Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Concurseiros apostam nas madrugadas para incrementar rotina de estudos

Professor aceitou o desafio de ensinar por vídeoaulas após a meia-noite e candidatos aderiram

20/05/2016 11:41 | Atualização: 20/05/2016 11:54

Do CorreioWeb

Giphy.com/Reprodução
“O que você faz da meia-noite às seis da manhã?”. A pergunta é velha conhecida de muitos estudantes que são questionados após dizerem aos professores que não têm tempo para estudar. Parece um sacrifício que passa dos limites, mas essa é a realidade de muitos concurseiros. Com “sangue no olho pela aprovação”, a força de vontade é tanta que alguns candidatos decidiram abrir mão do descanso durante a noite e trocam o sono tranqüilo pelos livros e apostilas.

O professor de informática para concursos Deodato Neto viu que o horário vale a pena e aceitou ministrar aulas durante as madrugadas, de forma gratuita. “A ideia foi de ajudar as pessoas que por algum motivo têm dificuldades para estudar durante o dia”. As aulas são virtuais e já acontecem há dois anos, todas as quartas-feiras”, relata. Segundo o professor os acessos já chegaram a 38 mil pessoas. Em média, de 350 a 600 alunos participam. “É uma boa alternativa, pois a madrugada é um momento de paz para estudar. Também é interessante para quem trabalha de dia e não tem tempo e para quem costuma trocar o dia pela noite e tem um rendimento de estudo melhor durante esse período. Nas aulas resolvemos um grande volume de questões e também corrigimos provas que tenham acontecido ao longo da semana”.

Felipe Azevedo, formado em direito, conta que a carreira de delegado é o que o leva a estudar de madrugada e que há vantagens no sacrifício. “Estudar pela madrugada é mais fácil, pois todos estão dormindo e fica tudo mais silencioso. Mas é bom saber dosar os estudos com o sono, pois uma boa noite de sono ajuda bastante a recuperar as energias e também a aprender”.

O funcionário público municipal Valterly Barbosa decidiu começar a dedicar suas noites à preparação para concursos por não ter outro horário disponível e considera que o sono pode atrapalhar dependendo de como o estudante assiste a aula. “Tomei essa iniciativa porque além das aulas não terem custo, são transmitidas em um horário em que não estou trabalhando. Meu desempenho nessa hora é bom. Se você está focado, com vontade de aprender e passar em um concurso, você acaba tendo um aproveitamento significante. Quando a pessoa está sem vontade, o sono a derruba”.

Simone Cristina de Pádua, formada em administração, começou a trocar algumas horas de sono pelo estudo quando percebeu que tinha dificuldade na disciplina de informática. Mas a opção para ela ainda é tarefa árdua. “Os professores do curso que eu participava não atendiam à minha expectativa e às minhas dúvidas no conteúdo de informática. Foi aí que conheci o professor Deodato, em um blog e estou aproveitando como posso. Sinceramente não gosto de estudar de madrugada, pois não tenho bom rendimento, principalmente em leituras. Mas nunca tomei nenhuma medicação para me manter acordada, sempre optei por água bem gelada para despertar ou chá quente na época de frio”.

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A administradora bancária Ana Scherer afirma que se habituou à rotina noturna de estudos e que a forma como o professor dá aula ajuda a enfrentar o sono. “Hoje acho normal, mas no início minha produtividade era menor no dia seguinte à aula. O café era uma alternativa. Mas o jeito do professor de dar a aula colabora para que a gente fique mais atento. Ele costuma falar: ‘vamos, vamos galera, dorme não’ “.

A técnica administrativa Lucilene Pereira conta que quando conheceu essa estratégia de aprendizado ela acabou de adaptando. “Eu aproveitava as noites de insônia para acrescentar mais horas de estudo no meu cronograma. Quando as aulas são motivadoras, o interesse é maior e o sono acaba passando”.

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