como dizia minha mãe. Primeiro treine, depois faça o gol, e então vamos comemorar.

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